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Todos os anos, um grupo de universitários brasileiros embarca para Xangai com passagem só de ida para três semanas de aulas dentro de uma das melhores universidades da China — e sem pagar nada por isso. Não é exagero: em 2025, o Brasil foi a nacionalidade estrangeira mais representada entre os aprovados. Em 2021, foram 13 brasileiros só naquela edição.

O programa se chama Shanghai Summer School (BRICS Program), e é organizado pela Fudan University, uma das instituições mais respeitadas do país, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Xangai. A edição de 2026 está acontecendo agora, entre 11 e 31 de julho, e quem já está de olho em 2027 tem um caminho claro para se preparar com antecedência.

Neste artigo, você vai entender exatamente como o programa funciona, o que a bolsa cobre, quem pode se candidatar e o que já dá para organizar hoje pensando na próxima edição.

O que você vai aprender:

  • O que é o Shanghai Summer School (BRICS Program) e quem organiza
  • Como funcionou a edição de 2026 (datas, grade e formato)
  • O que a bolsa cobre e o que fica por conta do aluno
  • Quem pode se candidatar e os critérios de elegibilidade
  • Como funciona o processo de inscrição
  • Por que o Brasil tem tanto destaque entre os aprovados
  • Como se preparar desde já para a candidatura de 2027

O que é o Shanghai Summer School (BRICS Program)

O programa existe desde 2014 e é considerado um dos projetos-bandeira de cooperação educacional entre os países do BRICS. Ele é conduzido pelo Center for BRICS Studies, ligado ao Fudan Development Institute (FDDI), com apoio institucional da Fudan University e da Secretaria Municipal de Educação de Xangai.

A proposta central é reunir estudantes de graduação, pós-graduação e jovens pesquisadores dos países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e os membros mais recentes do bloco) para um mês de imersão acadêmica e cultural em Xangai.

Na edição de 2026, o programa recebeu 40 vagas — a mesma estrutura costuma se repetir ano a ano, com pequenas variações no número total de aprovados.

Como funcionou a edição de 2026

A edição atual está sendo realizada entre 11 e 31 de julho de 2026, no campus Handan da Fudan University. Os dias 11 e 12 de julho são reservados para o check-in e a abertura dos dormitórios, com início oficial das aulas em 13 de julho.

A grade é dividida em dois módulos:

BRICS Cooperation and Global Governance (3 créditos) — o módulo acadêmico principal, com 14 aulas ministradas por professores e especialistas de universidades e think tanks dos países do BRICS. Os temas incluem cooperação entre os países do bloco, reforma da governança global, saúde global, cooperação energética, o papel do New Development Bank no financiamento de projetos sustentáveis, cooperação em inteligência artificial, e a relação da China com regiões como Oriente Médio, Rússia, América Latina, África e Sul da Ásia.

Happy in Shanghai — o módulo cultural, com atividades de imersão na cidade, incluindo passeios pela região do rio Huangpu e trocas culturais entre os participantes.

O que a bolsa cobre (e o que não cobre)

Este é o ponto que mais gera dúvida, então vale ser direto: das 40 vagas da edição de 2026, 20 foram destinadas a bolsistas e 20 a alunos que pagam pelo próprio bolso.

Para quem é selecionado como bolsista, o programa cobre:

  • Matrícula (tuition)

  • Seguro

  • Hospedagem no dormitório da universidade

O que não é coberto, nem para bolsistas nem para autofinanciados:

  • Passagem aérea de ida e volta

  • Taxa de visto

  • Alimentação

  • Gastos pessoais e passeios extras não incluídos na grade oficial

Para quem não é selecionado para a bolsa integral, existe a opção autofinanciada, com os seguintes valores (edição de 2026): matrícula de 12.900 RMB, taxa de inscrição de 400 RMB e seguro de 100 RMB, além do custo de hospedagem, que varia conforme a disponibilidade do dormitório.

Estudantes indicados oficialmente por universidades parceiras do Center for BRICS Studies têm 10% de desconto na matrícula.

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Quem pode se candidatar

O programa aceita estudantes de graduação, pós-graduação e jovens pesquisadores. Para concorrer à bolsa integral, especificamente, é preciso atender a um critério adicional de idade: ter menos de 40 anos (nascido depois de 1º de janeiro de 1986), ter nacionalidade de um país do BRICS e não estar matriculado em nenhuma instituição de ensino chinesa no momento da candidatura.

Já a modalidade autofinanciada é aberta a estudantes de graduação, pós-graduação e pesquisadores de forma mais ampla, sem essa exigência específica de idade.

Como funciona a inscrição

O processo é direto e não exige carta-convite de uma universidade parceira brasileira — embora ter uma recomendação institucional ajude a fortalecer a candidatura e possa garantir o desconto na matrícula.

Os materiais exigidos são:

  • Currículo (CV)

  • Histórico escolar da instituição em que o candidato está matriculado

  • Carta de intenção (statement of purpose)

  • Formulário de inscrição próprio do programa

  • Ao menos uma carta de recomendação de um professor ou professor associado (obrigatória para quem concorre à bolsa; recomendada também para autofinanciados)

Toda a documentação deve ser enviada diretamente por e-mail para a organização do programa, seguindo o modelo de formulário disponibilizado no site oficial a cada edição.

Na edição de 2026, o prazo de envio de materiais terminou em 30 de abril de 2026 (horário de Pequim), e o resultado foi divulgado em 12 de maio de 2026.

Os padrões das edições anteriores seguem uma lógica parecida: inscrições abertas em março, prazo final entre o fim de abril e o início de maio, e resultado divulgado cerca de duas semanas depois.

Por que o Brasil se destaca tanto no programa

Não é coincidência que estudantes brasileiros apareçam com tanta frequência entre os aprovados. Em 2025, de 400 candidaturas recebidas de todos os países elegíveis, 35 foram aprovadas — e 10 delas eram de brasileiros, a maior representação entre todas as nacionalidades daquela edição. Em 2021, o Brasil também liderou, com 13 aprovados de um total de 39.

Isso tem relação direta com o peso histórico do Brasil dentro do bloco BRICS e com o interesse de universidades chinesas em fortalecer laços acadêmicos com a América Latina. Na prática, isso significa que o perfil do candidato brasileiro — de áreas como relações internacionais, ciência política, economia, direito e áreas afins — costuma ser bem recebido pela banca avaliadora.

Como se preparar desde já para 2027

As datas específicas da edição de 2027 ainda não foram divulgadas. Mas, com base no histórico recente do programa, é possível se antecipar em pontos concretos:

  1. Organize a documentação com antecedência. CV atualizado, histórico escolar em inglês (ou traduzido) e uma carta de intenção bem escrita levam tempo para ficar prontos. Deixar isso para a última semana antes do prazo é o erro mais comum.

  2. Construa a relação com um professor orientador desde já. A carta de recomendação é obrigatória para a bolsa integral. Quanto mais cedo você conversar com um professor sobre o seu interesse no programa, mais tempo ele terá para escrever uma carta que realmente destaque seu perfil.

  3. Acompanhe os canais oficiais. As informações de cada edição são publicadas na plataforma BRICS Information Sharing & Exchanging Platform e no site do Fudan Development Institute. Como o prazo de inscrição costuma ser curto (cerca de um mês), acompanhar esses canais a partir de janeiro ou fevereiro de 2027 evita perder o período de candidatura.

  4. Alinhe seu projeto acadêmico ao escopo do programa. Como o módulo principal é voltado a governança global, cooperação entre países do BRICS e política internacional, candidatos de áreas como relações internacionais, ciência política, economia e direito tendem a construir cartas de intenção mais alinhadas com a proposta do curso — mas isso não exclui outras áreas, desde que a conexão com o tema seja bem argumentada.

Perguntas frequentes sobre o programa

A bolsa do Summer School BRICS cobre passagem aérea? Não. A bolsa cobre matrícula, seguro e hospedagem no dormitório da universidade. Passagem aérea, visto, alimentação e gastos pessoais ficam por conta do aluno, tanto para bolsistas quanto para autofinanciados.

Preciso ter uma universidade parceira no Brasil para me candidatar? Não é obrigatório. A inscrição pode ser feita diretamente por e-mail com a organização do programa. Uma indicação institucional pode garantir desconto na matrícula para quem opta pela modalidade autofinanciada, mas não é pré-requisito para concorrer à bolsa.

Qual é a idade limite para concorrer à bolsa integral? Para a modalidade com bolsa completa, o candidato precisa ter menos de 40 anos (nascido depois de 1º de janeiro de 1986) e nacionalidade de um país do BRICS. A modalidade autofinanciada não tem essa exigência específica de idade.

Quando abrem as inscrições para 2027? Ainda não há data confirmada. Com base no histórico do programa, as inscrições costumam abrir em março e fechar entre o fim de abril e o início de maio. Vale acompanhar os canais oficiais do Fudan Development Institute a partir do início do ano.

O programa é só para estudantes de relações internacionais? Não. O programa aceita estudantes de graduação, pós-graduação e pesquisadores de diferentes áreas. O conteúdo é focado em governança global e cooperação entre os países do BRICS, mas candidatos de outras áreas também são aprovados, desde que demonstrem uma conexão clara com o tema na carta de intenção.

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