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Se alguém te falar que passou o verão num acampamento nos EUA, cuidando de crianças americanas, treinando inglês 16 horas por dia e saindo de lá com dinheiro no bolso, você provavelmente vai pensar: "isso parece bom demais para ser real".
E aí está o ponto: é real, é acessível para brasileiros e segue sendo uma das rotas de intercâmbio remunerado menos aproveitadas por quem está pesquisando opções.
O programa de camp counselor existe dentro do visto J-1, a mesma categoria usada no Work and Travel. A diferença é que, em vez de trabalhar em hotel ou resort, você atua como monitor em acampamentos de verão americanos — os famosos summer camps — supervisionando atividades esportivas, artísticas e recreativas com crianças e adolescentes de 5 a 17 anos. Em troca, recebe moradia, alimentação e um salário durante toda a temporada.
É um programa que muita gente subestima por achar que "não é sério o suficiente". Mas quem passou por ele conta uma história diferente. Inglês imersivo do jeito que nenhum curso garante, liderança na prática com situações reais de pressão, e um currículo com experiência internacional que se destaca — tudo isso em 9 a 12 semanas.
Se você tem entre 18 e 30 anos, inglês básico/intermediário e alguma habilidade com esportes, artes, idiomas ou trabalho com jovens, vale ler este artigo do começo ao fim.
O que você vai aprender:
- O que é o programa de camp counselor e como ele funciona na prática
- Quais são os requisitos para brasileiros se inscreverem em 2026
- Quanto você vai gastar e quanto vai receber
- Passo a passo para conseguir uma vaga
- O que ninguém te conta antes de embarcar
- Como o programa impacta o currículo e a carreira
O que é um summer camp e o que faz o camp counselor
Os summer camps são acampamentos de férias amplamente consolidados na cultura americana. Funcionam durante o verão — de junho a agosto — e recebem crianças e adolescentes para semanas de atividades ao ar livre, esportes, artes, música, teatro, programação, idiomas e muito mais. Dependendo do camp, o foco pode ser recreativo, esportivo, artístico ou até acadêmico.
O camp counselor é o monitor responsável por esse ambiente. Na prática, você vive dentro do acampamento — dorme em cabanas coletivas, faz as refeições com os campistas, acompanha as atividades durante o dia e garante a segurança e o bem-estar das crianças sob sua supervisão. É um trabalho de tempo integral, exigente e com pouco tempo livre. E é exatamente isso que o torna tão formador.
As funções variam conforme o perfil do participante. Quem tem experiência em esportes pode atuar como monitor de natação, futebol, basquete ou remo. Quem tem habilidade com artes visuais, música ou teatro assume oficinas criativas.
Há também vagas para monitores de natureza e trilhas, aconselhamento emocional (para camps especializados em crianças com necessidades especiais) e suporte geral de atividades. Você não precisa ser especialista em tudo — mas precisa ter algo concreto para oferecer.
Quem pode participar: requisitos para brasileiros em 2026
Para se inscrever como camp counselor nos EUA, os requisitos básicos são:
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Idade: entre 18 e 30 anos (alguns programas aceitam até 28 ou 30, dependendo do sponsor)
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Inglês: nível intermediário comprovável — não é exigido inglês fluente, mas é necessário se comunicar com crianças e com a equipe americana com clareza
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Experiência: vivência com crianças, adolescentes ou atividades de liderança — esportes, voluntariado, monitoria, magistério, acampamentos, escolinhas
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Habilidade específica: pelo menos uma área de atuação identificável (esporte, arte, idiomas, natureza, tecnologia)
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Disponibilidade: mínimo de 9 semanas contínuas durante o verão americano (junho a agosto)
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Documento: passaporte brasileiro válido
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Visto: J-1 Camp Counselor (diferente do J-1 Work and Travel — são categorias distintas dentro do mesmo visto)
Não é exigido inglês perfeito na entrada. Muitos brasileiros embarcam com nível intermediário e voltam fluentes. A imersão forçada — você não tem escolha a não ser falar inglês 100% do tempo — é justamente o diferencial mais citado por quem fez o programa.
Quanto custa e quanto você recebe
Essa é a parte que mais surpreende quem pesquisa o programa pela primeira vez. O camp counselor não custa o que a maioria das pessoas imagina, porque a lógica de custo é diferente dos intercâmbios convencionais.
O que o acampamento cobre:
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Moradia durante toda a temporada (alojamentos no próprio camp)
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Alimentação completa (café, almoço, jantar e lanches)
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Seguro de saúde básico durante o período do contrato
O que você precisa pagar antes de embarcar:
O J-1 Camp Counselor tem uma vantagem concreta sobre outras categorias do mesmo visto: a taxa SEVIS para camp counselors é de apenas US$ 35 — significativamente menor do que os US$ 220 cobrados para outras categorias do J-1 e os US$ 350 do visto de estudante F-1.
O que você recebe:
O salário é pago como pocket money — uma remuneração combinada no momento da contratação. Dependendo da idade e da categoria de counselor, a remuneração varia entre US$ 1.625 (para participantes com 18 anos) e US$ 2.695 (para maiores de 21 anos com habilidades avançadas). Combinando o pocket money com os serviços cobertos pelo programa e a moradia e alimentação fornecidas pelo camp, o benefício total estimado é de cerca de US$ 2.800 ao longo de um período de 2,6 meses.
Em outras palavras: você sai com pouco ou nenhum prejuízo financeiro — e ainda acumula experiência internacional no currículo.
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Passo a passo para conseguir uma vaga
O processo de inscrição tem etapas definidas e começa antes do que a maioria imagina. Para a temporada de verão de 2026 (junho a agosto), os principais programas já estão com processo em andamento. Para 2027, o ideal é começar entre outubro e dezembro de 2026.
1. Escolha um programa sponsor
O sponsor é a organização americana designada pelo Departamento de Estado para intermediar o programa e emitir o DS-2019 — o formulário que libera o visto J-1. Os principais sponsors ativos com operação para brasileiros são CIEE, AmeriCamp (Intrax), CCUSA (Camp Counselors USA) e STS Foundation. Cada um tem critérios, taxas e perfis de camp diferentes. Pesquise e compare antes de se comprometer.
2. Preencha a inscrição e passe pela entrevista
A maioria dos sponsors faz entrevistas em inglês — por vídeo ou presencialmente. É nessa etapa que eles avaliam seu nível de comunicação, sua experiência com crianças e a habilidade específica que você vai oferecer. Seja direto sobre o que você sabe fazer. Não é a hora de improvisar.
3. Receba seu placement (vaga no camp)
Após a aprovação, o sponsor busca um camp compatível com seu perfil. Você pode receber uma sugestão ou concorrer com outros candidatos. Quando houver o match, o camp envia uma oferta com as condições do contrato — duração, salário, atividade.
4. Solicite o DS-2019 e agende o visto
Com a oferta do camp aprovada, o sponsor emite o DS-2019. Você paga a taxa SEVIS de US$ 35 no site oficial, preenche o formulário DS-160 online e agenda a entrevista no consulado americano mais próximo. Em 2026, os agendamentos para entrevista consular já estão bem normalizados, o que reduz a incerteza dos anos anteriores.
5. Compre a passagem e embarque
Só compre a passagem após o visto aprovado e o passaporte em mãos. A temporada de verão começa em junho, mas os camps costumam pedir que você chegue alguns dias antes para o treinamento de orientação.
O que você faz depois: os 30 dias de grace period
Uma das vantagens do J-1 Camp Counselor que pouca gente menciona: após o término do programa, os participantes têm a opção de viajar pelos EUA por até 30 dias antes de retornar ao seu país de origem. Esse período é legal, previsto no próprio visto, e é muito usado por counselors para conhecer cidades americanas com o dinheiro que juntaram durante a temporada.
O que ninguém te conta antes de embarcar
Camp counselor não é férias. Isso precisa estar claro antes de qualquer decisão.
A rotina é intensa: você acorda cedo, dorme tarde, passa o dia inteiro com crianças em atividade, lida com conflitos, homesickness dos campistas, situações de emergência e a pressão constante de ser responsável pelo bem-estar de outras pessoas. Não existe horário de folga definido como em outros programas de trabalho. O camp é uma comunidade fechada — você vive, trabalha e socializa no mesmo espaço por meses.
Isso também é o que faz o programa ser tão formador. Você aprende a se comunicar sob pressão, a liderar grupos em situações reais, a trabalhar em equipe multicultural e a gerenciar conflitos em inglês. Não tem como simular esse nível de imersão em sala de aula.
Outro ponto: o inglês exigido durante o trabalho é diferente do inglês de prova. Você vai se comunicar com crianças de 6 anos que falam rápido, com colegas de países diferentes e com coordenadores americanos que não têm paciência para repetir. Nas primeiras semanas, é difícil. Depois de um mês, você para de pensar antes de falar.
O impacto no currículo e na carreira
Camp counselor é reconhecido internacionalmente como experiência de liderança. Não como "aquele intercâmbio que o cara fez". Para áreas como educação, psicologia, esportes, gestão de pessoas e qualquer função que envolva comunicação e trabalho em equipe, a experiência tem peso.
Além disso, o programa deixa uma rede de contatos real: outros counselors de diferentes países, coordenadores americanos, famílias que acompanham o trabalho dos monitores. Para quem quer abrir portas nos EUA ou em outros países no futuro, esse capital social tem valor concreto.
Para o currículo, o ponto-chave é como você descreve a experiência: não é "trabalhei num acampamento de verão", é "liderança e gestão de grupos em ambiente multicultural, com foco em desenvolvimento de habilidades socioemocionais em crianças e adolescentes, em imersão total em inglês por X semanas nos EUA". A experiência é a mesma — o que muda é a leitura que o recrutador faz dela.
Chegou a sua vez de ir para o exterior
Camp counselor não é o programa mais falado nas rodas de intercâmbio. É justamente aí que está a oportunidade: menos concorrência, acesso mais direto a vagas e um retorno de experiência que rivaliza com programas bem mais caros e concorridos.
Se você tem disponibilidade para o verão americano, alguma habilidade específica e inglês suficiente para se comunicar, não há razão objetiva para não considerar essa rota. O custo inicial é compatível com outros programas J-1, a moradia e alimentação estão cobertas, e você volta com fluência real, currículo fortalecido e uma experiência que é difícil de replicar de outra forma.
Mas chegar até lá exige mais do que vontade. Exige saber qual programa se encaixa no seu perfil, como montar o documento certo, como se apresentar na entrevista com o sponsor e o que colocar no currículo antes de aplicar. É aí que entra a preparação.
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