🕐 Tempo de leitura estimado: 8 minutos

Se você está atrás da cidadania italiana por descendência, já deve ter esbarrado numa dúvida clássica nos grupos de Facebook e fóruns sobre o tema: "preciso comprovar nível de italiano para meu processo?" A resposta rápida é não — mas ela vem com detalhes importantes que fazem toda a diferença dependendo do seu caminho até a cidadania.

O motivo da confusão é simples: existem várias formas de se tornar cidadão italiano, e cada uma tem regras próprias. Enquanto quem descende de italianos passa pelo reconhecimento de um direito que já é seu por nascimento, outras vias — como casamento e residência — envolvem uma concessão do Estado italiano, que aí sim exige provar domínio do idioma.

Neste artigo, você vai entender exatamente onde entra (e onde não entra) a exigência de italiano no processo de cidadania, o que mudou com a reforma de 2025 e por que, mesmo sem ser obrigatório, aprender o idioma pode valer muito a pena para quem quer viver essa cidadania na prática.

O que você vai aprender:

  • Por que a cidadania por descendência (jure sanguinis) não exige teste de italiano
  • Em quais casos o idioma é obrigatório e qual nível é pedido
  • O que mudou com a Lei 74/2025 e como isso pode afetar a exigência de idioma em casos específicos
  • Quais certificados de italiano são aceitos oficialmente
  • Se vale a pena aprender italiano mesmo sem ser exigido no seu processo

Cidadania por descendência: reconhecimento, não concessão

O ponto-chave para entender essa história é jurídico, mas simples na prática. A cidadania italiana por descendência — conhecida como jure sanguinis, ou "direito de sangue" — não é algo que a Itália concede a você. É algo que ela reconhece, porque, segundo a legislação italiana, você já é cidadão desde o nascimento, por descender de um ascendente italiano.

Como não existe concessão discricionária, não existe exame de idioma, de conhecimentos cívicos ou qualquer outro tipo de prova de "merecimento". O consulado ou o comune (prefeitura italiana) analisa apenas a documentação: certidões de nascimento, casamento e óbito em cadeia, provando o vínculo entre você e o ascendente italiano.

Isso vale tanto para quem opta pela via administrativa (consulado ou comune) quanto para quem recorre à via judicial na Itália, hoje mais comum após as mudanças de 2025 que serão explicadas mais adiante.

Quando o italiano é exigido: casamento e residência

A exigência de idioma aparece nas outras duas formas mais comuns de se tornar cidadão italiano, que envolvem, sim, uma decisão do Estado:

  • Cidadania por casamento, quando o cônjuge de um cidadão italiano solicita a naturalização

  • Cidadania por residência, quando um estrangeiro mora legalmente na Itália pelo tempo mínimo exigido e solicita a naturalização

Nesses dois casos, a legislação italiana (Lei nº 91/1992, com as atualizações posteriores) exige a comprovação do nível B1 do Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas (QECR).

O B1 corresponde a um nível intermediário: a pessoa consegue se comunicar em situações do dia a dia, entender textos simples e se expressar sobre temas familiares, mas ainda não domina nuances mais complexas do idioma.

Como se comprova o nível B1

O certificado precisa ser emitido por uma instituição reconhecida oficialmente pelo governo italiano. As mais aceitas para fins de cidadania são:

Certificado

Instituição responsável

CILS

Università per Stranieri di Siena

CELI

Università per Stranieri di Perugia

PLIDA

Società Dante Alighieri

IT

Università degli Studi Roma Tre

Qualquer um desses certificados, no nível B1, é aceito pelos consulados italianos e pelas prefeituras que analisam pedidos de naturalização por casamento ou residência. Quem já concluiu parte da educação básica ou superior na Itália também pode usar o diploma escolar como comprovação, sem precisar do exame.

O que mudou com a Lei 74/2025 e o que isso tem a ver com o idioma

Em 2025, a Itália aprovou uma reforma que reduziu bastante o alcance da cidadania por descendência. A Lei nº 74/2025 (que converteu o chamado Decreto Tajani) passou a limitar o reconhecimento automático a filhos e netos de italianos nascidos na Itália, deixando de fora, na via administrativa, bisnetos e gerações mais distantes — o grupo que representa a maior parte dos descendentes de italianos no Brasil. Esses casos passaram a depender da via judicial para tentar o reconhecimento.

Mesmo com essa mudança, o princípio central seguiu o mesmo: quem tem direito ao reconhecimento continua sem precisar comprovar italiano. A reforma alterou quem pode pedir a cidadania por descendência, não o tipo de documentação exigida no processo.

Existe, porém, um cenário específico em que o idioma entra na conversa mesmo para quem tem ascendência italiana: filhos de pessoas já reconhecidas como cidadãs italianas antes de 27 de março de 2025 precisavam ser registrados no consulado até 31 de maio de 2026 para manter o reconhecimento automático.

Quem perder esse prazo passa a depender de um novo processo de aquisição, que pode incluir residência na Itália por período determinado e comprovação de conhecimento do idioma — regras bem diferentes do reconhecimento tradicional por descendência.

Como o tema ainda está em debate na Justiça italiana, com decisões da Corte Constitucional influenciando como os casos são analisados, vale sempre confirmar a situação específica do seu processo com um profissional especializado ou diretamente no consulado responsável pela sua região.

Ainda não sabe qual caminho de intercâmbio combina com o seu perfil? A Escola M60 é o maior preparatório do Brasil para intercâmbios gratuitos ou com bolsa e está com vagas abertas para a próxima turma com condições exclusivas. 👉 CLIQUE PARA FAZER O PRÉ-CADASTRO

Vale a pena aprender italiano mesmo sem ser obrigatório?

Mesmo que o seu processo de descendência não exija nenhum certificado, aprender italiano continua sendo uma decisão estratégica para quem pretende usar a cidadania de verdade — e não só guardar o passaporte na gaveta.

Alguns motivos práticos:

  • Vida cotidiana na Itália: abrir conta em banco, alugar imóvel, resolver questões com a prefeitura e até marcar consultas médicas fica muito mais simples com o idioma

  • Estudos e bolsas: programas como o MAECI, voltados a descendentes de italianos, costumam pedir nível B2 para cursos ministrados em italiano

  • Mercado de trabalho: mesmo em setores que operam em inglês, falar italiano amplia as vagas disponíveis e facilita a integração no dia a dia da empresa

  • Reconexão com a origem familiar: para muita gente, aprender o idioma dos antepassados é parte importante do processo, além da burocracia

Perguntas frequentes sobre cidadania italiana e idioma

Preciso saber italiano para pedir cidadania por descendência? Não. A cidadania por descendência (jure sanguinis) é um reconhecimento de um direito que já existe desde o nascimento, e não depende de comprovação de idioma em nenhuma das vias — administrativa ou judicial.

Qual nível de italiano é exigido em quais casos? O nível B1 do QECR é exigido para cidadania por casamento e por residência. Para descendência, não há exigência de nível algum, salvo em situações excepcionais ligadas a prazos perdidos após a reforma de 2025.

Quais certificados de italiano são aceitos pelo governo italiano? CILS (Università per Stranieri di Siena), CELI (Università per Stranieri di Perugia), PLIDA (Società Dante Alighieri) e IT (Università degli Studi Roma Tre) são os mais aceitos para fins de naturalização.

A reforma de 2025 mudou a exigência de idioma para descendentes? Não diretamente. A Lei 74/2025 restringiu quem pode solicitar o reconhecimento por descendência, mas não criou exigência de idioma para quem ainda tem direito ao reconhecimento tradicional.

Mesmo sem ser exigido, o italiano ajuda no processo de cidadania? O idioma não influencia a análise documental do pedido, mas facilita bastante a comunicação com consulados, cartórios e, depois, a vida na Itália caso você decida morar, estudar ou trabalhar no país.

O idioma pode não ser obrigatório, mas o seu futuro na Europa é uma escolha sua

Entender a diferença entre reconhecimento e concessão de cidadania ajuda a tirar um peso das costas de quem estava adiando o processo por achar que precisaria dominar o italiano antes de começar. A burocracia da descendência já é trabalhosa o suficiente sem essa exigência extra.

Mas ter a cidadania em mãos é só o primeiro passo. O que você faz com ela depois — estudar, trabalhar ou morar na Europa — é onde entra o planejamento de verdade.

A Escola M60 é a maior escola preparatória do Brasil para intercâmbios e está com vagas abertas para a nova turma. Nela, você tem acesso a ferramentas exclusivas, conteúdos sempre atualizados e o suporte de diversos mentores para te ajudar a criar a estratégia de aplicação perfeita para o seu perfil e objetivos!

Além de aulas gravadas, você também terá aulas ao vivo, buscador de bolsas abertas, acesso à nossa IA focada em intercâmbios, simuladores de provas internacionais, revisão de documentos, e ainda fará parte da Comunidade M60, um espaço reservado para trocas e interações entre alunos e ex-alunos que já foram para fora.

Quer se juntar a nós? Clique no botão abaixo e faça agora seu Teste de Perfil*.

Fazer Teste de Perfil

*Ele funciona como um filtro para selecionar aqueles que estão realmente dispostos a realizarem o sonho de ir para o exterior.


Foto de capa por Spencer Davis na Unsplash