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Você já fez aquela conta rápida, pegou o custo médio de um mês no exterior em dólares, multiplicou por um câmbio qualquer que apareceu no Google e pensou: "impossível"? Pois é. O problema não é só o resultado — é o câmbio que você usou. Muita gente ainda calcula intercâmbio com taxas antigas, e a diferença pode ser de centenas de reais por mês no orçamento.
Em junho de 2026, o cenário cambial mudou o suficiente para que qualquer simulação feita há um ou dois anos esteja completamente desatualizada. O dólar americano, o euro, a libra esterlina, o dólar canadense e o australiano — cada um deles tem um impacto diferente no bolso do brasileiro, dependendo do destino escolhido.
Este artigo existe para uma coisa só: colocar os números reais na mesa. Você vai saber exatamente quanto custa manter um mês de intercâmbio em cada destino principal, calculado com as taxas de câmbio de hoje. E no final, vai entender por que existe um caminho que elimina quase completamente essa preocupação.
O que você vai aprender:
- As cotações das principais moedas em junho de 2026 e o que mudou
- Como calcular o custo mensal real de um intercâmbio por destino
- O impacto do câmbio em EUA, Europa, Reino Unido, Canadá e Austrália
- Por que bolsas de estudo transformam completamente essa equação
- Como começar a busca por uma oportunidade internacional com financiamento
As cotações de junho de 2026
Antes de qualquer cálculo, é preciso ter os números corretos. Estas são as cotações de referência do câmbio comercial em junho de 2026:
Moeda Cotação (R$) Dólar americano (USD) R$ 5,15 Euro (EUR) R$ 5,88 Libra esterlina (GBP) R$ 6,80 Dólar canadense (CAD) R$ 3,63 Dólar australiano (AUD) R$ 3,63
Uma observação importante: o câmbio turismo — aquele que você paga na prática ao comprar moeda ou usar o cartão no exterior — costuma ser 4% a 8% mais alto que o câmbio comercial, além do IOF de 3,5% sobre compras internacionais no cartão. Isso significa que os valores reais do seu bolso são mais altos do que os mostrados acima. Para fins de planejamento, considere uma margem de segurança de pelo menos 10% sobre as cotações listadas.
Nos últimos 12 meses, o real apresentou variação relevante frente a essas moedas — com a libra chegando a bater R$ 7,64 em momentos de maior tensão cambial no período. Isso reforça um ponto crítico: calcular com o câmbio "de hoje" é importante, mas depender exclusivamente do câmbio para financiar um intercâmbio é, no mínimo, arriscado.
Quanto custa um mês de intercâmbio em cada destino?
Os valores abaixo representam uma estimativa de custo de vida mensal razoável para um estudante internacional — sem luxo, mas sem privação. Incluem moradia compartilhada, alimentação, transporte local e despesas básicas. Mensalidade de curso e passagem aérea não estão incluídas.
Estados Unidos — destino dólar (USD)
Um mês de vida estudantil nos EUA, em cidades como Boston, Chicago ou Austin, fica entre US$ 1.500 e US$ 2.200. Em Nova York, esse valor sobe para US$ 2.500 ou mais.
Com o câmbio de junho de 2026:
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Cenário médio (US$ 1.800): R$ 9.270 por mês
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Cenário Nova York (US$ 2.500): R$ 12.875 por mês
São Paulo por comparação: uma vida universitária com aluguel e alimentação nessa cidade fica entre R$ 3.000 e R$ 5.000 mensais, dependendo do bairro.
Europa — destino euro (EUR)
A Europa é um continente heterogêneo, mas para fins de referência, países como Alemanha, Países Baixos e França ficam entre €900 e €1.400 mensais para um estudante. Portugal e Espanha entram numa faixa um pouco mais baixa, de €800 a €1.200.
Com o câmbio de junho de 2026:
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Alemanha, faixa média (€1.100): R$ 6.468 por mês
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Portugal, faixa mais acessível (€850): R$ 4.998 por mês
Portugal, aliás, continua sendo um dos destinos com moeda forte mais acessíveis para brasileiros em termos de custo de vida — mas com o euro a R$ 5,88, a conta não é tão leve assim.
Reino Unido — destino libra esterlina (GBP)
A libra é a moeda mais pesada para o brasileiro entre as cinco listadas aqui. Um mês em Londres fica entre £1.200 e £1.800. Cidades como Manchester, Edinburgh e Birmingham ficam em torno de £900 a £1.200.
Com o câmbio de junho de 2026:
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Manchester, faixa média (£1.000): R$ 6.800 por mês
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Londres, faixa conservadora (£1.400): R$ 9.520 por mês
O Reino Unido é um dos destinos onde a variação cambial mais pesa. Com a libra oscilando entre R$ 6,80 e R$ 7,64 nos últimos 12 meses, uma diferença de £1.000 no planejamento pode significar quase R$ 850 a mais ou a menos no orçamento mensal.
Canadá — destino dólar canadense (CAD)
O dólar canadense é, entre os cinco, o mais próximo do real em termos de cotação. Um mês em cidades como Vancouver ou Toronto fica entre CAD 1.800 e CAD 2.400. Montreal e cidades menores da região de Quebec ficam em torno de CAD 1.400 a CAD 1.800.
Com o câmbio de junho de 2026:
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Montreal, faixa acessível (CAD 1.600): R$ 5.808 por mês
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Vancouver, faixa média (CAD 2.100): R$ 7.623 por mês
O CAD a R$ 3,63 parece favorável — e de fato é, em relação ao dólar americano e à libra. Mas Vancouver e Toronto são cidades com custo de moradia extremamente alto, o que puxa os números para cima mesmo com câmbio relativamente mais favorável.
Austrália — destino dólar australiano (AUD)
O dólar australiano está exatamente na mesma faixa de cotação que o canadense em junho de 2026 — R$ 3,63. Um mês em Sydney ou Melbourne fica entre AUD 2.000 e AUD 2.800. Adelaide e outras cidades menores ficam em torno de AUD 1.600 a AUD 2.000.
Com o câmbio de junho de 2026:
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Adelaide, faixa acessível (AUD 1.800): R$ 6.534 por mês
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Sydney, faixa média (AUD 2.400): R$ 8.712 por mês
A Austrália tem uma característica interessante: é um dos poucos países que permite trabalho legal para estudantes internacionais durante o curso (até 48 horas por quinzena), o que pode aliviar substancialmente o custo de vida na prática.
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O que muda quando você tem uma bolsa de estudos
Até aqui, o artigo falou de números que, para a maioria dos brasileiros, parecem fora do alcance. E, se você estiver bancando tudo do próprio bolso, de fato são.
Mas existe uma outra lógica, completamente diferente.
Quando você consegue uma bolsa de estudos integral, o câmbio deixa de ser o seu problema. A instituição que concedeu a bolsa paga mensalidade, moradia, alimentação e, dependendo do programa, ainda oferece uma ajuda de custo mensal em moeda forte. Você não precisa converter reais. Você recebe em dólar, euro ou libra.
Para colocar em perspectiva:
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O programa DAAD (Alemanha) oferece bolsas para mestrado e doutorado com auxílio mensal de €934, além de subsídios de moradia e saúde. Traduzindo para junho de 2026: R$ 5.492 por mês depositados na sua conta, sem que você precise enviar um centavo do Brasil.
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O programa Chevening (Reino Unido) cobre mensalidade, passagem, visto e uma ajuda de custo mensal de aproximadamente £1.100. Com a libra a R$ 6,80: R$ 7.480 por mês em auxílio, além de todas as despesas principais cobertas.
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O Fulbright americano para estudantes brasileiros cobre mensalidade universitária mais um auxílio mensal que varia entre US$ 1.500 e US$ 2.500, dependendo da cidade. Na faixa mais conservadora, com o câmbio atual: R$ 7.725 por mês.
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O programa Erasmus Mundus cobre mensalidade em universidades europeias e oferece um auxílio de €1.000 mensais para estudantes de fora da Europa — com moradia e passagem também cobertas em muitos casos.
Em todos esses casos, a pergunta "quanto vale o câmbio hoje?" vira irrelevante. O que importa é preparação, estratégia e candidatura.
Por que o câmbio não deveria ser o freio da sua decisão
Tem um pensamento que paralisa muita gente: "quando o câmbio melhorar, eu vou". O problema é que o câmbio raramente melhora de forma previsível — e enquanto você espera, os prazos de candidatura passam.
Os programas de bolsa mais competitivos do mundo trabalham com timelines de 6 a 18 meses de antecedência. Quem decide agir só quando o câmbio "parece bom" chega tarde à festa.
Além disso, existe um equívoco muito comum: pensar que o custo do intercâmbio é só o custo de vida lá fora. A preparação também tem um custo — e esse você paga em reais, de onde você está:
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Exame de proficiência (TOEFL, IELTS, DELF, TestDaF): R$ 1.000 a R$ 2.200, dependendo do teste e da cidade
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Passaporte: R$ 250 a R$ 350
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Taxa de visto: varia por país, entre R$ 500 e R$ 1.500
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Seguro viagem: R$ 500 a R$ 3.000 por período, dependendo do destino e duração
Esses gastos existem independentemente de você ir por conta própria ou com bolsa. A diferença é que, com bolsa, eles representam praticamente todo o investimento — não apenas o começo de uma lista muito mais longa.
Como conseguir uma bolsa de estudos: por onde começar
A maioria das pessoas que desiste de tentar uma bolsa não desiste por falta de mérito. Desiste por falta de informação e por não saber como se posicionar corretamente no processo seletivo.
Existem algumas premissas básicas que valem para quase todos os programas de bolsa:
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Inglês é o mínimo, não o diferencial. A maioria dos programas internacionais exige inglês — TOEFL ou IELTS — com pontuações específicas. Isso não é opcional. Mas chegue no processo sabendo que todo mundo naquele processo também tem inglês. O diferencial está em outros lugares.
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O seu perfil precisa ser construído antes da candidatura. Carta de intenção, carta de recomendação, currículo acadêmico, projetos anteriores, envolvimento em pesquisa ou voluntariado — tudo isso leva tempo para construir. Quem começa a pensar nisso só quando abre o edital está atrasado.
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Cada programa tem critérios muito específicos. Fulbright quer pessoas com potencial de liderança e impacto social. DAAD prioriza área técnica e projeto de pesquisa bem definido. Chevening valoriza liderança e potencial de influência no país de origem. Candidatar-se sem entender esses critérios é desperdiçar a tentativa.
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Candidatura genérica não passa. Um dos erros mais comuns é enviar a mesma proposta para vários programas com pequenas adaptações. Os avaliadores leem centenas de candidaturas e identificam isso imediatamente.
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A estratégia importa tanto quanto o perfil. Escolher o programa certo para o seu momento, identificar as universidades com maior taxa de aprovação de brasileiros, saber quem escolher como orientador de pesquisa — são decisões que impactam diretamente a taxa de sucesso.
FAQ: câmbio, custo e bolsas de intercâmbio
O câmbio turismo é muito diferente do câmbio comercial? Sim. O câmbio comercial é a referência de mercado, mas o câmbio turismo — que você usa ao comprar moeda em casa de câmbio ou ao usar o cartão no exterior — costuma ser 4% a 8% mais alto. Além disso, compras internacionais com cartão de crédito têm IOF de 3,5%. Para planejamento, sempre use o câmbio comercial como base e acrescente pelo menos 10% como margem.
Faz sentido guardar dinheiro em moeda estrangeira para um intercâmbio? Depende do prazo. Se você tem 12 meses ou mais até o intercâmbio, guardar em conta de dólar ou euro (por fintechs como Wise ou Nomad) protege você de eventual desvalorização do real. Se o prazo for curto, o ganho cambial pode ser menor do que as tarifas de conversão.
As bolsas de estudo cobrem tudo? Depende do programa. Bolsas integrais como Chevening, Fulbright e Erasmus Mundus cobrem mensalidade, moradia, passagem e oferecem auxílio mensal. Outras bolsas cobrem apenas mensalidade — e o estudante precisa arcar com o custo de vida. Sempre leia o edital completo antes de calcular o que sobra por sua conta.
Qual moeda é mais vantajosa para um brasileiro que quer ir ao exterior? Em termos de cotação, dólar canadense e australiano são os menos pesados — ambos a R$ 3,63 em junho de 2026. Mas o custo de vida em cidades como Vancouver e Sydney é muito alto, então o câmbio favorável pode ser anulado pelos gastos locais. A relação mais custo-efetiva depende da cidade, não só da moeda.
Quanto tempo leva para conseguir uma bolsa de estudos? O processo completo, desde o início da preparação até a aprovação e embarque, costuma levar entre 12 e 24 meses, dependendo do programa. Programas como DAAD e Chevening têm editais anuais com prazos específicos. Começar cedo é a variável mais importante.
Posso conseguir uma bolsa sem falar inglês fluente agora? A maioria dos programas em países de língua inglesa exige pontuação mínima em TOEFL ou IELTS. Mas inglês é uma habilidade desenvolvível — e o tempo de preparação para a candidatura é, em muitos casos, suficiente para atingir a pontuação exigida, desde que você comece com antecedência.
Existe bolsa para quem quer fazer intercâmbio de curta duração? Sim. Programas como o DAAD Rise (para áreas científicas) e o Amgen Scholars (para ciências biológicas) são voltados para experiências de verão de 8 a 12 semanas. Há também programas governamentais brasileiros e binacionais que financiam missões de curta duração. O portfólio de oportunidades é muito maior do que a maioria das pessoas imagina.
A conta que realmente importa
Fazer intercâmbio bancado do próprio bolso em 2026 exige uma capacidade financeira que a maioria dos brasileiros simplesmente não tem — e não há nada de errado em reconhecer isso. Com dólar americano a R$ 5,15 e libra esterlina a R$ 6,80, um mês em um país anglófono custa facilmente o equivalente a dois ou três salários mínimos brasileiros só em custo de vida.
A alternativa não é esperar o câmbio melhorar. É mudar o jogo.
Quem conquista uma bolsa integral não olha para o câmbio do dia com ansiedade — olha com curiosidade. Porque essa pessoa recebe em moeda forte, sem precisar converter reais para sobreviver fora. O câmbio passa a ser uma vantagem, não um obstáculo.
Mas para chegar lá, é preciso mais do que vontade. É preciso estratégia, preparação e as ferramentas certas.
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Foto de capa por Amol Tyagi na Unsplash