🕐 Tempo de leitura estimado: 8 minutos

Muita gente que começa a estudar inglês para intercâmbio cai numa armadilha silenciosa: fica semanas assistindo séries britânicas, treina com materiais americanos, mistura tudo — e na hora que precisa fazer uma prova de proficiência ou se preparar para uma entrevista de emprego no exterior, percebe que não sabe exatamente qual inglês aprendeu.

Não é questão de capricho ou preciosismo. O inglês americano e o britânico são variantes distintas de um mesmo idioma, e essa diferença tem impacto real em três momentos concretos da sua jornada internacional: na prova de proficiência que você vai precisar apresentar, no ambiente de trabalho onde você vai atuar e no dia a dia do país em que você vai morar.

O blog da UDI já publicou um artigo sobre as diferenças linguísticas entre os dois ingleses — sotaque, vocabulário, ortografia, gramática. Se você ainda não leu, vale a pena. Mas este artigo vai além: o foco aqui é o que muda na prática, quando você está se candidatando a uma bolsa, mandando currículo para uma empresa no exterior ou tentando entender o que o locador do seu apartamento está falando no Reino Unido.

O que você vai aprender:

  • Qual variante cada prova de proficiência usa — e como isso afeta sua preparação
  • O que muda para quem vai trabalhar nos EUA versus na Europa
  • Situações do cotidiano onde a diferença entre as variantes aparece de forma concreta
  • Como decidir qual inglês faz mais sentido para o seu objetivo

TOEFL e IELTS: duas provas, duas variantes

Essa é a parte mais direta e mais ignorada de toda essa discussão.

O TOEFL foi criado nos Estados Unidos pela ETS (Educational Testing Service) e reflete o inglês americano em todas as suas seções: o sotaque dos áudios de listening é americano, a ortografia esperada no writing é americana e o vocabulário acadêmico das questões de reading segue o padrão dos EUA. Se você vai prestar TOEFL, sua preparação precisa estar ancorada no inglês americano — não porque o britânico seja errado, mas porque faz diferença na hora de processar os áudios rapidamente e escrever sem hesitar na grafia das palavras.

O IELTS tem raízes britânicas. Foi criado pela Universidade de Cambridge e é administrado em parceria com o British Council. Os áudios de listening trazem uma variedade maior de sotaques — britânico, australiano, neozelandês — e o padrão de escrita esperado é o britânico. Quem está mais acostumado com o inglês americano costuma levar um susto na seção de listening do IELTS na primeira vez que pratica com materiais oficiais.

Isso não significa que você precisa dominar os dois ingleses antes de escolher uma prova. Significa que, depois de definir qual prova prestar, você deve calibrar seus materiais de estudo de acordo com a variante correspondente. Praticar listening com séries americanas enquanto se prepara para o IELTS funciona — mas não é o treino mais eficiente.

Qual prova usar para qual destino?

De forma geral: o TOEFL é mais aceito nos Estados Unidos — as universidades americanas historicamente pedem essa certificação, e muitas empresas americanas que contratam estrangeiros também. O IELTS domina no Reino Unido (onde o TOEFL não é mais aceito para visto de estudante), na Austrália, no Canadá, na Nova Zelândia e na maioria dos países europeus. Para bolsas como Erasmus+ e Chevening, o IELTS é o padrão.

Antes de sair estudando, defina seu destino. A variante da prova vai decorrer naturalmente daí.

Ainda não sabe qual destino faz mais sentido para o seu perfil? A Escola M60 é o maior preparatório do Brasil para intercâmbios gratuitos ou com bolsa e está com vagas abertas para a próxima turma com condições exclusivas. 👉 CLIQUE PARA FAZER O PRÉ-CADASTRO

No trabalho: qual inglês as empresas esperam?

Essa pergunta não tem uma resposta única — e isso é importante entender logo de cara.

Em teoria, qualquer empresa internacional aceita as duas variantes. Na prática, o contexto do país e do setor faz diferença.

Se você vai trabalhar nos Estados Unidos, o inglês americano é o padrão operacional: e-mails, documentos, reuniões, contratos. Isso não significa que você será julgado por usar "colour" em vez de "color", mas significa que você vai se deparar com vocabulário, expressões e referências culturais que fazem mais sentido se você tiver uma base sólida na variante americana. Setores como tecnologia, finanças e entretenimento têm forte presença do inglês americano globalmente — não por acidente, mas porque as empresas líderes nesses setores são majoritariamente americanas.

Se você vai trabalhar no Reino Unido, Irlanda ou em qualquer país da Europa, o inglês britânico funciona como referência predominante. Multinacionais europeias usam o padrão britânico em suas comunicações formais. Em países não anglófonos da Europa — Alemanha, França, Holanda — o inglês britânico também é mais ensinado nas escolas e mais presente no ambiente corporativo.

Há um terceiro cenário cada vez mais comum: trabalhar remotamente para uma empresa americana morando fora dos EUA, ou o inverso. Nesse caso, o que importa é consistência. Escolha uma variante e mantenha-a nos documentos formais que você produz. Misturar "organization" com "realise" no mesmo relatório não vai custar seu emprego, mas indica falta de atenção a detalhes — e atenção a detalhes é uma habilidade valorizada em qualquer ambiente profissional.

Depoimento Escola M60

O inglês nos processos seletivos internacionais

Entrevistas de emprego no exterior têm uma camada adicional: o candidato precisa demonstrar que consegue se comunicar com fluência no ambiente daquele país. Isso inclui mais do que a gramática correta — inclui expressões idiomáticas, tom de conversa e as convenções de formalidade que variam entre americanos e britânicos.

O inglês americano tende a ser mais direto e menos formal nas interações profissionais. É comum um primeiro contato por e-mail ir direto ao ponto, sem muita formalidade. O britânico mantém convenções de cortesia mais presentes — mesmo em ambientes informais, há certos modos de formular pedidos e discordâncias que diferem do americano.

Quem está se preparando para trabalhar no exterior vai se beneficiar de assistir conteúdo produzido no país de destino: entrevistas, podcasts corporativos, vídeos institucionais. É o tipo de material que forma o ouvido para o ritmo real das conversas profissionais locais — algo que nenhum material de estudo genérico consegue substituir completamente.

No dia a dia: onde as diferenças aparecem de verdade

Aqui é onde a coisa fica mais concreta — e às vezes mais engraçada.

Vocabulário do cotidiano. Quem estudou inglês americano e vai morar no Reino Unido vai levar algum tempo para entender que "biscuit" é biscoito, que "flat" é apartamento, que "chemist" é farmácia e que "chips" é o que os americanos chamam de "french fries". Não é algo que vai impedir a comunicação, mas vai acontecer — e é bom estar preparado para uma fase de adaptação.

O inverso também vale: quem estudou com base britânica e vai para os EUA vai perceber que "lift" vira "elevator", que "rubbish" é "trash" e que pedir um "biscuit" num café do sul americano pode te render algo completamente inesperado (por lá, biscuit é um tipo de pão).

Números e datas. Uma diferença prática que passa despercebida: americanos escrevem datas no formato mês/dia/ano, enquanto britânicos usam dia/mês/ano. Ler "04/05/2025" pode gerar dúvida se você não souber de onde vem o documento. Em contratos, formulários de visto e documentação acadêmica, esse detalhe pode importar.

Comunicação com colegas e vizinhos. O tom informal do dia a dia varia bastante. O estilo conversacional americano tende a ser mais aberto e imediato. O britânico tem camadas de ironia, understatement e humor seco que podem parecer difíceis de ler no começo — especialmente porque às vezes o britânico está sendo crítico de um jeito que soa como um elogio para quem não conhece o código.

Não se preocupe em dominar todas essas nuances antes de embarcar. A adaptação acontece por imersão. Mas é útil saber que elas existem — porque isso ajuda a não interpretar errado uma situação e a aprender mais rápido quando você estiver lá.

Como decidir qual inglês estudar

Se você ainda não tem um destino ou programa definido, a escolha mais comum é começar pelo americano. A maioria do conteúdo disponível na internet — YouTube, Netflix, podcasts — é produzida nos EUA, o que cria uma exposição natural à variante americana para quem está estudando por conta própria.

Se você já tem um destino em mente, a escolha é mais fácil:

  • EUA, Canadá (para processos americanos) ou mercado de tecnologia global: inglês americano

  • Reino Unido, Irlanda, Austrália, Nova Zelândia, Europa: inglês britânico

  • Programas com IELTS como requisito (Erasmus, Chevening, bolsas europeias): inglês britânico

  • Programas com TOEFL como requisito (universidades americanas, bolsas nos EUA): inglês americano

Uma coisa que vale deixar claro: escolher uma variante não significa ignorar a outra. O objetivo não é se tornar incompreensível fora do seu país de destino. É construir uma base sólida em uma variante para que sua comunicação seja consistente — e a exposição à outra variante vai acontecer naturalmente ao longo do processo.

A variante não é o obstáculo principal

Muita gente usa a dúvida entre americano e britânico como desculpa para adiar o estudo. Não caia nessa.

A diferença entre as variantes é real e tem consequências práticas — mas é uma consequência de segundo nível. O primeiro nível é construir uma base sólida no idioma. Quem tem um inglês forte e consistente se adapta à variante do destino com muito mais facilidade do que alguém que ficou parado esperando saber qual sotaque é "o certo".

Se você quer ir para o exterior — seja para estudar, trabalhar ou morar — o que vai te levar lá não é saber a diferença entre "colour" e "color". É ter uma estratégia clara de preparação, entender quais programas combinam com o seu perfil e construir uma candidatura que se destaque.

Chegou a sua vez de ir para o exterior

Se você leu até aqui, é porque o intercâmbio já saiu do campo das ideias e está começando a virar projeto. E projetos precisam de método.

Mas para chegar lá, é preciso mais do que vontade. É preciso estratégia, preparação e as ferramentas certas.

A Escola M60 é a maior escola preparatória do Brasil para intercâmbios e está com vagas abertas para a nova turma. Nela, você tem acesso a ferramentas exclusivas, conteúdos sempre atualizados e o suporte de diversos mentores para te ajudar a criar a estratégia de aplicação perfeita para o seu perfil e objetivos!

Além de aulas gravadas, você também terá aulas ao vivo, buscador de bolsas abertas, acesso à nossa IA focada em intercâmbios, simuladores de provas internacionais, revisão de documentos, e ainda fará parte da Comunidade M60, um espaço reservado para trocas e interações entre alunos e ex-alunos que já foram para fora.

Quer se juntar a nós? Clique no botão abaixo e faça agora seu Teste de Perfil*.

Fazer Teste de Perfil

*Ele funciona como um filtro para selecionar aqueles que estão realmente dispostos a realizarem o sonho de ir para o exterior.


Foto de capa por freestocks na Unsplash