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Você já pesquisou sobre intercâmbio nas férias e travou logo na primeira dúvida: "preciso de visto para isso?" A resposta, na maioria dos casos, é não. O passaporte brasileiro dá acesso sem visto consular a dezenas de países — e isso muda completamente a lógica de planejamento para quem quer sair do Brasil nas próximas férias.

A burocracia que muita gente imagina não existe para estadia de curta duração na maior parte da Europa, em países da América Latina e em outros destinos estratégicos. Isso significa que, com passaporte em mãos, você pode se inscrever em um curso de idiomas, fazer voluntariado, participar de um programa de verão ou simplesmente fazer uma imersão cultural — sem precisar passar meses esperando a aprovação de um consulado.

Neste artigo você vai ver quais são esses destinos, o que é possível fazer dentro do prazo sem visto e o que muda com as novas regras de entrada na Europa a partir de 2026.

O que você vai aprender:

Por que brasileiros não precisam de visto para muitos destinos

O passaporte brasileiro é, na prática, um dos documentos de viagem mais fortes da América Latina. Segundo o Henley Passport Index, ele dá acesso a mais de 170 países sem visto prévio — o que coloca o Brasil em posição privilegiada para quem quer fazer intercâmbio de curta duração sem enfrentar o processo consular.

Isso funciona porque muitos países têm acordos bilaterais com o Brasil ou pertencem a blocos econômicos (como o Espaço Schengen na Europa ou o Mercosul na América do Sul) que permitem a entrada de turistas e estudantes de curta duração sem necessidade de visto. Você chega no aeroporto, passa pela imigração e está autorizado a ficar por um período determinado — período que, em muitos casos, é mais do que suficiente para um intercâmbio de férias.

O ponto crítico é respeitar esse prazo. Ultrapassá-lo transforma uma experiência incrível em problema jurídico real.

Europa: a janela dos 90 dias no Espaço Schengen

O Espaço Schengen reúne 27 países europeus que compartilham fronteiras abertas entre si. Para brasileiros, a regra é clara: é possível ficar até 90 dias dentro de um período de 180 dias sem precisar de visto de turista ou estudante.

Na prática, isso cobre com folga a maioria dos intercâmbios de férias — que normalmente têm duração de 2 a 6 semanas.

Países do Espaço Schengen acessíveis com passaporte brasileiro

Todos os países abaixo fazem parte do bloco e seguem a mesma regra dos 90 dias:

Portugal — o destino mais procurado por brasileiros. O idioma elimina uma das maiores barreiras de adaptação, e há cursos de idiomas (incluindo inglês e francês), programas de verão universitários e oportunidades de voluntariado cultural nas principais cidades.

Espanha — forte para cursos de espanhol, especialmente em cidades como Barcelona, Madri e Sevilha. Há também programas de imersão universitária de curta duração disponíveis no verão europeu.

França — destino clássico para quem quer um curso de francês intensivo, participar de programas de verão em universidades ou fazer voluntariado ligado a áreas como meio ambiente e educação.

Alemanha — crescente em procura, especialmente para quem tem interesse em tecnologia, ciências e pesquisa. Universidades alemãs oferecem cursos de verão em inglês acessíveis a estudantes internacionais.

Itália — forte para cursos de língua italiana, artes, gastronomia e arquitetura. Programas de imersão cultural em Florença, Roma e Milão são bastante procurados por brasileiros.

Malta — menor em tamanho, mas com custo de vida mais baixo que o restante da Europa e uma das maiores concentrações de escolas de inglês do continente. É uma opção estratégica para quem quer aprender ou melhorar o inglês sem pagar os preços de Irlanda ou Reino Unido.

Holanda, Áustria, Bélgica, Suécia, Noruega, Dinamarca e outros — todos acessíveis dentro da mesma janela Schengen. Muitos têm programas de voluntariado, summer schools e imersões universitárias abertas a brasileiros.

O que muda em 2026: EES e ETIAS

Dois sistemas novos alteram a forma de entrar na Europa em 2026 — mas não mudam o direito de entrada.

EES (Entry/Exit System): desde outubro de 2025, o carimbo no passaporte foi substituído por um registro digital biométrico na chegada. Você vai passar por um totem no aeroporto para escanear o passaporte e registrar impressão digital e foto. É um processo rápido — mas exige chegar com um pouco mais de antecedência ao aeroporto na primeira visita.

ETIAS: é uma autorização eletrônica obrigatória para quem entra no Espaço Schengen sem visto. Não é um visto — é um cadastro online rápido, com taxa de aproximadamente €20. A previsão é que entre em vigor no último trimestre de 2026. Até lá, brasileiros entram normalmente, apenas com o passaporte. Quando o ETIAS for lançado, o processo será feito online antes do embarque.

Em resumo: para quem viaja ainda em julho ou agosto de 2026, o ETIAS provavelmente ainda não estará em vigor. Mas vale acompanhar as informações oficiais antes de embarcar.

Irlanda e Reino Unido: fora do Schengen, mas acessíveis

Irlanda e Reino Unido não fazem parte do Espaço Schengen — portanto, têm regras próprias. Mas brasileiros também entram nesses países sem visto consular para estadias de curta duração.

Irlanda: permite a entrada de brasileiros sem visto para cursos de idiomas de até 90 dias. É um dos destinos mais tradicionais para aprender inglês, com cidades como Dublin, Cork e Galway concentrando grande número de escolas. A Irlanda não adota o EES nem o ETIAS — a entrada continua com carimbo físico no passaporte.

Reino Unido: o Brasil possui isenção de visto para o Reino Unido para estadias de turismo de até 6 meses. Para cursos de até 6 meses que não sejam em instituições de ensino público, brasileiros podem entrar como turistas. Atenção: a partir de janeiro de 2024, o Reino Unido passou a exigir o ETA (Electronic Travel Authorisation) para brasileiros — uma autorização eletrônica obtida online antes do embarque, com custo de £10. Não é um visto, mas é obrigatório.

América Latina: opções próximas e sem burocracia

Para quem quer sair do Brasil com menor custo de passagem e sem complicações documentais, a América Latina oferece opções reais de intercâmbio.

Argentina: acordos do Mercosul permitem que brasileiros entrem apenas com o RG. Para o intercâmbio, isso significa que nem o passaporte é obrigatório. Há cursos de espanhol, programas de imersão universitária e oportunidades de voluntariado em Buenos Aires e em outras cidades.

Colômbia: brasileiros entram com passaporte, sem visto, para até 90 dias. Bogotá e Medellín têm crescido em oferta de programas de espanhol e imersão acadêmica. A cidade também é muito procurada para voluntariado em projetos sociais.

Peru e Chile: mesma lógica — entrada sem visto com passaporte brasileiro para turismo e cursos de curta duração. O Chile é especialmente interessante por ter universidades ativas em acordos com instituições brasileiras.

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O que dá para fazer dentro do prazo sem visto

Ter clareza sobre o prazo é o primeiro passo. O segundo é saber o que cabe dentro dele. Estes são os formatos de intercâmbio mais compatíveis com a janela de 90 dias ou menos:

Cursos de idiomas

São o formato mais tradicional e mais acessível. Escolas de inglês na Irlanda e em Malta, de espanhol na Espanha e na Colômbia, de francês na França — todas aceitam inscrições abertas, com entrada toda segunda-feira, e duração flexível de 2 a 12 semanas. A maioria não exige nível avançado no idioma para fazer a inscrição.

O custo varia muito por destino. Malta e Colômbia são significativamente mais baratos que Irlanda, França ou Alemanha. Para quem busca aprender inglês com o menor custo possível na Europa, Malta é a opção mais estratégica.

Voluntariado com hospedagem incluída

Plataformas como Worldpackers e Workaway conectam brasileiros a anfitriões em dezenas de países, principalmente na Europa e na América Latina. O modelo funciona assim: você trabalha algumas horas por dia em troca de hospedagem e, em muitos casos, alimentação. O custo da experiência cai drasticamente — você paga basicamente a passagem e uma taxa anual de adesão à plataforma.

Esse formato funciona muito bem dentro da janela sem visto. O anfitrião não é um empregador formal, e o voluntário entra como turista. É um dos caminhos mais acessíveis para um intercâmbio real nas férias.

Summer schools e programas de imersão universitária

Muitas universidades europeias — especialmente na Alemanha, Holanda, Espanha e Portugal — oferecem programas de verão abertos a estudantes internacionais, com duração de 2 a 4 semanas. Alguns são pagos, outros têm bolsas parciais ou integrais. O foco varia: tecnologia, liderança, sustentabilidade, negócios, artes.

Esses programas geralmente exigem inglês intermediário e uma carta de motivação. A inscrição costuma ser feita alguns meses antes — então quem planeja para julho ou agosto de 2027 deve começar a pesquisa agora.

Imersão cultural e programas comunitários

Além do voluntariado via plataformas, há ONGs e organizações como a AIESEC que oferecem programas de imersão cultural com duração de 6 a 8 semanas em países como Colômbia, Portugal, Grécia e outros. Parte das vagas é gratuita ou tem custo simbólico. O processo seletivo é mais simples do que o das bolsas acadêmicas tradicionais.

O que você precisa ter em ordem antes de embarcar

Destinos sem visto não significam destinos sem documentação. Estes são os pontos que não podem ser esquecidos:

Passaporte válido: a regra geral é que o passaporte precisa ter validade de pelo menos 6 meses além da data de retorno. Se o seu passaporte vence em menos de um ano, verifique antes de comprar a passagem.

Seguro-viagem: para países do Espaço Schengen, o seguro viagem é obrigatório — com cobertura mínima de €30.000 para despesas médicas [verificar valor atualizado com o consulado do país de destino antes da publicação]. Para outros destinos, é altamente recomendado mesmo quando não obrigatório.

Comprovante de meios de subsistência: em muitos países, o agente de imigração pode pedir comprovante de que você tem dinheiro suficiente para se manter durante a estadia. Extrato bancário recente é o documento mais comum.

Comprovante de hospedagem: endereço onde vai ficar, confirmação da escola ou programa — esses documentos ajudam na entrada. Não são obrigatórios em todos os destinos, mas facilitam.

Autorização de viagem para menores: quem tem menos de 18 anos e viaja sem um dos responsáveis precisa de autorização notarial assinada pelos pais. Em alguns destinos, essa autorização precisa ser apostilada.

ETA (Reino Unido): se o destino for o Reino Unido, a autorização eletrônica precisa ser solicitada online antes do embarque. O custo é de £10 e o processo é rápido.

A regra que ninguém pode ignorar: o limite de permanência

Entrar sem visto não significa ficar sem limite. Ultrapassar o prazo autorizado — seja os 90 dias no Espaço Schengen, os 90 dias na Colômbia ou qualquer outro — configura irregularidade migratória. As consequências variam de multa a deportação e até proibição de retorno ao país.

Dentro do Espaço Schengen, vale lembrar que o contador é único. Não importa quantos países você visite: o período de 90 dias se aplica ao bloco inteiro, não a cada país individualmente. Se você ficou 30 dias em Portugal e depois foi para a Espanha por mais 60 dias, chegou ao limite.

Para quem quer ficar mais tempo do que permite a isenção de visto, o caminho é solicitar um visto de estudante adequado antes de embarcar. Isso muda completamente a lógica de planejamento — e envolve um processo consular com prazo de antecedência.

Intercâmbio nas férias é o começo, não o teto

Fazer um intercâmbio de férias sem visto é uma das portas de entrada mais acessíveis para o universo internacional. A burocracia é mínima, o prazo é suficiente para uma experiência real, e o impacto — no inglês, no currículo, na visão de mundo — é desproporcional ao tempo que você fica fora.

Mas quem experimenta um mês de imersão geralmente volta querendo mais. E o próximo passo — uma bolsa de estudos, um programa de mestrado, uma vaga de estágio no exterior — exige estratégia, preparação e tempo.

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Foto de capa por Etienne Jong na Unsplash