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Você não precisa escolher só um país para viver a experiência de morar fora. Um dos motivos que fazem da Europa o destino mais procurado por brasileiros é justamente a facilidade de circular entre nações diferentes durante o mesmo intercâmbio, algo praticamente impossível em outros continentes.
O problema é que a maioria das pessoas descobre isso tarde demais, já no meio do processo, e acaba perdendo tempo tentando encaixar um "bônus" de última hora na viagem. Existe uma forma mais inteligente de planejar isso desde o início, escolhendo o formato de intercâmbio certo para quem quer conhecer, estudar ou trabalhar em mais de um país.
Neste artigo você vai entender quais são os caminhos reais para fazer isso, o que muda na parte de visto e documentação, e como organizar a logística sem se perder no meio do caminho.
O que você vai aprender:
- Por que a Europa facilita tanto viver em mais de um país durante o intercâmbio
- Os 4 caminhos possíveis para fazer isso: turismo dentro do visto, mestrado com mobilidade, voluntariado em rota e trabalho remoto
- O que muda no visto e no ETIAS quando você circula entre países
- Como montar o orçamento e a logística de um intercâmbio multipaís
- Erros comuns de quem tenta fazer isso sem planejamento
- Perguntas frequentes sobre o tema
Por que a Europa facilita tanto conhecer mais de um país no mesmo intercâmbio
A resposta está no Espaço Schengen, o acordo que elimina o controle de fronteiras entre 29 países europeus. Na prática, isso significa que, uma vez dentro do bloco com o visto ou a autorização certa, você pode se deslocar entre a maioria desses países sem passar por imigração de novo, como se fossem estados de um mesmo país.
Isso é bem diferente do que acontece, por exemplo, nos Estados Unidos ou na Ásia, onde cada país exige processo de entrada separado, muitas vezes com visto próprio. Na Europa, morar em Portugal e passar um fim de semana na Espanha é tão simples quanto pegar um ônibus.
Intercâmbio na Europa: guia completo 2026
Essa facilidade abre quatro caminhos bem diferentes para quem quer estruturar um intercâmbio em mais de um país. A escolha certa depende do seu objetivo: conhecer lugares novos, estudar, ganhar experiência de trabalho ou uma combinação disso.
Os 4 caminhos para fazer intercâmbio em mais de um país europeu
1. Circular dentro do Espaço Schengen durante um intercâmbio fixo
Esse é o caminho mais simples e o que a maioria das pessoas já usa sem perceber. Você se matricula em um programa em um único país (um curso de idiomas em Dublin, por exemplo) e usa os fins de semana ou períodos de férias para visitar outros destinos do Espaço Schengen, sem precisar de novo visto para isso.
Funciona bem para quem está fazendo:
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Curso de idiomas de curta ou média duração
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Intercâmbio de férias (verão ou inverno)
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Mochilão combinado com um período de estudo fixo
O ponto de atenção aqui é o tipo de visto ou autorização que você tem. Um visto de estudante de um país específico geralmente permite viajar livremente pelo Espaço Schengen como turista, mas não permite estudar ou trabalhar oficialmente em outro país do bloco sem autorização própria.
2. Mestrado com mobilidade entre universidades
Para quem já está pensando em pós-graduação, existem programas de mestrado desenhados para que o aluno estude oficialmente em duas ou três universidades de países diferentes ao longo do curso, com um único diploma reconhecido ao final. O exemplo mais conhecido é o Erasmus Mundus Joint Master, mantido pela União Europeia.
Nesse formato, é comum começar as aulas em um país, passar um semestre em outro e concluir a tese em um terceiro, tudo dentro do mesmo programa e da mesma bolsa. Esse tipo de mobilidade é bem diferente da opção 1: aqui você realmente estuda e mora, com vínculo institucional, em cada um dos países pelos quais passa.
Esse caminho pede planejamento acadêmico mais robusto (temos um conteúdo dedicado ao Erasmus Mundus aqui no blog, caso você queira se aprofundar nos requisitos específicos).
>> Erasmus Mundus: passo a passo para se inscrever em 2026
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3. Voluntariado e work exchange em rota por vários países
Programas de voluntariado internacional, como os que trocam algumas horas de trabalho por hospedagem e alimentação, costumam ter vagas espalhadas por dezenas de países europeus. Isso permite montar uma rota: algumas semanas em uma fazenda na Itália, depois um projeto social na Espanha, depois um hostel em Portugal.
Esse formato exige mais organização própria, já que cada vaga é independente das outras, mas é uma das formas mais econômicas de emendar experiências em países diferentes, porque hospedagem e alimentação costumam estar incluídas em cada etapa.
4. Trabalho remoto e nomadismo digital entre destinos
Para quem já trabalha remotamente ou tem uma renda que não depende de estar fisicamente em um lugar, vários países europeus criaram vistos específicos para nômades digitais, com prazos que variam de alguns meses a mais de um ano.
É possível emendar períodos em países diferentes, aproveitando cada visto dentro da sua validade, sempre respeitando as regras de entrada e saída de cada um.
Esse caminho combina intercâmbio cultural com rotina de trabalho e costuma ser mais indicado para quem já passou dos primeiros anos de carreira ou trabalha como freelancer.
O que muda no visto quando você circula entre países
A regra que todo brasileiro precisa guardar é a dos 90 dias a cada 180 dias: sem visto específico, você pode ficar até 90 dias dentro do Espaço Schengen, somando todos os países visitados, dentro de qualquer janela de 180 dias. Passou desse limite, mesmo trocando de país, você está em situação irregular.
Se o seu intercâmbio envolve estudo ou trabalho formal em um país, o visto de estudante ou trabalho desse país específico é o que garante sua permanência ali, mas ele não estende automaticamente esse direito para os outros países do bloco. Você pode visitá-los como turista, dentro da regra dos 90/180 dias, mas não estudar ou trabalhar oficialmente neles sem autorização própria.
Outra mudança que já está confirmada, mas ainda sem data exata de início, é o ETIAS, uma autorização eletrônica de viagem obrigatória para brasileiros que entrarem no Espaço Schengen sem visto.
A previsão oficial é que comece a valer no último trimestre de 2026, com taxa de 20 euros e validade de até três anos. Não é um visto, mas um cadastro prévio obrigatório, então quem for viajar entre vários países europeus no período de transição deve ficar de olho na data oficial de início antes de comprar passagens.
Como planejar orçamento e logística de um intercâmbio multipaís
Antes de fechar qualquer programa, vale mapear três pontos:
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Custo de vida por país: um mesmo orçamento rende muito mais em Portugal ou na Polônia do que na Suíça ou nos países nórdicos. Se o plano é circular por vários lugares, misturar destinos caros e baratos ajuda a equilibrar o gasto total.
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Seguro saúde válido em todo o trajeto: verifique se a apólice cobre todos os países do seu roteiro, e não só o país onde você está matriculado ou hospedado oficialmente.
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Documentação sempre à mão: passaporte, comprovante de matrícula ou do programa, seguro e comprovante de reserva. Em rotas com várias paradas, isso evita imprevistos em fronteiras ou check-ins.
Também vale simular o trajeto com folga de tempo entre uma etapa e outra. Trocar de cidade ou país no mesmo dia em que termina um programa costuma gerar estresse desnecessário e aumenta o risco de perder conexões.
Erros comuns de quem tenta fazer isso sem planejamento
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Ignorar a regra dos 90/180 dias e descobrir, já dentro da Europa, que ultrapassou o limite permitido como turista.
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Assumir que o visto de um país vale para trabalhar em outro, o que não é verdade mesmo dentro do Espaço Schengen.
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Não verificar a cobertura do seguro saúde em todos os destinos do roteiro, só no país de matrícula.
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Montar uma rota apertada demais, sem folga entre as etapas, o que compromete tanto o aproveitamento quanto o orçamento.
Perguntas frequentes sobre intercâmbio em mais de um país na Europa
É possível estudar em um país da Europa e morar em outro durante o intercâmbio? Depende do tipo de visto. Um visto de estudante costuma vincular sua permanência oficial ao país que o emitiu. Para morar oficialmente em outro país, você precisaria de autorização própria dele, com exceção de programas de mestrado com mobilidade, como o Erasmus Mundus, que já são desenhados para isso.
Quantos países dá para visitar com um único visto de estudante europeu? Como turista, você pode visitar os demais países do Espaço Schengen livremente, respeitando o limite de 90 dias a cada 180 dias somando todas as viagens. O visto de estudante não expande esse direito para estudar ou trabalhar formalmente nos outros países.
O que é o Erasmus Mundus e como ele permite estudar em mais de um país? É um programa de mestrado da União Europeia oferecido por um consórcio de universidades de países diferentes, no qual o aluno cursa etapas do mestrado em duas ou três instituições ao longo do curso, recebendo um diploma conjunto ao final.
O ETIAS já está em vigor para brasileiros? Ainda não. A previsão oficial mais recente é de início no último trimestre de 2026, com taxa de 20 euros e validade de até três anos. Até a confirmação oficial da data, valem as regras atuais de entrada sem visto para turismo.
Fazer intercâmbio em vários países custa muito mais caro do que em um só? Não necessariamente. O custo total depende mais da combinação de destinos escolhida do que da quantidade de países. Misturar países mais caros com opções mais econômicas costuma equilibrar o orçamento final.
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Se você leu até aqui, é porque a ideia de viver essa experiência em mais de um país deixou de ser só uma curiosidade e virou um plano real. Mas transformar esse plano em realidade pede mais do que vontade de viajar.
É preciso estratégia, escolher o formato certo de intercâmbio para o seu momento de vida e entender toda a parte de documentação antes de comprar qualquer passagem.
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Foto de capa por Jacques Bopp na Unsplash