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Toda semana, alguém pergunta a mesma coisa nos comentários e grupos de intercâmbio: "e o meu pet, eu posso levar?" A dúvida é séria. Para quem vai passar um ano ou mais fora, deixar o cachorro ou o gato para trás pode pesar tanto quanto a distância da família.
A boa notícia é que sim, é possível levar o pet para a maioria dos destinos de intercâmbio. A má notícia é que o processo tem prazos rígidos, documentos específicos e, em alguns países, quarentena. Cada detalhe perdido pode significar meses de atraso ou até a recusa do animal na chegada.
Neste guia, você vai entender como funciona o processo de levar um pet para o exterior, quais documentos o Brasil exige para a saída, o que muda entre os principais destinos de intercâmbio e como se planejar para que essa parte da mudança não vire um problema.
O que você vai aprender:
- Quais documentos o Brasil exige para o pet sair do país
- Como funciona o CVI e o Passaporte para Trânsito de Cães e Gatos
- O que muda entre países com quarentena e países sem quarentena
- Como funciona a entrada de pets na Europa, EUA, Reino Unido, Austrália e Japão
- Quanto tempo de antecedência você precisa se planejar
- Como funciona a moradia com pet durante o intercâmbio
- Custos que entram nessa conta
Por que planejar o pet exige tanta antecedência
Diferente de arrumar a mala ou comprar a passagem, o processo do pet não pode ser resolvido de última hora. Isso porque a maioria dos países exige um intervalo mínimo entre a vacinação antirrábica do animal e a data de embarque, e alguns pedem exames de sangue que levam semanas para ficar prontos.
Em destinos mais rígidos, como o Japão, esse intervalo chega a 180 dias entre a coleta de sangue para o teste de anticorpos e a entrada do pet no país, além de notificação com 40 dias de antecedência ao órgão sanitário japonês. Já para a Austrália, cães e gatos não podem ter passado pelo Brasil nos 180 dias anteriores à viagem, o que na prática exige uma quarentena em um terceiro país antes de seguir para o destino final.
Por isso, o primeiro passo de quem quer intercâmbio com pet é simples: assim que a viagem for confirmada, já é hora de procurar um veterinário e mapear as exigências do país escolhido.
Documentos exigidos pelo Brasil para o pet sair do país
Para o pet deixar o Brasil, existe apenas um documento obrigatório: o Certificado Veterinário Internacional (CVI). Ele é emitido pelo Vigiagro, serviço de Vigilância Agropecuária Internacional vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), e comprova que o animal atende às exigências sanitárias do país de destino.
Além do CVI, existe o Passaporte para Trânsito de Cães e Gatos, que não é obrigatório, mas facilita bastante o processo. Diferente do CVI, que precisa ser emitido a cada viagem, o passaporte é válido pela vida toda do animal e leva cerca de um mês para ficar pronto.
Como emitir o CVI
O processo passa pelas seguintes etapas:
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Levar o pet a um médico-veterinário para emissão do atestado de saúde animal
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Reunir a carteira de vacinação atualizada, dentro dos padrões exigidos pelo país de destino
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Preencher o requerimento para fiscalização de animais de companhia
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Comparecer a uma unidade do Vigiagro (em aeroportos, portos ou postos de fronteira) ou a uma superintendência federal de agricultura do estado
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Retirar o CVI, que pode ser emitido até o dia do embarque
Vale reforçar: cerca de 40% dos pedidos de CVI são rejeitados por erro de preenchimento ou documentação incompleta. Um erro bobo aqui pode custar o embarque do pet.
O que muda de país para país
Cada destino tem suas próprias regras sanitárias, e é aí que mora a maior parte da confusão. De forma geral, os países se dividem em três grupos.
Países sem quarentena, com entrada facilitada
União Europeia, Reino Unido e Estados Unidos costumam liberar a entrada de pets sem quarentena, desde que a documentação e a vacinação estejam em dia.
Na União Europeia, o pet precisa de microchip padrão ISO, vacina antirrábica válida e, dependendo do destino (Finlândia, Irlanda, Malta, Noruega), tratamento contra tênia antes da chegada. Depois da vacina antirrábica, é preciso esperar 21 dias até a viagem. Quem vem de fora da UE, como o Brasil, precisa do certificado sanitário emitido por veterinário oficial, válido por até 10 dias antes da chegada.
Nos Estados Unidos, cães vindos de países considerados de alto risco para raiva — categoria que inclui o Brasil — precisam do Import Permit, autorização emitida pelo CDC antes da viagem. Gatos não precisam da mesma autorização, mas devem apresentar vacina antirrábica válida e o CVI.
No Reino Unido, além da vacina antirrábica e do microchip, costuma ser exigido tratamento contra a tênia Echinococcus, aplicado dentro de uma janela específica de horas antes do embarque.
Países com quarentena obrigatória ou condicional
Alguns dos destinos mais procurados por quem quer estudar fora têm regras bem mais rígidas.
No Japão, o processo depende do país de origem. Quem vem de regiões consideradas de baixo risco (como Austrália, Nova Zelândia ou Havaí) tem entrada facilitada. Já quem sai do Brasil precisa cumprir o protocolo completo: microchip, duas vacinas antirrábicas com intervalo mínimo de 30 dias entre elas, teste de titulação de anticorpos com resultado mínimo aprovado e 180 dias de espera contados a partir da coleta de sangue. Sem esse protocolo cumprido à risca, o pet pode ficar em quarentena por até 180 dias na chegada.
Na Austrália, o Brasil está entre os países não aprovados para exportação direta, então o caminho mais comum é levar o pet primeiro para um país aprovado (como Argentina, Estados Unidos ou algum país europeu), cumprir lá um período de adaptação e quarentena, e só depois seguir para o destino final. É um processo que pode levar meses e custa consideravelmente mais caro.
O que verificar antes de qualquer viagem
Independentemente do destino, valem estas checagens:
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Se o país exige quarentena e por quanto tempo
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Se há restrição de raça (alguns países proíbem raças consideradas de risco)
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Se há exigência de exames de sangue com laboratórios credenciados específicos
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Qual a política da companhia aérea para transporte de animais (cabine, porão ou cargo)
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Moradia: nem toda acomodação aceita pet
Documentar o pet é só metade do desafio. A outra metade é achar onde morar com ele. Moradias estudantis (as chamadas PBSA, comuns no Reino Unido e em parte da Europa) costumam ter política de proibição total de animais, por causa de regras do prédio, seguro e convivência com outros moradores.
Isso significa que quem vai fazer intercâmbio com pet provavelmente vai precisar buscar aluguel privado, não moradia estudantil. Antes de assinar qualquer contrato, vale confirmar por escrito com o proprietário se pets são aceitos, se há depósito ou taxa adicional, e se existe alguma restrição de porte ou raça.
Quanto custa levar o pet para fora
O valor final depende do destino, do peso do animal e da forma de transporte, mas alguns custos aparecem na maioria dos casos:
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Consultas veterinárias, exames de sangue e vacinas
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Emissão do CVI e, se optar por tirar, do passaporte
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Microchip (quando o pet ainda não tem)
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Caixa de transporte dentro do padrão exigido pela companhia aérea
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Taxa de transporte do animal, que varia conforme a companhia aérea e se o pet vai na cabine, no porão ou como cargo
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Em destinos com quarentena, o custo do período de isolamento no país intermediário ou no destino final
Perguntas frequentes sobre pets em viagens internacionais
É possível levar qualquer pet para o exterior? Cães, gatos e furões costumam ter entrada facilitada na maioria dos países. Aves, répteis e outros animais podem enfrentar mais restrições, e animais exóticos, como primatas, geralmente têm entrada proibida.
Quanto tempo antes da viagem devo começar o processo do pet? O ideal é começar assim que a viagem for confirmada. Para destinos mais rígidos, como o Japão, o protocolo sanitário completo leva 180 dias, então quanto antes começar, menor o risco de atraso.
O CVI serve para qualquer país? O CVI é o documento de saída emitido pelo Brasil, mas o que ele atesta varia conforme as exigências do país de destino. Por isso é essencial informar ao veterinário credenciado qual é o destino final antes da emissão.
Meu pet vai precisar ficar em quarentena? Depende do país. Destinos como Austrália e Japão podem exigir quarentena caso o protocolo sanitário não seja cumprido com antecedência. Em muitos casos, cumprir todas as exigências corretamente evita esse período.
Moradia estudantil aceita pet? Na maioria dos casos, não. Moradias estudantis (PBSA) costumam proibir animais. É mais comum encontrar aceitação em aluguéis privados, sempre com confirmação por escrito antes de fechar contrato.
Chegou a sua vez de ir para o exterior
Levar o pet para o intercâmbio é possível, mas exige o mesmo cuidado que qualquer outra parte essencial da preparação: antecedência, documentação certa e atenção aos detalhes do país escolhido. Quem organiza esse processo com calma evita atrasos, custos extras e, principalmente, a dor de deixar um membro da família para trás sem necessidade.
Mas vale lembrar: a parte do pet é só um pedaço da preparação. Escolher o programa certo, entender os custos totais e organizar a documentação pessoal também fazem parte dessa jornada — e é aí que ter direção faz toda a diferença.
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Foto de capa por Krista Mangulsone na Unsplash