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Quando a maioria das pessoas imagina estudar fora, a cena costuma ser a mesma: apartamento em Paris, campus em Londres, metrô em Nova York. Faz sentido — essas cidades têm peso de marca. Mas existe uma parcela cada vez maior de estudantes internacionais que escolhe um caminho diferente, e que raramente aparece nos feeds: as cidades universitárias pequenas.

Lund, na Suécia. Salamanca, na Espanha. Coimbra, em Portugal. Braga, também em Portugal. Essas cidades têm algo em comum: a universidade não está na cidade. A universidade é a cidade. Tudo gira em torno da vida acadêmica — o ritmo das ruas, o movimento dos cafés, a programação cultural, os preços do aluguel. E isso muda completamente como você vive a experiência de estar fora.

Se você está pensando em fazer intercâmbio ou bolsa no exterior e ainda não considerou esse tipo de destino, este artigo é um convite para repensar. Não porque cidades grandes sejam ruins — mas porque cidades pequenas oferecem uma experiência que vale ser conhecida antes de qualquer decisão.

O que você vai aprender:

A rotina de quem mora onde a cidade vive pela universidade

Em cidades universitárias pequenas, a dinâmica de vida é diferente desde o primeiro dia. A distância entre o quarto e a sala de aula costuma ser de bicicleta ou caminhada — em Lund, na Suécia, quase metade dos 95 mil habitantes são estudantes, e a cidade inteira está desenhada para funcionar no ritmo acadêmico. Em Uppsala, a 45 minutos de trem de Estocolmo, a universidade foi fundada em 1477 e moldou séculos de arquitetura, comércio e cultura local.

Esse tipo de lugar tem uma característica rara: você não precisa se deslocar para encontrar sua turma. Ela já está lá, no café da esquina, na biblioteca, no parque. A sensação de pertencimento chega mais rápido porque o ambiente favorece o encontro. Quem chega de fora — seja de outro país ou de outra cidade — entra em um ecossistema onde todos estão, de alguma forma, na mesma situação.

A logística também simplifica. Sem transporte público para pagar, sem uma hora de metrô até o campus. Muitos estudantes reportam que essa economia de tempo e energia tem impacto direto no desempenho acadêmico e no equilíbrio emocional durante o intercâmbio. Comer fora, fazer compras, resolver questões burocráticas — tudo costuma estar a poucos minutos a pé ou de bike.

Quanto custa, na prática, morar em uma cidade universitária pequena

O custo de vida é um dos principais motivos pelos quais estudantes internacionais passam a considerar cidades menores. A diferença em relação às capitais pode ser significativa.

Portugal — Coimbra e Braga

Coimbra é provavelmente o exemplo mais claro de cidade que existe em função da sua universidade. A Universidade de Coimbra é Patrimônio Mundial da UNESCO e atrai estudantes de todo o mundo. O custo de vida é visivelmente mais acessível do que Lisboa ou Porto: um quarto compartilhado pode sair entre 200 e 250 euros por mês, e o total de despesas mensais de um estudante — moradia, alimentação e transporte — fica entre 600 e 850 euros.

Braga, terceira maior cidade de Portugal, é outra cidade com forte identidade universitária e custo de vida cerca de 15% mais baixo do que Porto. Aluguel de um T1 no centro pode variar entre 300 e 500 euros mensais, e a cidade tem uma das maiores proporções de estudantes universitários em relação à população do país.

Para brasileiros, Portugal tem o apelo adicional do idioma e da facilidade de adaptação — o que reduz o atrito inicial e acelera a integração.

Espanha — Salamanca

Salamanca é uma cidade histórica no interior da Espanha com uma das universidades mais antigas do mundo. É reconhecida internacionalmente como destino de excelência para quem quer aprofundar o espanhol — e o ambiente urbano faz esse trabalho acontecer naturalmente. A cidade inteira fala, respira e vive o idioma de forma intensa.

O custo de vida em Salamanca é significativamente mais baixo do que Madri ou Barcelona, e a cidade tem acesso direto à capital espanhola — a menos de duas horas de ônibus. Quem mora lá não fica isolado; fica, na verdade, bem posicionado para explorar a Espanha toda nos fins de semana.

Suécia — Lund e Uppsala

Lund e Uppsala são dois dos destinos mais recomendados para estudantes internacionais na Europa do Norte. Em ambas, o custo de vida total para um estudante fica entre 8.500 e 11.000 coroas suecas por mês (entre 750 e 1.050 euros aproximadamente) — bem abaixo dos 13.000 a 15.000 coroas necessários em Estocolmo.

Lund tem 95 mil habitantes, e a Lund University — fundada em 1666 — está entre as melhores da Europa, ranqueada na posição 72 do QS World University Rankings 2026. Uppsala, por sua vez, abriga a universidade mais antiga da Escandinávia (fundada em 1477) e está na posição 93 do mesmo ranking. As duas cidades são compactas, seguras e com infraestrutura de transporte que permite chegar à capital em menos de uma hora.

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A vida social em cidades onde todo mundo é estudante

Um dos maiores receios de quem considera destinos menores é a vida social. Vai ter o que fazer? Vai ser monótono? Vai me sentir isolado?

A resposta, para a maioria das pessoas que vivem essa experiência, é não — e pelos motivos que você talvez não espere.

Em cidades universitárias pequenas, a agenda cultural costuma ser movimentada justamente por causa do perfil dos moradores. Festivais, eventos acadêmicos, shows, grupos de esporte, associações estudantis, festas temáticas — há um calendário constante porque há uma demanda constante. Em Uppsala, o sistema de "nations" (associações estudantis centenárias) organiza festas, jantares e eventos para estudantes ao longo de todo o ano, criando uma vida social estruturada que facilita muito quem chega do exterior.

Além disso, a concentração de estudantes internacionais tende a criar laços mais rápidos do que em metrópoles. Em uma cidade grande, você pode passar meses sem sair do seu círculo imediato. Em uma cidade pequena, você esbarra nas mesmas pessoas na padaria, no supermercado, na biblioteca. Essas coincidências constroem amizades de uma forma que o networking em metrópoles raramente consegue replicar.

Para quem tem um perfil mais introvertido ou que ainda está desenvolvendo o idioma, esse ambiente menor pode ser especialmente positivo. É mais fácil se apresentar, mais fácil se integrar a grupos e mais fácil se sentir parte de algo.

Moradia: o que esperar em destinos universitários menores

A maioria das universidades europeias em cidades pequenas tem algum tipo de parceria ou indicação de moradia para estudantes internacionais. O modelo mais comum fora dos EUA é o apartamento alugado próximo ao campus — seja individual ou compartilhado com outros estudantes.

Em Portugal e Espanha, é comum encontrar repúblicas estudantis: apartamentos divididos entre quatro a seis pessoas, com aluguel por quarto bem abaixo do valor de um imóvel individual. Na Suécia, muitas universidades têm listas de espera para habitação estudantil, mas em cidades menores como Lund e Uppsala o tempo de espera costuma ser mais curto do que em Estocolmo ou Gotemburgo.

Alguns pontos práticos para quem está planejando:

Busque a moradia cedo. Em cidades universitárias, o mercado de aluguel é sazonal — os imóveis somem rápido no período de matrículas. Entrar em contato com a universidade e com grupos de estudantes locais antes de chegar pode fazer toda a diferença.

Considere o campus. Algumas universidades em cidades menores oferecem dormitórios dentro do campus, especialmente para o primeiro ano. A vantagem é a praticidade total — tudo incluído, sem burocracia. A desvantagem é que o custo tende a ser um pouco mais alto do que dividir um apartamento na cidade.

Pesquise bairros próximos ao centro acadêmico. Em cidades pequenas, a diferença de preço entre bairros pode ser significativa. Morar a 10 minutos a pé do campus, em vez de 30, pode economizar bastante em transporte e qualidade de vida.

O que levar em conta antes de escolher

A experiência de morar em uma cidade universitária pequena no exterior não é para todo mundo — e isso não é necessariamente um problema.

Se você quer networking intenso em uma área específica, acesso a estágios em grandes empresas ou a energia de uma metrópole, cidades grandes fazem mais sentido. Mas se você quer foco, integração real com a cultura local, custo de vida administrável e uma experiência em que o intercâmbio seja o protagonista da sua vida — e não um detalhe no meio do caos urbano — cidades universitárias pequenas entregam isso de forma clara.

Vale também considerar a posição geográfica. Lund fica a 11 minutos de trem de Malmö e a uma hora de Copenhague. Salamanca está a menos de duas horas de Madri. Coimbra fica entre Lisboa e Porto — duas horas de cada. Em muitos casos, você consegue o ritmo de uma cidade pequena com a acessibilidade de um hub europeu.

Por fim, pense no idioma. Salamanca é ideal para quem quer imersão em espanhol. Coimbra e Braga são perfeitas para quem prefere o português europeu. Lund e Uppsala têm cursos em inglês e populações locais que dominam o idioma — mas aprender sueco abre portas adicionais no mercado de trabalho.

Não subestime o poder de morar onde todos querem estudar

Há algo que estudantes que passaram por cidades universitárias pequenas descrevem de forma recorrente: a sensação de que o lugar foi feito para eles.

As ruas, os cafés, as bibliotecas, os eventos — tudo existe em função da universidade e de quem estuda ali. Isso cria um ambiente que, paradoxalmente, pode ser mais rico em experiências humanas do que uma capital de milhões de habitantes, onde você é mais um rosto anônimo no metrô.

Morar em Coimbra e passar pela Biblioteca Joanina. Andar de bicicleta pelos jardins botânicos de Lund. Sentar em uma praça medieval em Salamanca depois de um dia de aula. São cenas que parecem improváveis na vida cotidiana — mas que, para quem está vivendo um intercâmbio nessas cidades, são simplesmente a terça-feira.

Chegou a sua vez de ir para o exterior

Se você leu até aqui, é porque estudar fora não é só um sonho distante — é algo que você está pensando de verdade. E as cidades universitárias pequenas mostram exatamente isso: o intercâmbio não precisa ser caro, caótico ou reservado a quem já tem tudo resolvido. Às vezes, a experiência mais intensa acontece justamente nos lugares que ninguém esperava.

Mas para chegar lá, é preciso mais do que vontade. É preciso estratégia, preparação e as ferramentas certas.

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Foto de capa por Chris Boland na Unsplash