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Tem gente que trabalha 45 horas por semana e tem gente que trabalha pouco mais de 30. Entre a Colômbia e a Holanda, a diferença passa de 15 horas semanais, quase dois dias inteiros de trabalho a mais.

Quando falamos dos países com mais feriados e menos horas de trabalho no mundo, a primeira ideia costuma ser que as duas listas são a mesma. Spoiler: não são. Tem país que enche o calendário de datas comemorativas e mesmo assim tem jornada pesada, e tem país com poucos feriados e semana de trabalho curtíssima.

Neste artigo, a gente separa os dois rankings, mostra onde eles se cruzam e explica o que isso significa para quem sonha em estudar ou trabalhar fora do Brasil com mais qualidade de vida.

O que você vai aprender:

  • Quais são os países com mais feriados nacionais em 2026
  • Onde se trabalha menos horas por semana
  • Por que muito feriado nem sempre significa jornada curta
  • Quais países da América Latina estão reduzindo a semana de trabalho
  • Como usar esses dados para escolher seu destino

Os países com mais feriados no mundo

Segundo o levantamento mais recente do World Population Review, que conta apenas feriados nacionais, o Nepal é o campeão disparado: são 35 por ano. Para comparar, o Brasil aparece com 12 e os Estados Unidos, com 11.

Veja o topo do ranking:

País

Feriados nacionais por ano

Nepal

35

Irã

26

Mianmar

26

Sri Lanka

25

Malásia

24

Fiji

23

Bangladesh

22

Liechtenstein

22

Índia

21

Camboja

21

Dois detalhes importantes. O primeiro é que essas listas misturam feriados cívicos, religiosos e culturais, que variam muito de país para país. O segundo é que alguns totais mudam conforme a região: na Malásia, por exemplo, o número fica entre 18 e 24 dependendo do estado.

Na América Latina, o Chile lidera com 20 feriados, seguido da Argentina (19) e da Colômbia (18). Na Europa, o destaque é a Áustria, com até 18 datas (13 a 18, conforme a região), e Portugal, Suíça, Eslováquia e Lituânia aparecem com 15.

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Os países com menos feriados

Do outro lado da lista, o Vietnã tem só 6 feriados nacionais (o Tet, ano novo lunar, dura cerca de seis dias, mas é contado como um só). Depois aparecem o México, com 8, a Holanda e a Sérvia, com 9, e o Reino Unido, a Dinamarca e a Irlanda, com 10.

Repare que Holanda e Dinamarca têm poucos feriados e, ainda assim, estão entre os lugares com melhor equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Já vai ficar claro por quê.

Onde se trabalha menos horas por semana

Aqui entram os dados da OCDE, que medem a jornada média de quem está empregado. Entre os 21 países da OCDE comparados em uma compilação recente (setembro de 2026), os de semana mais curta são:

  1. Holanda: 30,3 horas por semana

  2. Alemanha: 34,1 horas

  3. Bélgica: 34,7 horas

  4. Áustria: 34,9 horas

  5. Irlanda: 35 horas

A média da OCDE está em 36,9 horas semanais. Medindo por ano, a Alemanha tem um dos menores totais, com cerca de 1.340 horas por trabalhador. Dinamarca, Noruega, Suécia e Áustria ficam na faixa de 1.380 a 1.430 horas anuais, enquanto o México passa das 2.190.

Um ponto que vale deixar claro: esses números são médias. Na Holanda, mais de um terço da força de trabalho atua em meio período, e os trabalhadores têm o direito de pedir redução de jornada. Isso puxa a média para baixo, mas não significa que todo mundo trabalha 30 horas.

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Muito feriado não significa pouca jornada

Se os dois rankings fossem iguais, o Nepal estaria entre os países de semana curta. A relação entre feriados e carga horária é bem mais frouxa do que parece, e os exemplos mostram isso:

  • Chile: 20 feriados, mas média de 41,7 horas semanais.

  • México: apenas 8 feriados e média de 44,3 horas semanais, uma das combinações mais pesadas da lista.

  • Holanda: só 9 feriados, mas a menor semana de trabalho entre os países comparados.

  • Áustria: a exceção que reúne as duas coisas, com até 18 feriados e cerca de 34,9 horas por semana.

O que explica o equilíbrio de países como Áustria e Holanda não é o número de feriados, e sim a combinação de férias remuneradas generosas, leis trabalhistas mais firmes, trabalho em meio período valorizado e salários altos o suficiente para viver bem trabalhando menos.

A América Latina está encurtando a semana de trabalho

A tendência é de queda, e a região que historicamente trabalha mais está mudando as regras:

  • Colômbia: reduziu a jornada legal de 48 para 42 horas de forma gradual, e o último ajuste entrou em vigor em julho de 2026. Ainda assim, a média semanal é de 45,7 horas, a mais alta entre os países da OCDE.

  • México: uma reforma constitucional aprovada em março de 2026 reduz o limite semanal até 40 horas em 2030, com o primeiro corte de duas horas em 2027.

  • Chile: a jornada está caindo de 45 para 40 horas, com a mudança completa prevista para 2028.

Na Europa, o debate é sobre a semana de quatro dias. Portugal estuda o modelo, a Alemanha fez testes nacionais e empresas britânicas já o adotam, mas a regra legal ainda é, na maioria dos casos, de 35 a 40 horas.

O que isso muda para quem quer estudar ou trabalhar fora

Jornada curta e muitos feriados são ótimos, mas não devem ser o único critério para escolher um destino. Um país com semana de 30 horas pode ter custo de vida altíssimo, e um país com semana mais longa pode oferecer bolsas e salários que compensam.

Se a ideia é trabalhar durante os estudos, lembre que o visto de estudante define o limite de horas. Nos Estados Unidos, por exemplo, quem tem visto F-1 pode trabalhar até 20 horas por semana durante o período letivo, e só dentro da universidade. No Canadá, o Study Permit também impõe um limite semanal. Trabalhar fora das regras pode custar o visto e fechar portas no futuro.

Na hora de comparar destinos, olhe o conjunto:

  • Jornada média e direitos trabalhistas

  • Quantidade de dias de férias e feriados

  • Custo de vida e salário médio

  • Regras do visto para estudar e trabalhar

  • Bolsas e programas disponíveis para brasileiros

Chegou a sua vez de ir para o exterior

Os números mostram que ter mais feriados não é o mesmo que trabalhar menos, e que a qualidade de vida depende de um conjunto de fatores: leis trabalhistas, férias, salário e cultura de trabalho. Países como Holanda, Alemanha e Áustria combinam jornada curta com economia forte, enquanto os vizinhos latino-americanos caminham para uma semana mais enxuta.

Esse tipo de informação pode, sim, entrar na sua conta quando você pensa em viver fora. Descobrir para onde ir, com qual visto e com qual programa é o passo que transforma curiosidade em plano.

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Foto de capa por Sameer Srivastava na Unsplash