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Ter um dos passaportes mais fortes da América Latina não adianta muita coisa se você não sabe, na prática, o que ele libera em cada continente.
O Brasil está na 16ª posição do Henley Passport Index 2026, com acesso facilitado a 169 destinos — mas essa estatística, sozinha, não te diz se você precisa de visto para os Estados Unidos, se pode entrar na Argentina só com o RG ou se vai precisar pagar uma taxa nova para pisar na Europa a partir do fim do ano.
Esse é o problema de boa parte dos conteúdos sobre o tema: eles mostram o número, mas não organizam a informação do jeito que você realmente usa — na hora de planejar uma viagem, um intercâmbio ou os primeiros meses fora do Brasil.
Neste guia, você vai encontrar os destinos organizados por tipo de acesso: onde entra só com RG, onde é livre com passaporte, onde precisa de autorização eletrônica e onde ainda é obrigatório tirar visto antes de embarcar. Também vai entender o que muda a partir do último trimestre de 2026 com o ETIAS na Europa.
O que você vai aprender:
- Como o passaporte brasileiro é classificado nas diferentes categorias de acesso
- Quais países aceitam entrada só com o RG (sem passaporte)
- Onde a entrada é livre, só com o passaporte, sem burocracia extra
- Quais destinos exigem autorização eletrônica (ETIAS, ETA) mesmo sem visto
- Onde ainda é obrigatório solicitar visto tradicional antes de viajar
- Como isso muda o planejamento de quem vai estudar ou trabalhar fora
- Perguntas frequentes sobre o assunto
As quatro categorias de acesso do passaporte brasileiro
Antes de ir direto à lista de países, vale entender a lógica por trás dela. O passaporte brasileiro se encaixa em quatro categorias diferentes, dependendo do destino:
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Entrada com RG — países que aceitam apenas a carteira de identidade, sem exigir passaporte;
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Entrada livre com passaporte — sem visto, sem autorização prévia, só o documento em mãos;
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Autorização eletrônica obrigatória — não é visto, mas é preciso solicitar online antes do embarque (ETIAS, ETA);
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Visto tradicional — processo consular ou eletrônico que precisa ser aprovado antes da viagem.
Entender em qual categoria cada destino se encaixa evita duas armadilhas comuns: achar que "sem visto" significa "sem nenhuma exigência", e descobrir em cima da hora que um destino badalado, como Estados Unidos ou Reino Unido, não é tão simples quanto parecia.
Categoria 1: só o RG já resolve
Essa é a categoria mais generosa do passaporte brasileiro, e fica concentrada no próprio continente. Graças ao Mercosul e a acordos com países associados, brasileiros entram usando apenas a carteira de identidade — desde que esteja em bom estado de conservação e dentro da validade (normalmente até 10 anos de emissão).
Entram com RG:
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Argentina
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Uruguai
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Paraguai
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Bolívia
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Chile
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Peru
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Colômbia
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Equador
Para quem está começando a pensar em uma experiência fora do Brasil, esses destinos costumam ser a porta de entrada mais barata e menos burocrática — seja para um curso de idiomas curto, um voluntariado ou simplesmente para testar a experiência de estar em outro país antes de embarcar em um projeto maior.
Categoria 2: entrada livre, só com passaporte
Aqui entram os destinos que dispensam visto e autorização eletrônica, mas exigem o passaporte físico (o RG não é aceito). É a categoria mais numerosa e inclui praticamente toda a América Central, boa parte do Espaço Schengen (por enquanto) e destinos relevantes na Ásia e na África.
América Central e Caribe: Costa Rica, Guatemala, Honduras, Nicarágua, El Salvador, Panamá, Belize, Jamaica e Barbados estão entre os destinos que recebem brasileiros sem exigir visto prévio, cada um com seu próprio limite de permanência.
Europa (Espaço Schengen, até o fim de 2026): Alemanha, Áustria, Bélgica, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letônia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Noruega, Países Baixos, Polônia, Portugal, República Tcheca, Suécia e Suíça permitem estadias de até 90 dias a cada período de 180 dias, sem necessidade de visto — mas essa categoria muda a partir do último trimestre de 2026 (veja a seção sobre o ETIAS).
Irlanda: fica de fora do Espaço Schengen e do sistema britânico de autorização. Brasileiros entram apenas com o passaporte, para estadias de até 90 dias.
Ásia e Oceania: Coreia do Sul, Malásia, Filipinas e Japão (para passaportes com chip biométrico) recebem brasileiros sem visto para turismo de curta duração.
África: África do Sul, Marrocos e Botsuana estão entre os destinos que dispensam visto para brasileiros.
Categoria 3: sem visto, mas com autorização eletrônica obrigatória
Essa categoria cresceu nos últimos anos e é a que mais gera dúvida — porque tecnicamente não exige visto, mas também não é uma entrada 100% livre. São sistemas de pré-autorização digital, pagos, vinculados ao passaporte.
Reino Unido (ETA): desde janeiro de 2025, todo brasileiro que viaja à Inglaterra, Escócia, País de Gales ou Irlanda do Norte para turismo, negócios ou estudos de curta duração precisa da ETA (Electronic Travel Authorisation), solicitada com antecedência no site oficial do governo britânico. Desde abril de 2026, a taxa está em £20 por pessoa, com validade de dois anos ou até o vencimento do passaporte. Sem ETA aprovada, a companhia aérea pode negar o embarque ainda no Brasil.
Austrália (eVisitor): mesmo sem exigir visto tradicional para turismo, a Austrália pede a autorização eletrônica eVisitor (subclasse 651), gratuita para brasileiros e aprovada em poucas horas.
Europa — ETIAS (a partir do último trimestre de 2026): este é o item mais importante para quem planeja uma viagem à Europa nos próximos meses. O ETIAS (European Travel Information and Authorisation System) vai passar a exigir autorização eletrônica prévia de brasileiros para entrar nos 30 países do Espaço Schengen. A União Europeia ainda não confirmou a data exata de início, mas mantém a previsão para o último trimestre de 2026. O documento é solicitado apenas no site oficial da União Europeia, tem validade de até três anos e não substitui a regra dos 90 dias em um período de 180 dias.
Categoria 4: ainda é preciso visto tradicional
Para alguns dos destinos mais procurados por brasileiros, o passaporte forte não muda a exigência de visto consular ou eletrônico completo — o que significa processo, documentação e, em geral, mais tempo de espera.
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Estados Unidos: visto obrigatório (B1/B2 para turismo e estudos curtos, F-1 para programas acadêmicos mais longos), com entrevista consular.
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Canadá: exige visto de visitante ou autorização eletrônica de viagem (eTA), dependendo do histórico de vistos do viajante.
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China: mantém política de visto tradicional para brasileiros, com exigência de roteiro de viagem e comprovantes de hospedagem.
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México: exige visto, embora brasileiros com visto americano ou canadense válido estejam dispensados para turismo.
Para quem planeja intercâmbio nesses destinos, o visto costuma estar embutido no próprio processo de aplicação — é diferente da lógica de uma viagem de turismo, mas ainda assim exige planejamento com meses de antecedência.
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Por que isso importa para quem vai estudar ou trabalhar fora
Saber em qual categoria um destino se encaixa muda o planejamento de quem está organizando um intercâmbio, e não só uma viagem de turismo:
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Prazo de aplicação: destinos da categoria 4 (visto tradicional) exigem começar o processo com meses de antecedência, incluindo agendamento de entrevista consular quando aplicável.
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Orçamento extra: autorizações eletrônicas como ETA e o futuro ETIAS têm custo próprio, que precisa entrar no planejamento financeiro da viagem — mesmo não sendo um "visto".
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Validade da entrada não é validade do programa: entrar sem visto em um país para turismo, por até 90 dias, não é o mesmo que ter autorização para estudar ou trabalhar por lá. Programas acadêmicos e de trabalho seguem regras próprias, mesmo em destinos onde a entrada turística é livre.
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Documentos sempre em mãos: mesmo nas categorias mais simples, é comum que a imigração peça passagem de volta, comprovante de hospedagem e comprovação financeira — a ausência de visto não elimina essas exigências.
Perguntas frequentes sobre o passaporte brasileiro em 2026
Quantos países aceitam a entrada de brasileiros sem visto em 2026? Segundo o Henley Passport Index de julho de 2026, o passaporte brasileiro dá acesso sem visto prévio, ou com visto emitido na chegada, a 169 destinos de um total de 227 avaliados no ranking.
É verdade que dá para entrar em outros países só com o RG? Sim. Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Chile, Peru, Colômbia e Equador aceitam a entrada de brasileiros apenas com a carteira de identidade, sem necessidade de passaporte, desde que o documento esteja em bom estado e dentro do prazo de validade.
O que é o ETIAS e quando ele passa a ser exigido? O ETIAS é uma autorização eletrônica de viagem obrigatória para entrar nos países do Espaço Schengen, com previsão de entrada em vigor no último trimestre de 2026. Não é um visto, mas precisa ser solicitada online antes do embarque.
Estados Unidos e Canadá pedem visto de brasileiros mesmo com o passaporte forte? Sim. A força do passaporte no ranking Henley não elimina a exigência de visto tradicional em destinos específicos. Estados Unidos e Canadá continuam exigindo visto de visitante para brasileiros em 2026.
Ter um passaporte "forte" garante entrada em qualquer um dos 169 destinos? Não. O ranking mede a facilidade de acesso, não a garantia de entrada. Mesmo em países sem exigência de visto, o oficial de imigração pode pedir passagem de volta, comprovante de hospedagem e comprovação financeira, e tem autoridade para negar a entrada.
Fazer intercâmbio em um país sem visto de turismo é mais simples? A entrada turística sem visto não equivale a autorização para estudar ou trabalhar no país. Programas de intercâmbio, mesmo em destinos com entrada livre, seguem regras próprias de aplicação e podem exigir visto de estudante específico.
Preparação internacional completa em um só lugar
Se tem uma coisa que fica clara depois de organizar os destinos por categoria, é que a força do passaporte brasileiro só vira vantagem de verdade quando você sabe exatamente o que ela libera — e o que ainda exige preparação.
Isso vale tanto para quem está planejando as próximas férias quanto para quem está desenhando os primeiros passos de um intercâmbio, uma bolsa de estudos ou uma oportunidade de trabalho fora do Brasil. Entender essas quatro categorias evita surpresas na hora do embarque e ajuda a organizar prazos, orçamento e documentação com antecedência — principalmente com o ETIAS chegando à Europa ainda em 2026.
Mas para transformar essa informação em um plano real de ir para fora, é preciso mais do que saber onde seu passaporte é aceito. É preciso estratégia, preparação e as ferramentas certas.
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Foto de capa por Avel Chuklanov na Unsplash