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Quatro em cada dez brasileiros dizem ter interesse em deixar o país. O número vem de uma pesquisa divulgada no fim de 2025 pelo Observatório Febraban, e ele é grande o suficiente pra fazer qualquer um parar e pensar: por que tanta gente pensa em ir embora? E será que dá pra transformar essa vontade em plano de vida, em vez de deixar só no campo do desabafo?

Você provavelmente já ouviu, ou já disse, alguma versão de "eu queria muito morar fora". A pesquisa mostra que esse sentimento está longe de ser isolado. Ele é mais forte entre os mais jovens, muda de intensidade dependendo da geração e aponta destinos bem específicos, o que já diz muito sobre quem está pensando nisso de verdade.

"Querer sair do Brasil" e "ter um plano de intercâmbio" são coisas parecidas, mas não são a mesma coisa. Entender essa diferença é o que separa quem fica só no desejo de quem realmente sai. Neste artigo, você vai ver o retrato completo da pesquisa e entender como transformar esse desejo em um caminho estruturado, sem depender de sorte, herança ou inglês perfeito.

O que você vai aprender:

  • O que a pesquisa do Observatório Febraban descobriu sobre brasileiros que pensam em morar fora
  • Por que o desejo de sair do país é mais forte entre os mais jovens
  • Quais destinos os brasileiros mais consideram e por quê
  • A diferença entre querer sair do Brasil e ter um plano de intercâmbio real
  • Os primeiros passos para transformar esse desejo em um caminho estruturado

O que a pesquisa revela sobre o desejo de morar fora

Os dados vêm da 18ª edição do Observatório Febraban, pesquisa feita pela Federação Brasileira de Bancos em parceria com o instituto Ipespe. O levantamento ouviu 3 mil pessoas em todas as regiões do Brasil, entre 15 de novembro e 2 de dezembro de 2025.

O resultado: 40% dos entrevistados disseram ter interesse em deixar o país. Outros 57% afirmaram não ter essa intenção, e 3% não souberam ou preferiram não responder.

Quatro em cada dez é um número que chama atenção, mas ele fica ainda mais interessante quando você olha por dentro dele, separado por geração.

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O desejo muda de cara conforme a idade

A pesquisa dividiu os entrevistados por geração, e a diferença entre elas é grande:

  • Geração Y, nascidos entre 1980 e 1995: 50% querem morar fora

  • Geração Z, nascidos entre 1995 e 2010: 44% têm o mesmo desejo

  • Geração X, nascidos entre 1965 e 1981: o índice cai para 35%

  • Baby Boomers, nascidos entre 1946 e 1964: apenas 25% pensam assim

Metade da Geração Y, ou seja, gente que hoje está no auge da vida profissional, quer morar fora. Entre os mais jovens da Geração Z, o número também passa de quatro em cada dez.

Isso não é coincidência: é justamente esse público, começando carreira ou repensando os próximos passos, que mais tem acesso a informação sobre bolsas, intercâmbios e formas de estudar ou trabalhar fora do Brasil, e é também quem tem mais tempo de vida pela frente pra planejar essa mudança com calma.

Para onde os brasileiros querem ir

A pesquisa também mapeou os destinos mais citados por quem pensa em emigrar, e o resultado mostra uma preferência clara por países ocidentais, com idioma ou cultura mais próximos do Brasil.

A Europa lidera com folga, concentrando 60% das menções. Dentro do continente, Portugal aparece em primeiro lugar, citado por 22% dos entrevistados, seguido por Itália, com 12%, Espanha, com 8%, Inglaterra, com 7%, e Suíça, com 6%.

A América do Norte vem na sequência. Os Estados Unidos são citados por 37% de quem pensa em morar fora, e o Canadá aparece com 9%. Na Ásia, Japão e China somam 5% e 4% das menções, respectivamente.

Não é acaso que Portugal, com o idioma em comum, e os Estados Unidos, com a força do inglês e do mercado de trabalho, dividam a preferência. São destinos que já têm comunidade brasileira estabelecida, caminhos de visto conhecidos e, principalmente, programas de bolsa e intercâmbio que tornam a ida viável mesmo sem grande poder aquisitivo.

Vontade de sair não é a mesma coisa que ter um plano

Aqui está o ponto que a pesquisa não mostra, mas que faz toda a diferença na prática: ter vontade de morar fora e ter um plano real pra isso são coisas separadas por um abismo enorme.

Quatro em cada dez brasileiros dizem que gostariam de sair do país. Mas quantos desses realmente sabem qual visto pedir, que tipo de bolsa existe pro seu nível de estudo, ou quanto tempo leva pra montar uma candidatura competitiva? A vontade é só o primeiro degrau. Sem informação e sem estratégia, ela tende a esfriar, ou, pior, vira decisão por impulso, tomada sem planejamento e sem rede de segurança.

Isso vale tanto pra quem sonha em fazer graduação fora, quanto pra quem pensa em um intercâmbio cultural de alguns meses, ou até pra quem já está formado e busca uma oportunidade profissional no exterior. Em qualquer um desses casos, o caminho começa do mesmo jeito: entendendo qual porta de saída faz sentido pro seu momento de vida.

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Como transformar esse desejo em plano real

A boa notícia é que esse caminho não precisa ser um mistério. Existem hoje mais de 920 mil bolsas de estudo ativas em mais de 31 mil instituições ao redor do mundo, e boa parte delas aceita candidatos brasileiros. O problema nunca foi falta de oportunidade. Foi falta de organização pra encontrar a bolsa certa e aplicar do jeito certo.

Alguns passos ajudam a sair do "eu queria" para o "eu vou":

  • Defina o que você busca. Estudar, trabalhar, viver fora por um tempo ou se mudar de vez são objetivos diferentes, com caminhos diferentes.

  • Mapeie seu perfil. Nível de estudo, área de interesse, idioma e situação financeira mudam completamente quais oportunidades fazem sentido pra você.

  • Pesquise destinos com caminho de entrada conhecido. Países como os que aparecem no topo da pesquisa costumam ter mais programas estruturados pra brasileiros.

  • Organize um cronograma real. Bolsas e intercâmbios têm prazo, e quem se planeja com antecedência sai na frente de quem decide de última hora.

O que a pesquisa não mede, mas importa

Vale lembrar: os números do Observatório Febraban medem interesse, não decisão tomada. A distância entre os dois é justamente onde entra a preparação. Quem confirma esse desejo com um plano de estudo, um cronograma de candidaturas e o preparo de idioma certo tem muito mais chance de transformar o "eu queria" em passagem comprada, com ou sem bolsa, do que quem espera a vontade "acontecer sozinha".

Chegou a sua vez de decidir o que fazer com esse desejo

Se você leu até aqui, é porque essa vontade de morar fora não é só um número de pesquisa pra você. É algo que você já sente na pele, e talvez já esteja pensando nisso há mais tempo do que gostaria de admitir.

Mas para sair do campo da vontade e chegar no exterior de verdade, é preciso mais do que desejo. É preciso estratégia, preparação e as ferramentas certas.

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Fonte: 18ª edição do Observatório Febraban, pesquisa realizada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em parceria com o instituto Ipespe, com 3 mil entrevistados em todas as regiões do Brasil, entre 15 de novembro e 2 de dezembro de 2025.

Foto de capa por Joel Ambass na Unsplash