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Trabalhar na França por um ano inteiro, sem precisar de um contrato fechado antes de embarcar, sem pagar taxa nenhuma pelo visto e sem passar pela burocracia pesada de um visto de trabalho tradicional. Parece bom demais? Existe, é legal, e o Brasil tem acordo direto com a França para isso desde 2018.

O nome é PVT — Programa Vacances-Travail, ou Visto Férias-Trabalho. Ele não é tão conhecido quanto o Working Holiday da Austrália ou do Canadá, mas segue a mesma lógica: você entra no país com o objetivo principal de viajar e viver a experiência cultural, e o trabalho serve para complementar a renda durante a estadia.

O problema é que boa parte do que circula sobre o PVT França está desatualizado ou misturado com informações de outros programas. Neste guia, você vai encontrar os requisitos atuais, o passo a passo da solicitação, o que é permitido (e o que não é) durante o visto, e os prazos que fazem toda a diferença para não perder a vaga.

O que você vai aprender:

  • O que é o PVT França e de onde vem esse acordo
  • Quem pode solicitar e quais são os requisitos
  • Quanto custa e quais documentos são exigidos
  • Como e quando fazer a solicitação
  • O que você pode (e não pode) fazer com o visto
  • Perguntas frequentes sobre o programa

O que é o PVT França

O PVT — sigla de Permis Vacances-Travail — é um visto de longa duração resultado de um acordo bilateral assinado entre Brasil e França em 12 de dezembro de 2018, em vigor desde 1º de março de 2019.

Ele permite que jovens brasileiros passem até 12 meses na França com o objetivo principal de turismo e intercâmbio cultural, com a possibilidade de trabalhar de forma legal para cobrir parte dos custos da estadia.

Na prática, é um visto de categoria diferente de um visto de trabalho comum. Você não precisa de uma oferta de emprego fechada para conseguir o PVT, e o emprego que você exerce durante o período é tratado como algo acessório — um complemento à experiência de viver no país, não o motivo principal da viagem.

A França mantém esse tipo de acordo com 16 países atualmente: Alemanha não está entre eles, mas Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Coreia do Sul, Equador, Hong Kong, Japão, México, Nova Zelândia, Peru, Rússia, Taiwan e Uruguai sim.

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Quem pode solicitar o PVT França

Os requisitos oficiais para brasileiros são:

  • Ter entre 18 e 30 anos, inclusive, na data da solicitação

  • Ser cidadão brasileiro residente no Brasil

  • Não estar acompanhado de dependentes (o visto não permite reagrupamento familiar)

  • Ter passaporte válido por pelo menos 1 ano e 3 meses a partir da data da solicitação

  • Comprovar recursos financeiros de aproximadamente € 2.500 (extrato bancário recente ou declaração do banco)

  • Ter passagem de volta ou comprovar recursos para comprá-la

  • Apresentar seguro de saúde internacional que cubra toda a duração da estadia

  • Não ter antecedentes criminais

Não é exigido nenhum nível de francês para solicitar o visto. Mas, na prática, quanto mais francês você souber, maiores as chances de conseguir uma vaga de trabalho decente ao chegar — a maioria das funções de atendimento ao público exige pelo menos o básico do idioma.

Quanto custa o PVT França

O visto em si é gratuito — não há taxa consular para o pedido do PVT. Isso o diferencia de vistos de trabalho tradicionais, que costumam ter custos de processamento.

O que você precisa ter é a comprovação dos ~€2.500 em recursos próprios (cartão de crédito ou recursos de terceiros não são aceitos como comprovação) e o seguro-saúde, que tem custo variável conforme a seguradora e o tempo de cobertura contratado.

Documentos necessários

A lista oficial inclui:

  • Formulário de pedido de visto de longa duração preenchido pelo portal France-Visas

  • 2 fotos recentes no padrão OACI (3,5 x 4,5 cm)

  • Passaporte válido, com cópias das páginas de dados pessoais

  • Comprovante de recursos financeiros (~€2.500)

  • Comprovante de seguro de saúde internacional para toda a estadia

  • Comprovante de passagem de volta (ou recursos para adquiri-la)

  • Antecedentes criminais

Como funciona o processo de solicitação

O processo começa pelo portal oficial France-Visas, onde você preenche o formulário e faz o upload da documentação.

Depois, é preciso comparecer presencialmente à representação consular francesa responsável pela sua região — São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília ou Recife — ou ao centro VFS Global vinculado, conforme a jurisdição.

Pontos importantes sobre o calendário:

  • A campanha de vistos costuma abrir em 1º de janeiro de cada ano

  • Existe uma cota mensal e anual limitada de vistos por circunscrição consular — quando a cota do mês é atingida, novos pedidos entram em lista de espera

  • Em anos anteriores, algumas circunscrições esgotaram as vagas do ano em poucos meses

  • A solicitação deve ser feita com antecedência máxima de 2 meses antes da viagem

  • O prazo de emissão do visto costuma variar entre 3 semanas e 2 meses

Na prática, isso significa: quem quer embarcar no segundo semestre precisa começar a organizar o dossiê com bastante antecedência, e ficar de olho na abertura da campanha do ano seguinte assim que ela for anunciada pelo consulado responsável pela sua região.

O que você pode (e não pode) fazer com o visto

Permitido:

  • Circular livremente pela França e pelo Espaço Schengen durante a validade do visto

  • Exercer atividade remunerada de forma acessória, sem necessidade de autorização de trabalho prévia

  • Assumir contratos de curta duração (temporários ou sazonais), geralmente em hotelaria, restaurantes, turismo, agricultura e comércio

Não permitido:

  • Trazer dependentes ou solicitar reagrupamento familiar

  • Renovar o visto ao final dos 12 meses

  • Converter o PVT em visto de trabalho, estudo ou residência

  • Ultrapassar a validade de 12 meses, contados a partir da entrada no país

Ou seja: o PVT é uma janela única de um ano. Não dá para prorrogar nem para transformar em algo permanente — quem quer seguir na França depois disso precisa buscar outro tipo de visto, como o de trabalho ou o de estudante.

Vale a pena o PVT França?

Para quem tem entre 18 e 30 anos e quer uma experiência internacional mais flexível — sem depender de aprovação em universidade ou de contrato de trabalho fechado antes de embarcar —, o PVT é uma das portas mais diretas para viver na Europa por um ano.

O ponto de atenção não é a burocracia do visto em si, que é relativamente simples, mas a concorrência pelas vagas da cota anual.

Quem se organiza com antecedência — reunindo documentação, seguro e comprovação financeira antes da abertura da campanha de janeiro — sai na frente de quem só começa a se planejar quando o visto já está com a cota lotada.

Perguntas frequentes sobre o PVT França

O que é o PVT da França? É um visto de longa duração, fruto de acordo bilateral entre Brasil e França, que permite a brasileiros de 18 a 30 anos passar até 12 meses no país para fins de turismo e intercâmbio cultural, com possibilidade de trabalho remunerado de forma acessória.

Quem pode solicitar o PVT? Brasileiros residentes no Brasil, com idade entre 18 e 30 anos na data do pedido, sem dependentes, com passaporte válido, seguro-saúde e comprovação de recursos financeiros.

O visto PVT tem custo? Não. A solicitação do visto é gratuita. Os custos ficam por conta do seguro de saúde, da comprovação de recursos exigida e da passagem aérea.

Posso trabalhar em qualquer emprego com o PVT? Você pode assumir contratos de trabalho temporários ou sazonais, geralmente em setores como hotelaria, restaurantes, turismo e agricultura. O trabalho precisa ser acessório à estadia, não a razão principal da viagem.

É possível renovar ou converter o PVT em outro visto? Não. O PVT tem validade única de 12 meses, não pode ser renovado nem convertido em visto de trabalho, estudo ou residência.

Preciso falar francês para conseguir o PVT? Não é exigido nível de francês para a solicitação do visto. Mas conhecimento básico do idioma amplia bastante as chances de conseguir uma vaga de trabalho ao chegar.

Quando abre a campanha do PVT para o próximo ano? Historicamente, a campanha abre em 1º de janeiro. Como a cota é limitada e costuma esgotar ao longo do ano, o ideal é acompanhar os canais oficiais do consulado da sua região a partir do fim do ano anterior.

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Se você chegou até aqui, é porque a ideia de viver e trabalhar fora do Brasil por um ano deixou de ser só uma vontade distante — virou um plano em construção. E para tirar esse plano do papel, o PVT é só uma das portas possíveis.

Mas antes de escolher qual caminho seguir, vale entender todas as opções disponíveis para o seu perfil — porque nem sempre o visto de férias-trabalho é a rota mais estratégica, e às vezes existe uma bolsa integral ou um programa mais alinhado com o que você quer construir lá fora.

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Foto de capa por Anthony Choren na Unsplash