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Pela primeira vez desde que o ranking QS existe, nenhuma universidade brasileira aparece entre as 100 melhores do mundo. E não é um resultado isolado: das universidades do país avaliadas, a maioria caiu de posição nesta edição.

O QS World University Rankings 2027, divulgado em 17 de junho de 2026 pela consultoria britânica Quacquarelli Symonds, trouxe um recado que vai muito além de estatística acadêmica. Ele mostra, com números, uma competitividade internacional que só cresce — e que muda a forma como quem quer estudar fora deveria pensar sua trajetória.

Neste artigo, você vai entender exatamente o que mudou no QS 2027, como ficou a posição das principais universidades brasileiras e, principalmente, por que esse cenário torna o intercâmbio e as bolsas de estudo no exterior uma escolha ainda mais estratégica para quem pensa em carreira internacional.

O que você vai aprender:

  • O que aconteceu com o Brasil no QS World University Rankings 2027
  • Como ficou o ranking das principais universidades brasileiras
  • Por que a USP caiu mesmo continuando na liderança nacional
  • O que essa queda revela sobre a competitividade acadêmica global
  • Por que isso torna estudar fora uma decisão mais estratégica, não menos
  • Como usar esses dados para planejar seu próprio caminho internacional

O que mudou no QS World University Rankings 2027

O QS World University Rankings é, ao lado do Times Higher Education (THE), um dos rankings mais respeitados do mundo para avaliar universidades. A edição 2027 avaliou mais de 8,8 mil instituições em 106 países e classificou as 1.504 melhores.

O resultado para o Brasil foi de queda generalizada. Do total de instituições brasileiras classificadas, 14 perderam posições e 8 se mantiveram estáveis nesta edição — o que colocou o país com a sétima maior taxa de queda entre os sistemas de ensino superior com 10 ou mais universidades no ranking.

Ao todo, 22 universidades brasileiras aparecem na edição 2027, um número que se mantém relativamente estável ao longo dos anos, mas que já não garante presença no grupo de elite global.

O topo do ranking mundial não mudou muito

No topo da lista mundial, o cenário segue estável: o MIT (Massachusetts Institute of Technology) segue em 1º lugar pelo 15º ano consecutivo, enquanto Imperial College London e Universidade de Stanford dividem a 2ª posição.

As 7 melhores universidades do mundo em 2027

A disputa pelo topo continua concentrada nos mesmos poucos países — e é justamente essa estabilidade no topo, combinada com a entrada de instituições cada vez mais competitivas na faixa intermediária, que empurra universidades de países como o Brasil para baixo na lista.

Como ficou o ranking das universidades brasileiras no QS 2027

A Universidade de São Paulo (USP) segue como a universidade brasileira mais bem colocada, na 133ª posição geral — um desempenho que ainda a coloca acima de 91,2% das 1.504 instituições classificadas, mas que representa uma queda de 25 posições em relação à edição anterior.

Veja como ficaram as quatro universidades brasileiras mais bem posicionadas:

Universidade

Posição no QS 2027

USP (Universidade de São Paulo)

133ª

Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)

277ª

UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

367ª

Unesp (Universidade Estadual Paulista)

513ª

Na sequência, ainda entre as dez primeiras do país, aparecem UFMG, PUC-Rio, UFRGS, Unifesp, UnB e UFSC, segundo a própria QS.

A trajetória da USP explica o cenário

O caso da USP resume bem o que está acontecendo. Em 2024, a universidade atingiu a melhor posição já registrada por uma instituição brasileira: 85º lugar no ranking mundial. De lá para cá, a trajetória foi de queda em três edições consecutivas, o que fez a USP sair do grupo das 100 melhores do mundo já em 2025 — situação que se manteve em 2027.

Segundo a coordenadora do Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (Egida) da própria USP, Renata Eloah de Lucena Ferretti-Rebustini, a queda não significa necessariamente perda de qualidade, mas sim o resultado de mudanças metodológicas do ranking somadas à entrada de instituições cada vez mais competitivas na disputa.

Ou seja: o "nível de corte" para estar entre as melhores do mundo está subindo mais rápido do que as universidades brasileiras conseguem acompanhar.

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Por que essa queda torna o intercâmbio ainda mais estratégico

É tentador ler esses números como uma má notícia isolada para quem estuda no Brasil. Mas, olhando com mais atenção, o QS 2027 na verdade reforça um argumento que já vinha se consolidando: em um cenário de competitividade acadêmica cada vez mais acirrada, ter uma passagem internacional na sua formação deixou de ser diferencial — está virando pré-requisito.

Alguns pontos ajudam a entender por quê:

A distância para o topo global está aumentando. Com nenhuma universidade brasileira no top 100 e a melhor posição do país em queda havia três anos seguidos, um diploma obtido inteiramente no Brasil carrega, hoje, menos peso comparativo em processos seletivos internacionais do que carregava há poucos anos.

A concorrência não é só regional. O crescimento de universidades asiáticas e do Oriente Médio nas faixas intermediárias do ranking mostra que o mercado de trabalho e acadêmico internacional está mais globalizado — e mais disputado — do que nunca. Quem constrói experiência internacional cedo sai na frente.

Um período fora não precisa (e não deveria) custar uma fortuna. O caminho mais eficiente não é necessariamente mirar direto nas 10 primeiras do mundo — é entender que uma temporada de estudos, um intercâmbio de graduação ou uma pós-graduação com bolsa em uma universidade bem avaliada internacionalmente já muda a forma como seu currículo é lido lá fora.

Rankings avaliam instituições, não pessoas. Nenhum número no QS decide sozinho o valor da sua formação. O que pesa, na prática, é a combinação entre onde você estudou, o que você construiu ao longo do processo e como comunica isso — e é exatamente aí que uma boa estratégia de aplicação faz diferença.

Como usar esses dados no seu planejamento

Se você está pensando em intercâmbio, bolsa de estudos ou uma temporada acadêmica fora do Brasil, o cenário do QS 2027 é, na prática, um argumento a mais para começar a se planejar agora:

  • Olhe além do "top 10 mundial". Universidades nas faixas 100–500 do ranking global frequentemente oferecem infraestrutura de pesquisa, network internacional e reconhecimento de mercado muito superiores às opções disponíveis no Brasil, com processos de bolsa mais acessíveis do que os das instituições mais disputadas do topo.

  • Priorize programas com bolsa integral ou parcial. Isso reduz a barreira financeira sem abrir mão de estudar em uma instituição bem avaliada internacionalmente.

  • Comece a se preparar com antecedência. Provas de proficiência, cartas de motivação e documentação levam meses para ficar prontos — quem começa cedo chega com mais opções na mesa.

  • Use os rankings como ponto de partida, não como veredito final. Cruzar QS com outros critérios (área de estudo, custo de vida, política de vistos, comunidade brasileira no destino) dá uma visão muito mais completa do que só a posição geral.

Perguntas frequentes sobre o QS 2027 e as universidades brasileiras

Nenhuma universidade brasileira está entre as 100 melhores do mundo no QS 2027? Isso mesmo. A USP, melhor colocada do país, aparece na 133ª posição geral, mantendo o Brasil fora do top 100 pela terceira edição consecutiva.

Qual é a universidade brasileira mais bem colocada no QS 2027? A Universidade de São Paulo (USP), na 133ª posição mundial, seguida por Unicamp (277ª), UFRJ (367ª) e Unesp (513ª).

Por que a USP caiu de posição mesmo continuando na liderança nacional? Segundo a própria universidade, a queda reflete mudanças na metodologia do ranking e a entrada de instituições internacionais cada vez mais competitivas — não necessariamente uma piora na qualidade da USP.

Quantas universidades brasileiras estão no ranking QS 2027? Ao todo, 22 instituições brasileiras foram classificadas nesta edição, entre mais de 1.500 universidades de 106 países.

A queda no ranking brasileiro significa que vale mais a pena estudar fora? Não existe uma resposta única, mas o cenário reforça que ter experiência acadêmica internacional — via intercâmbio, bolsa ou pós-graduação fora — tende a agregar mais diferencial competitivo em um mercado cada vez mais globalizado.

O momento de agir é agora

O QS 2027 deixa claro que o cenário acadêmico global está mudando rápido, e ficar de fora dessa movimentação tem um custo. Mas também mostra algo importante: existem centenas de universidades bem avaliadas internacionalmente — muitas delas com programas de bolsa robustos para brasileiros — que estão mais acessíveis do que parecem.

Se você já pensa em fazer um intercâmbio, uma graduação, um mestrado ou até uma temporada de estudos fora, esses dados são só mais um sinal de que vale a pena começar a se planejar agora, em vez de esperar o "momento ideal" que nunca chega sozinho.

Mas para sair do planejamento e chegar lá, é preciso mais do que vontade. É preciso estratégia, preparação e as ferramentas certas.

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Foto de capa por Matheus Câmara da Silva na Unsplash