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Existe uma bolsa em Harvard que não pede prova de proficiência, não exige ser jovem e não está atrás de quem está começando a carreira. Ela quer justamente o oposto: gente que já construiu uma trajetória sólida e precisa apenas de uma coisa que o dia a dia raramente oferece — tempo e espaço para mergulhar em um projeto, sem as distrações da rotina profissional.

É a Radcliffe Fellowship, do Instituto Radcliffe de Estudos Avançados de Harvard, e ela paga US$ 78 mil, mais US$ 5 mil para despesas do projeto, para cientistas, escritores, acadêmicos, artistas e profissionais de destaque passarem um ano inteiro em Cambridge, Massachusetts, desenvolvendo uma pesquisa própria. As inscrições para o ciclo 2027–2028 já estão abertas.

Neste artigo você entende quem pode se candidatar, o que a bolsa cobre, o que cada área avalia e como funciona todo o processo de aplicação.

O que você vai aprender:

  • O que é a Radcliffe Fellowship e por que ela é diferente das bolsas tradicionais
  • O que o programa cobre financeiramente
  • Os requisitos por área de atuação
  • Quais documentos a candidatura exige
  • Prazos do ciclo 2027–2028
  • Como funciona a seleção
  • Perguntas frequentes

O que é a Radcliffe Fellowship

O Instituto Radcliffe para Estudos Avançados é o braço de pesquisa interdisciplinar de Harvard, sucessor do antigo Radcliffe College. Todos os anos, o instituto seleciona uma turma de fellows — cientistas, escritores, acadêmicos, intelectuais públicos e artistas — para passar um ano acadêmico inteiro, de setembro a maio, dedicados exclusivamente a um projeto próprio.

Não existe aula, não existe orientador determinando o rumo da pesquisa, e não existe obrigação de produzir um resultado específico ao final. O que o programa oferece é sala ou estúdio próprio em Byerly Hall, no Radcliffe Yard, acesso completo ao sistema de bibliotecas de Harvard e a uma comunidade multidisciplinar que se reúne semanalmente para acompanhar o trabalho uns dos outros.

Um ponto importante: a Radcliffe Fellowship não é uma bolsa de pós-doutorado. Quem está atualmente matriculado em algum programa de graduação ou pós-graduação não pode se candidatar. O programa é pensado para profissionais que já concluíram sua formação e construíram um histórico de produção relevante na área.

O que o programa cobre

Os fellows selecionados recebem:

  • Estipêndio de US$ 78.000 para o ano da bolsa

  • US$ 5.000 adicionais para cobrir despesas ligadas ao projeto de pesquisa

  • Possibilidade de auxílio para mudança, moradia e cuidados com dependentes, conforme a situação de cada fellow

  • Suporte para seguro-saúde, quando necessário

  • Sala ou estúdio individual em Harvard, com acesso à biblioteca da universidade e às instalações esportivas

A única exigência prática é residir na região de Cambridge/Boston durante todo o período da bolsa, já que a participação nos encontros semanais e eventos da comunidade de fellows é parte central da experiência.

Requisitos por área de atuação

A Radcliffe Fellowship aceita candidaturas em quatro grandes áreas, cada uma com critérios próprios de elegibilidade:

Humanidades e ciências sociais

Ter obtido doutorado (ou título equivalente, como MD, JD, DPhil ou DEd) na área do projeto proposto pelo menos quatro anos antes do início da bolsa, e ter publicado uma monografia ou pelo menos dois artigos em periódicos revisados por pares ou coletâneas acadêmicas.

Ciências, engenharia e matemática

Mesmo prazo de quatro anos desde o doutorado, mas com pelo menos cinco artigos publicados em periódicos revisados por pares — a maioria dos fellows dessas áreas soma dezenas de publicações.

Não ficção e jornalismo

Jornalistas precisam comprovar pelo menos cinco anos de atuação profissional. Autores de não ficção precisam ter um ou mais livros publicados, contrato assinado para publicação de um livro, ou pelo menos três trabalhos mais longos já publicados.

Artes criativas

Os critérios variam por disciplina — cinema e vídeo, artes visuais, ficção, poesia, dramaturgia e composição musical — mas, de forma geral, o programa busca um corpo de trabalho consistente e reconhecido na área, com anos de atuação profissional comprovada.

Vale destacar: o programa não exige estabilidade (tenure) acadêmica para aceitar candidaturas, e ex-fellows do Radcliffe (desde 1999) não podem se candidatar novamente.

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Documentos exigidos na candidatura

A inscrição é feita integralmente pelo portal on-line do instituto e inclui:

  • Formulário de candidatura, com seleção da disciplina principal (e, se aplicável, uma segunda área para projetos interdisciplinares)

  • Currículo atualizado

  • Proposta de projeto de até 1.400 palavras, com bibliografia quando pertinente

  • Amostra de trabalho ou texto (o formato varia por área: artigo publicado, capítulo de livro, poemas, trecho de peça, gravações de composições, entre outros)

  • Contato de três referências, que recebem o pedido de carta de recomendação diretamente por e-mail

Não há limite de idade, mínimo ou máximo, para participar. A avaliação leva em conta o estágio de carreira do candidato em relação à sua própria trajetória, não um padrão fixo de anos de experiência.

Prazos do ciclo 2027–2028

Área

Prazo de inscrição

Humanidades, ciências sociais, artes criativas, não ficção e jornalismo

10 de setembro de 2026, até as 17h (horário de Boston)

Ciências, engenharia e matemática

1º de outubro de 2026, até as 17h (horário de Boston)

Resultado

Até o final de março de 2027

Início da bolsa

Setembro de 2027

Término da bolsa

Maio de 2028

O programa seleciona cerca de 50 fellows por ano acadêmico. Candidaturas em dupla também são aceitas, desde que os dois integrantes trabalhem no mesmo projeto e cada um envie sua própria inscrição, currículo e amostra de trabalho.

Como funciona a seleção

O processo é dividido em duas etapas. Primeiro, especialistas da área específica avaliam a qualidade e a relevância de cada projeto. Depois, um comitê multidisciplinar analisa as candidaturas aprovadas na primeira etapa e monta uma turma final diversificada, considerando tanto o histórico de realização quanto o potencial do projeto proposto.

Não é possível pedir feedback individual sobre uma candidatura recusada. Mas também não existe limite de tentativas: quem não é selecionado em um ciclo pode se candidatar novamente nos anos seguintes.

Perguntas frequentes

Quem pode se candidatar à Radcliffe Fellowship? Profissionais com trajetória consolidada em ciências, humanidades, ciências sociais, artes criativas, jornalismo ou não ficção, que já concluíram sua formação — a bolsa não é destinada a quem está atualmente matriculado em programa de graduação ou pós-graduação.

A Radcliffe Fellowship tem restrição de nacionalidade? Não. O programa aceita candidaturas de qualquer país, incluindo brasileiros com trajetória profissional consolidada na área do projeto proposto.

Existe limite de idade para participar? Não. Não há idade mínima nem máxima. A avaliação considera o estágio de carreira do candidato em relação à sua própria trajetória, não um número fixo de anos.

Quanto paga a bolsa Radcliffe? US$ 78 mil de estipêndio para o ano da bolsa, mais US$ 5 mil adicionais para despesas do projeto, além de possível auxílio para mudança, moradia, cuidados com dependentes e suporte para seguro-saúde.

Quais os prazos de inscrição para o ciclo 2027–2028? 10 de setembro de 2026 para humanidades, ciências sociais, artes criativas, não ficção e jornalismo. 1º de outubro de 2026 para ciências, engenharia e matemática.

A Radcliffe Fellowship é uma bolsa de pós-doutorado? Não. O próprio instituto reforça que o programa não é destinado a servir como pós-doutorado, e quem está atualmente matriculado em um programa de graduação ou pós-graduação não pode se candidatar.

Chegou a sua vez de conquistar uma bolsa no exterior

Se você já construiu uma trajetória sólida na sua área, sabe que o que costuma faltar não é competência — é tempo, espaço e uma comunidade que valorize o que você tem a dizer. A Radcliffe Fellowship existe exatamente para isso.

Mas encontrar e estruturar uma candidatura forte para um programa como esse não é um processo intuitivo, e a maioria dos brasileiros nem sabe que essa porta está aberta para eles.

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Foto de capa por Emily Karakis na Unsplash