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Uma das perguntas que mais aparecem para quem está se preparando para um intercâmbio não é sobre visto, nem sobre moradia. É uma pergunta mais básica do que parece: "Se eu ficar doente, o que acontece?"

É uma dúvida legítima. Nenhuma bolsa de estudos, nenhum programa governamental e nenhuma experiência no exterior vale a pena se você não sabe o que fazer quando a saúde falha. E a resposta muda bastante dependendo do país em que você vai estudar.

A boa notícia: a maioria dos destinos mais procurados por intercambistas brasileiros tem sistemas de saúde relativamente acessíveis — muito diferentes do cenário americano, em que uma consulta pode custar centenas de dólares sem seguro. A má notícia é que as regras variam muito, e quem não se prepara pode ser pego de surpresa.

Este artigo explica como funciona o acesso à saúde em seis dos principais destinos de intercâmbio para brasileiros: Reino Unido, Alemanha, Portugal, Canadá, Austrália e Irlanda. Todas as informações são focadas em intercâmbios gratuitos, bolsistas e programas governamentais — não em intercâmbios de agência pagos à parte.

O que você vai aprender:

Reino Unido: o NHS e a taxa de saúde obrigatória

O Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido, o NHS, é um dos mais antigos sistemas de saúde universais do mundo — criado em 1948 e financiado por impostos. Para os cidadãos britânicos, o acesso é gratuito no ponto de atendimento. Para estudantes internacionais, o caminho é um pouco diferente.

Quem entra no Reino Unido com visto de estudante para cursos de seis meses ou mais precisa pagar a chamada Immigration Health Surcharge (IHS) — a taxa de saúde para imigrantes. Em 2026, o valor é de £776 por ano, e o pagamento é feito no momento da solicitação do visto, antecipadamente para todo o período de estadia.

Depois de pagar, o acesso ao NHS é equivalente ao de um residente britânico: consultas com clínico geral (GP), atendimento hospitalar, emergências, saúde mental e maternidade — tudo coberto sem custo adicional no ponto de uso. O que não está incluído: odontologia de rotina, optometria e tratamentos eletivos não urgentes.

Para programas mais curtos, com menos de seis meses e visto de visitante padrão, o estudante não paga a IHS — mas também não tem acesso ao NHS. Nesses casos, o seguro viagem privado é essencial.

Uma observação importante: atendimento de emergência em Pronto-Socorro (A&E, na sigla britânica) é gratuito para qualquer pessoa, independente de ter pago a taxa ou não.

O que muda para bolsistas e programas governamentais: A maioria das bolsas que incluem o Reino Unido como destino — como as do British Council e programas Erasmus+ — cobre a IHS ou orienta o bolsista sobre como incluí-la no planejamento financeiro. Vale verificar isso no edital antes de aplicar.

Alemanha: seguro obrigatório, mas acessível para estudantes

A Alemanha tem um sistema de saúde que funciona em dois trilhos paralelos: o seguro público (GKV — Gesetzliche Krankenversicherung) e o seguro privado (PKV — Private Krankenversicherung). Estudantes internacionais com menos de 30 anos geralmente têm acesso ao GKV com uma tarifa reduzida para estudantes.

Em 2026, o custo do seguro público para estudantes gira em torno de €130 a €150 por mês, dependendo da operadora. A cobertura é ampla: consultas médicas, hospitalização, medicamentos, atendimento de emergência e saúde preventiva. Algumas operadoras populares, como a TK (Techniker Krankenkasse), oferecem suporte em inglês 24 horas.

Quem tem mais de 30 anos no início dos estudos perde o direito à tarifa estudantil do seguro público e precisa contratar seguro privado — geralmente mais caro.

O seguro de saúde é obrigatório por lei para a matrícula em qualquer universidade alemã. Sem comprovante de cobertura, a inscrição simplesmente não é aprovada. Isso vale tanto para estudantes regulares quanto para pesquisadores e alunos de intercâmbio.

Bolsistas do DAAD: Quem recebe bolsa do serviço alemão de intercâmbio acadêmico (DAAD) já tem um seguro de saúde incluído automaticamente na bolsa, além de seguro de responsabilidade civil pessoal. Essa cobertura é aceita pelas universidades e válida durante todo o período do programa.

Portugal: o SNS e as regras para estudantes não europeus

Portugal tem um sistema de saúde público robusto chamado SNS (Serviço Nacional de Saúde), financiado por impostos e acessível a todos os residentes legais. O país figura consistentemente entre os melhores sistemas de saúde da Europa em índices internacionais.

Para estudantes internacionais não europeus — como os brasileiros —, o acesso ao SNS exige residência legal no país. Quem está em Portugal com visto de estudante de longa duração pode se registrar no SNS, obter um número de utente e acessar consultas, emergências e hospitalização com copagamentos baixos (consultas com clínico geral custam em torno de €5).

No entanto, ao chegar ao país, o estudante ainda não tem residência formalizada. Por isso, a exigência inicial para o visto é a apresentação de seguro de saúde privado com cobertura mínima de €30.000 para vistos de curta duração (Schengen). Para vistos de estudo de longa duração, é exigido seguro privado até que a residência seja regularizada.

Na prática, muitos intercambistas em Portugal seguem um caminho híbrido: começam com seguro privado nos primeiros meses e, depois de regularizar a documentação, passam a acessar o SNS para serviços básicos, mantendo o privado para especialistas e menor tempo de espera.

Programas Erasmus e governamentais: Intercambistas em Portugal por programas como o Erasmus+ chegam geralmente com o EHIC europeu (para cidadãos da UE) ou com seguro contratado. Bolsistas de programas brasileiros como o CAPES e o CNPq geralmente precisam verificar individualmente as exigências de cada edital.

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Canadá: o sistema que varia por província

Essa é a parte que mais confunde os brasileiros pensando em intercâmbio no Canadá. O sistema de saúde canadense é universal para cidadãos e residentes permanentes — mas descentralizado, ou seja, cada província tem suas próprias regras de elegibilidade para estudantes internacionais.

O que isso significa na prática:

Alberta (AHCIP): Uma das províncias mais favoráveis para intercambistas. Estudantes com visto de estudante de um ano ou mais têm direito à cobertura pública desde o momento da chegada, sem período de carência. Inclui serviços médicos, hospitalização e alguns serviços odontológicos.

British Columbia (MSP): Estudantes internacionais com visto de mais de seis meses têm direito ao sistema público, mas a cobertura começa geralmente três meses após a chegada. Esse período de carência exige que o estudante tenha seguro privado nos primeiros meses.

Ontário (OHIP): Estudantes internacionais em Ontário não têm acesso ao sistema público provincial. Todas as instituições de ensino superior da província oferecem planos de saúde privados obrigatórios para estudantes internacionais — o custo é incluído nas taxas acadêmicas.

Quebec (RAMQ): Brasileiros não têm acesso automático ao sistema de saúde de Quebec. Existem acordos bilaterais que beneficiam estudantes de países como França, Bélgica e Portugal, mas o Brasil não está incluído. A alternativa é contratar seguro privado.

Para bolsistas em programas federais canadenses: Bolsas como a ELAP (Emerging Leaders in the Americas Program) geralmente incluem cobertura de seguro de saúde como parte dos benefícios ou orientam o bolsista sobre como contratar o seguro adequado para a província de destino.

Austrália: o OSHC é obrigatório e inegociável

Na Austrália, o sistema de saúde público chama-se Medicare e é um dos mais completos do mundo para cidadãos e residentes permanentes. Estudantes internacionais, porém, não têm acesso ao Medicare.

A solução criada pelo governo australiano para esse público é o OSHC (Overseas Student Health Cover) — um seguro de saúde obrigatório específico para estudantes estrangeiros. Sem o OSHC contratado e pago, o visto de estudante simplesmente não é emitido.

O OSHC cobre: consultas médicas, hospitalização, ambulância, atendimento de emergência e parte dos medicamentos. Não cobre: odontologia de rotina, óculos, fisioterapia e tratamentos de condições pré-existentes (a menos que o estudante pague uma carência de 12 meses antes).

O custo varia conforme a operadora e o período do visto. Existem cinco seguradoras homologadas pelo governo australiano para oferecer o OSHC. O estudante contrata antes de embarcar, e o seguro é válido pelo período exato do visto.

Programas governamentais como o Prontos pro Mundo (do governo do estado de São Paulo), que levou centenas de estudantes à Austrália em 2026, incluem o OSHC como parte dos custos cobertos pelo programa. Intercambistas contemplados não precisam arcar com esse custo individualmente.

Irlanda: seguro privado para estadias longas

A Irlanda não exige seguro de saúde para estadias de até 90 dias. Para intercâmbios mais longos — acima de 90 dias —, o estudante precisa contratar um seguro de saúde irlandês reconhecido pelo governo local.

O sistema público de saúde irlandês existe e funciona, mas não está amplamente disponível para estudantes temporários sem residência. O caminho mais comum para intercambistas é o seguro privado, que pode ser contratado no Brasil antes do embarque ou em seguradoras locais após a chegada.

A Irlanda aparece consistentemente entre os países europeus com melhores sistemas de saúde segundo o CEOWorld Health Care Index 2025, ocupando a 6ª posição global — o que significa bom nível de atendimento mesmo pelo sistema privado.

O que bolsas e programas governamentais costumam cobrir

Uma dúvida comum de quem está se candidatando a bolsas integrais: o seguro de saúde está incluído ou é por conta do bolsista?

A resposta varia por programa, mas há padrões importantes:

A regra prática é simples: leia o edital até o final antes de aceitar qualquer bolsa. Se a cobertura de saúde não estiver explícita, pergunte ao programa responsável antes de embarcar.

O que não pode faltar no seu planejamento de saúde antes de embarcar

Independente do destino, há um conjunto de providências que todo intercambista deve tomar antes de sair do Brasil:

Documentação médica em inglês. Se você tem qualquer condição crônica — alergia grave, diabetes, asma, uso de medicamento controlado — tenha um relatório médico atualizado em inglês ou no idioma do país de destino. Isso facilita muito o atendimento em emergências.

Registro com um médico local logo na chegada. No Reino Unido, Alemanha e Portugal, isso é feito com o clínico geral (GP na sigla britânica, Hausarzt na alemã) e é necessário para acessar qualquer serviço do sistema público. Não espere ficar doente para fazer esse registro.

Número de emergência do país de destino. No Reino Unido e Austrália é 999/000. Na Alemanha e Portugal é 112. No Canadá é 911. Anote antes de embarcar.

Verificar a cobertura para saúde mental. Poucos intercambistas perguntam sobre isso na hora de escolher o seguro, mas é essencial. Ansiedade, adaptação cultural difícil e saudade podem impactar saúde mental durante o intercâmbio. Nem todo seguro cobre psicologia ou psiquiatria — verifique antes.

Preparação completa para o seu intercâmbio em um só lugar

Entender o sistema de saúde do país para onde você está indo não é uma mera burocracia, é parte da preparação que separa quem vive o intercâmbio com segurança de quem passa por apuros desnecessários.

Cada destino tem sua lógica: o Reino Unido cobra uma taxa antecipada que libera acesso completo ao NHS; a Alemanha exige seguro obrigatório para matrícula; Portugal abre o SNS para quem regulariza a residência; o Canadá varia por província; a Austrália exige o OSHC sem exceção; a Irlanda pede seguro para estadias longas. O fio condutor é sempre o mesmo: saber exatamente o que você vai precisar antes de embarcar.

Mas a saúde é só uma parte da equação. Para ter um intercâmbio de verdade — com bolsa, com suporte, com estratégia — é preciso mais do que pesquisa avulsa na internet.

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