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Você já ficou com medo de uma sexta-feira 13? Pois em muitos países essa data passa batida, e o susto vem de outro lugar: de um número, de um presente, de um brinde sem contato visual ou até de um assobio dentro de casa.
As superstições pelo mundo mudam de acordo com a língua, a religião e a história de cada povo. O que é azar no Japão pode ser sorte na Itália, e um gesto simpático no Brasil pode soar agourento na Rússia. Para quem sonha em estudar, trabalhar ou morar fora, conhecer essas crenças não é frescura: é parte de entender a cultura do lugar para onde você vai.
Neste artigo, você vai ver o que dá azar em cada país, de onde vem cada crença e como não pisar na bola quando estiver na casa de uma família anfitriã, numa festa da faculdade ou num jantar com colegas.
O que você vai aprender:
- O que é superstição e por que ela muda tanto de país para país
- Os números, gestos e presentes que dão azar na Ásia
- O que evitar na Rússia, na Itália, na Espanha, na Grécia e na Alemanha
- Como funciona o mau-olhado na Turquia e na Grécia
- Um resumo rápido para consultar antes de embarcar
- Como se comportar quando você não acredita, mas quer respeitar
O que é superstição (e por que ela muda de país para país)
Superstição é uma crença popular que liga um gesto, um objeto, um número ou um dia a um resultado bom ou ruim, sem base científica. Ela não é exclusividade de um povo: está em todas as culturas e costuma carregar um pedaço da história local.
Em muitos casos, a origem é uma coincidência de sons. No japonês e no chinês, por exemplo, a palavra para "quatro" soa parecida com a palavra para "morte", e isso bastou para o número virar tabu. Em outros casos, a raiz é religiosa ou histórica, como a terça-feira 13 espanhola, ligada a uma batalha antiga e a um deus da guerra.
No Brasil também temos as nossas. Além da famosa sexta-feira 13, muita gente evita deixar a bolsa ou a carteira no chão, porque isso atrairia azar com dinheiro. A crença aparece em outros países da América do Sul e até nas Filipinas. Ou seja: todo mundo tem suas manias, e o que muda é a lista.
Japão: números, palitinhos e unhas cortadas à noite
No Japão, o número 4 (shi) tem o mesmo som da palavra "morte", e o 9 (ku) soa como "sofrimento". Por isso, é comum encontrar hospitais e hotéis sem quarto ou andar com o número 4, e presentes em conjuntos de três ou cinco peças, quase nunca de quatro.
Alguns hábitos do dia a dia também dão azar:
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Fincar os palitinhos em pé no arroz. O gesto lembra os rituais de funeral, em que o hashi é espetado no arroz oferecido ao falecido. Use o apoio de palitinhos (hashioki) para descansá-los.
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Cortar as unhas à noite. A crença diz que isso aproxima a morte, e parte da explicação está em um jogo de palavras entre "unhas da noite" e "chegar ao fim da vida".
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Dormir com a cabeça voltada para o norte. É a posição em que os mortos são colocados no funeral.
Para quem vai estudar ou trabalhar no Japão, a dica é simples: observe, imite e, se tiver dúvida, pergunte. Ninguém espera que um estrangeiro saiba tudo, mas gestos como o dos palitinhos mostram que você se importa.
China: presentes que parecem inofensivos, mas não são
Na China, o 4 também é o número do azar, porque soa como "morte". Muitos prédios pulam o andar 4 e, às vezes, todos os que contêm o número, como 14 e 24. Já o 8 é o queridinho, porque lembra a palavra "riqueza".
Boa parte das superstições chinesas gira em torno de presentes, por causa de palavras que soam parecido:
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Relógio: "dar um relógio" soa como "participar de um funeral". É considerado um dos maiores tabus.
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Pêra: a palavra tem o mesmo som de "separação".
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Guarda-chuva: soa como "romper" ou "separar".
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Sapatos: podem lembrar a palavra "mal" ou "azar".
Se você for convidado para o Ano Novo Chinês na casa de um colega, leve frutas como laranjas ou doces, e fuja do relógio e do guarda-chuva. É o tipo de cuidado que as pessoas lembram.
Coreia do Sul: nome em vermelho e ventilador ligado
A Coreia do Sul divide com Japão e China o medo do número 4. Em muitos elevadores, a letra "F" aparece no lugar do 4 para indicar o quarto andar.
Outras crenças coreanas chamam a atenção de quem chega:
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Escrever o nome de alguém em tinta vermelha. Antigamente, os nomes dos mortos eram registrados em vermelho. Escrever o nome de uma pessoa viva assim é como desejar mal a ela. Se você pretende anotar nomes de colegas, use caneta azul ou preta.
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Assobiar à noite. A tradição diz que isso atrai espíritos (em outra versão, cobras).
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Dormir com o ventilador ligado em um quarto fechado. É a famosa "morte por ventilador". Não existe comprovação científica, mas a crença é tão forte que os ventiladores vendidos no país têm timer de desligamento automático.
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Rússia: assobio dentro de casa e flores em número par
Os russos levam as superstições a sério, e uma pesquisa do instituto Levada Center, de 2013, mostrou que 52% deles acreditavam em presságios, sonhos proféticos ou astrologia. Alguns hábitos que você precisa conhecer:
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Assobiar dentro de casa. Diz-se que atrai problemas financeiros, como se o assobio "soprasse" o dinheiro para fora.
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Cumprimentar ou passar objetos pela soleira da porta. Pela tradição, é na soleira que mora o espírito da casa, e atravessar a linha com um aperto de mão dá azar. O certo é entrar primeiro e cumprimentar depois.
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Dar flores em número par. Buquês pares são reservados para funerais. Nas celebrações, leve sempre uma quantidade ímpar.
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Sentar em silêncio antes de viajar. Antes de partir, todos os presentes sentam por um instante, como um ritual de boa viagem.
Para um intercambista, a gafe mais provável é a das flores. Na dúvida, conte o buquê antes de entregar.
Itália: o número 17 é o vilão (e o 13 é sorte)
Na Itália, quem assusta é a sexta-feira 17, e não a 13. O número 17 é visto como azarado, e algumas companhias aéreas e hotéis chegam a pular a fileira ou o andar 17. A explicação mais citada está nos algarismos romanos: XVII pode ser reorganizado em VIXI, que em latim significa "vivi", uma forma de dizer que a vida acabou.
E tem uma curiosidade para quem gosta de contrariar o senso comum: o 13 é considerado número de sorte por lá.
Espanha e Grécia: a terça-feira 13
Na Espanha, em partes da América Latina e na Grécia, o dia temido é a terça-feira 13. Dois fatores ajudam a explicar:
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A ligação com Marte (Ares). Em espanhol, terça-feira é "martes", palavra derivada de Marte, o deus da guerra. Na Grécia, a tradição também associa o dia à destruição.
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A queda de Constantinopla. A cidade caiu em uma terça-feira, 13 de abril de 1204, durante a Quarta Cruzada, e a lembrança ficou marcada na memória popular grega.
Na tradição espanhola, esse é um dia para não se casar nem embarcar em um navio ou avião. Se você estiver por lá numa terça-feira 13, não estranhe se um colega adiar a viagem de fim de semana.
Alemanha: brindes com olho no olho e parabéns só no dia certo
A Alemanha é conhecida pela organização, mas também tem suas superstições:
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Dar parabéns antes do aniversário. Desejar feliz aniversário com antecedência, mesmo que por poucos minutos, é considerado azar. Por isso existe o reinfeiern: a turma se reúne na véspera e espera o relógio bater meia-noite para cantar parabéns.
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Brindar sem olhar nos olhos. Quem não faz contato visual ao brindar ganharia, segundo a brincadeira popular, sete anos de azar na vida íntima. Por trás da piada, há uma regra de educação: o olhar mostra confiança.
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Brindar com água. É visto como mau presságio, com raízes na Grécia Antiga, quando se brindava aos mortos com água.
Se você estudar na Alemanha, guarde a mensagem de parabéns para o dia certo. Seu colega vai agradecer.
Turquia e Grécia: o mau-olhado e os amuletos azuis
Na Turquia e na Grécia, o que mais assusta é o mau-olhado: a ideia de que um olhar de inveja ou de admiração excessiva pode trazer azar, doença ou má sorte, muitas vezes sem que a pessoa que olhou tenha má intenção.
Para se proteger, cada país tem seus truques:
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Turquia: o amuleto azul chamado nazar boncuğu aparece em casas, carros e lojas. É comum presentear alguém que está de casa nova ou abrindo um negócio.
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Grécia: o mati é o nome do mau-olhado, e a reação clássica é murmurar "ftou, ftou, ftou" (um "cuspe" simbólico) depois de um elogio, sobretudo se ele foi feito a um bebê.
Se você elogiar o filho de alguém por lá e a pessoa soltar um "ftou", não é grosseria. É proteção.
Como lidar com superstições no intercâmbio
Você não precisa acreditar em nada disso. Só precisa respeitar. Algumas atitudes ajudam:
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Pesquise antes de ir. Uma busca rápida sobre costumes e tabus do país evita gafes com a família anfitriã.
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Observe o que as pessoas fazem. Se todo mundo evita algo, provavelmente existe um motivo.
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Pergunte com curiosidade. Quase ninguém se ofende com uma dúvida sincera. A pessoa costuma adorar explicar a própria cultura.
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Cuidado com presentes. É onde estão as maiores armadilhas, principalmente na Ásia.
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Não zombe. Mesmo que você ache a crença estranha, faça piada só quando houver intimidade.
Essa postura de respeito e abertura faz parte do que chamamos de inteligência cultural, uma habilidade valorizada em qualquer universidade ou empresa internacional.
Chegou a sua vez de ir para o exterior
Se você leu até aqui, é porque a ideia de viver em outra cultura já te desperta curiosidade de verdade. E faz sentido: entender o que é azar para o outro é o primeiro passo para se sentir em casa em qualquer lugar do mundo.
Mas, para chegar lá, é preciso mais do que curiosidade. É preciso estratégia, preparação e as ferramentas certas.
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Foto de capa por Lucas George Wendt na Unsplash
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