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Tem uma pergunta que quase todo mundo faz antes de embarcar num intercâmbio, mas que poucos admitem em voz alta: "E se eu não fizer amigos?"

É uma dúvida legítima. Ir para um país diferente, sem conhecer ninguém, talvez sem dominar o idioma ainda, numa cultura que você só conhece por série e filme — parece assustador. Mas aqui vai um dado curioso: a maioria das pessoas que fazem intercâmbio diz que a parte social foi a melhor de toda a experiência.

Não porque foi fácil desde o primeiro dia. Mas porque, quando você está fora, as circunstâncias jogam a seu favor de um jeito que nunca acontece no Brasil.

Neste artigo, você vai entender como funciona a dinâmica social no intercâmbio, o que fazer para se conectar de verdade com pessoas de outros países e como aproveitar ao máximo esse lado da experiência.

O que você vai aprender:

Por que o intercâmbio é um ambiente feito para conexões

Pensa comigo: no Brasil, a maioria das pessoas está na mesma rotina há anos. Mesma faculdade, mesmo grupo de amigos, mesmo bairro. Criar conexões novas exige esforço porque as pessoas já têm a vida organizada.

No intercâmbio, a situação é outra. Todo mundo ao seu redor está na mesma situação: novo lugar, nova rotina, sem a rede de apoio de sempre. Isso cria uma abertura natural que você raramente encontra em casa.

Estudantes internacionais se conectam rápido porque precisam uns dos outros. Não é forçado — é quase instintivo. Você está no mesmo barco que a pessoa do lado, e isso já é o início de quase toda amizade boa.

Além disso, o intercâmbio coloca pessoas de culturas completamente diferentes dividindo espaço físico: dormitórios, salas de aula, cozinhas comunitárias. A convivência forçada (no bom sentido) acelera o processo de conhecer gente nova de um jeito que não acontece em nenhum outro contexto.

Onde as amizades de intercâmbio costumam começar

Foto de Felix Rostig na Unsplash

Na moradia

Se você vai ficar em uma residência universitária, hostel, casa de família ou república de intercambistas, saiba que esse é o ambiente com maior potencial de conexão. Os momentos mais simples — fazer café de manhã, dividir o banheiro, cozinhar à noite — viram oportunidade de conversa.

Não subestime a cozinha. É sério. A maioria das histórias de "melhor amigo que fiz no intercâmbio" começa numa cozinha compartilhada, às 22h, com alguém tentando cozinhar algo do próprio país.

Nos primeiros dias de orientação

Quase todos os programas de intercâmbio têm uma semana de orientação antes das aulas começarem. Esse período é ouro. Todo mundo está no mesmo ponto: perdido, animado, um pouco ansioso e completamente aberto para conhecer gente nova.

Aproveite esse momento sem hesitar. Vá para os eventos, mesmo que não pareçam super emocionantes. As melhores conexões muitas vezes acontecem nos intervalos, não nas atividades em si.

Em grupos e clubes da instituição

A maioria das universidades e programas internacionais tem grupos para quase tudo: esportes, música, fotografia, debates, jogos, idiomas, ativismo. Entrar em um ou dois desses grupos é uma das estratégias mais inteligentes para criar amizades com propósito — porque vocês já têm algo em comum além de "estamos no intercâmbio".

Pesquise o que tem disponível na sua instituição antes de chegar. E quando chegar, se inscreva cedo.

Em atividades culturais e passeios

Visitar uma cidade nova com outras pessoas cria memórias compartilhadas rapidamente. Excursões organizadas pelo programa, city tours, eventos culturais — tudo isso funciona como acelerador de conexão. Você passa horas com as mesmas pessoas em situações novas, e isso une.

O idioma imperfeito não é barreira — é assunto

Boa parte das pessoas que quer fazer intercâmbio tem medo de que o inglês (ou outro idioma) imperfeito vai atrapalhar a vida social. Acontece o oposto.

Quando você tenta falar um idioma que ainda está aprendendo, as pessoas percebem o esforço e respondem com paciência — especialmente em contextos de intercâmbio, onde todo mundo está passando pela mesma coisa. Inclusive, o fato de você estar aprendendo o idioma cria conexão por si só.

Você vai errar. Vai usar a palavra errada, vai fazer uma pausa no meio da frase, vai ter que pedir para repetirem às vezes. Isso não te deixa fora da conversa — te coloca dentro dela de um jeito autêntico.

E tem mais: falar um português que ninguém ali entende é, curiosamente, uma vantagem social. Sua identidade como brasileiro vira curiosidade. As pessoas vão querer saber de onde você vem, como é o Brasil, o que você acha do país delas. Você tem uma história diferente de todo mundo ao redor — use isso.

Estratégias práticas para não ficar isolado

Ser extrovertido ajuda, mas não é requisito. O que faz diferença mesmo é atitude — e algumas estratégias simples.

Diga sim mais do que não. No começo do intercâmbio, aceite praticamente tudo que for convidado: jantar em grupo, explorar o bairro, assistir um jogo, ir ao mercado com alguém. Você vai ter tempo para ficar em casa depois. Nos primeiros meses, o custo de recusar convites é alto demais.

Inicie conversas pequenas. Pergunte de onde a pessoa é. Pergunte o que ela achou do primeiro dia. Comente algo do ambiente ao redor. Pequenas conversas são a porta de entrada para conversas maiores.

Seja o que une o grupo. Quer fazer algo diferente? Convide. Quer explorar um restaurante, um museu, uma trilha? Chame as pessoas do dormitório. Quem toma a iniciativa raramente fica de fora.

Use aplicativos e grupos da instituição. WhatsApp, Discord, grupos do Facebook, apps específicos de intercâmbio como Meetup ou Tandem — muitos programas têm canais onde os alunos combinam atividades. Entre nesses espaços antes de chegar e acompanhe o que está sendo organizado.

Não se isole na sua língua. É natural buscar outros brasileiros quando a saudade aperta, e não há nada de errado nisso. Mas se você passar todo o intercâmbio falando só português com outros brasileiros, vai perder a maior parte do que faz a experiência valer a pena. Distribua seu tempo.

Quer saber se você está pronto para ir?

Antes de continuar, uma pausa. Se você está lendo este artigo pensando "quero muito isso, mas não sei por onde começar" — existe um lugar certo para dar esse primeiro passo.

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O que fazer quando a timidez bate

Timidez no intercâmbio é mais comum do que parece — e não é fraqueza, é humano. Mas existe uma diferença importante entre timidez e isolamento.

Se você é tímido, não precisa fingir ser uma pessoa diferente. Mas algumas coisas ajudam:

Chegue cedo. Em eventos e reuniões, chegar antes que o grupo esteja formado é mais fácil do que chegar depois e tentar entrar numa dinâmica que já existe.

Encontre um ponto de partida concreto. "De onde você é?" ou "Qual é o seu curso?" são perguntas simples que tiram o peso de ter que criar uma conversa do zero.

Dê a si mesmo tempo. Você não precisa ter melhores amigos na primeira semana. Conexões reais levam algumas semanas para se desenvolver — e isso é normal em qualquer lugar do mundo.

E lembre: quase todo mundo ao seu redor está sentindo o mesmo que você. A pessoa que parece super confiante no canto da sala provavelmente está esperando alguém chegar e conversar.

A diferença entre conhecidos e amizades reais

Num intercâmbio, você vai conhecer muita gente. Mas amizades de verdade, as que ficam depois que você volta, são um grupo menor — e se constroem diferente.

Amizades reais no intercâmbio costumam nascer de experiências compartilhadas fora do ambiente formal. Viagens de fim de semana, momentos difíceis (quando você ficou doente, perdeu um documento, não entendeu uma instrução), comemorações, noites longas de conversa. São esses momentos que criam vínculo de verdade.

Por isso, não fique só nos eventos organizados. Crie situações espontâneas. Convide alguém para caminhar sem destino. Proponha cozinhar juntos. Esses momentos simples pesam mais do que qualquer atividade social programada.

Como manter as amizades depois que o intercâmbio acaba

Esse é o ponto que mais gera tristeza no fim de um intercâmbio: você criou conexões genuínas com pessoas espalhadas pelo mundo, e agora cada um vai para um lado.

A boa notícia é que manter contato ficou mais fácil do que nunca. Mas exige intenção.

Troque contatos antes de ir embora. Não deixe para o último dia. Conforme o intercâmbio for chegando ao fim, troque redes sociais, WhatsApp e qualquer outro canal com as pessoas que fizeram diferença.

Combine algo concreto. "A gente se fala" funciona menos do que "vamos marcar uma call na segunda semana do mês que vem". Quanto mais específico, maior a chance de acontecer.

Planeje um reencontro, mesmo que distante. Uma das melhores coisas que o intercâmbio faz é te dar motivos para viajar novamente. Quando você tem amigos em vários países, cada destino passa a ter um rosto.

E tem algo que vale dizer: essas amizades costumam ser diferentes das que você tem no Brasil. Foram construídas fora da zona de conforto, em situações que exigem abertura real.

Elas têm uma profundidade diferente — e muitas pessoas que fizeram intercâmbio dizem que essas são as amizades mais duradouras que têm.

A vida social como parte da estratégia, não só do prazer

Tem um ponto que vai além da experiência pessoal: a vida social no intercâmbio é também parte da sua construção profissional e acadêmica.

As pessoas que você conhece fora são colegas de profissão em potencial, referências para futuras oportunidades, conexões que podem abrir portas que você nem sabe que existem ainda. O networking internacional não acontece em eventos formais — acontece na mesma cozinha, no mesmo dormitório, na mesma excursão de fim de semana.

Quem vai para o exterior com essa visão aproveita a experiência de um jeito completamente diferente.

Chegou a sua vez de ir para o exterior

Se você leu até aqui, é porque o intercâmbio não é só um sonho distante — é algo que você está pensando de verdade. E a parte social, como você viu, não precisa ser motivo de medo. Ela pode ser o maior presente que a experiência vai te dar.

Mas para chegar lá, é preciso mais do que vontade. É preciso estratégia, preparação e as ferramentas certas.

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Foto de capa por Kimson Doan na Unsplash