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Você já imaginou passar as férias da faculdade trabalhando em Dublin, Berlim ou Lisboa enquanto economiza para se manter no exterior — ou até para financiar a próxima etapa da sua vida fora do Brasil?
Na Europa, não existe um único programa de Work and Travel. Há rotas diferentes para brasileiros, como autorizações de estudante vinculadas a cursos elegíveis no país de destino e o Working Holiday entre Brasil e Alemanha. Cada rota tem requisitos próprios de matrícula, idade, idioma, recursos financeiros e permissão de trabalho.
O problema é que a maioria das pessoas que pesquisa sobre isso encontra informações genéricas, desatualizadas ou voltadas para a Austrália e os EUA — e acaba sem saber que a Europa tem opções reais, estruturadas e acessíveis para quem ainda está na graduação.
Neste artigo, você vai conhecer caminhos legais para estudar e trabalhar em países europeus — incluindo permissões vinculadas a cursos no próprio destino e o Working Holiday entre Brasil e Alemanha —, entender os limites de cada rota e descobrir como se preparar com antecedência.
O que você vai aprender:
- Por que a Europa é uma opção viável para Work and Travel
- Quais países aceitam universitários brasileiros para trabalhar legalmente
- Como funciona a permissão de trabalho em cada destino
- Quanto é possível ganhar e em quais áreas há mais vagas
- Como se preparar para aplicar com antecedência
Por que o Work and Travel na Europa vale a pena para universitários
Antes de entrar nos países, vale entender por que a Europa é uma boa escolha — e por que ela costuma ser subestimada.
Alguns países europeus permitem que estudantes internacionais trabalhem dentro dos limites da autorização de residência para estudos. Isso não significa que estar matriculado em uma faculdade brasileira, sozinho, dê direito a trabalhar na Europa: nos exemplos de Irlanda, Alemanha, Portugal, Espanha e Países Baixos, a permissão depende do curso e do status migratório no destino.
Na Alemanha existe também uma rota distinta: o Working Holiday para brasileiros de 18 a 30 anos, voltado a uma estadia de até 12 meses com trabalhos temporários. Como as regras variam, curso, permissão de trabalho e orçamento precisam ser confirmados antes da viagem.
Além do fator financeiro, há algo que não tem preço: a experiência real de trabalhar em outro país, construir rede de contatos internacionais, aprimorar o idioma em contexto real e entender como funciona o mercado de trabalho europeu por dentro.
Para quem está na faculdade e ainda não tem clareza sobre o próximo passo, uma temporada assim pode mudar completamente a perspectiva de carreira.
Irlanda: o destino mais flexível para universitários brasileiros
A Irlanda é, há anos, o destino preferido dos brasileiros que querem unir estudo e trabalho na Europa — e não é por acaso.
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Com uma permissão Stamp 2 válida, estudantes não europeus matriculados em período integral em um curso elegível podem trabalhar até 20 horas por semana no período letivo e até 40 horas por semana de junho a setembro e de 15 de dezembro a 15 de janeiro.
O inglês é uma das línguas oficiais do país, e o salário mínimo está entre os mais altos da Europa, o que ajuda bastante a equilibrar as contas. Dublin concentra a maioria das vagas em hospitalidade, serviços, comércio e atendimento ao cliente.
O que você precisa para ir à Irlanda:
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Estar matriculado em período integral em um curso elegível no ILEP
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Obter e registrar uma permissão Stamp 2 válida na Irlanda
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Comprovar os recursos financeiros exigidos para a estadia
Outro ponto a favor: a facilidade de viajar para outros países europeus e a grande comunidade brasileira são pontos que atraem muitos estudantes.
Alemanha: ideal para quem quer algo mais estratégico
A Alemanha é o destino certo para quem está na graduação e quer uma experiência mais ligada ao mercado de trabalho qualificado.
Com uma autorização de residência para estudos na Alemanha, estudantes internacionais podem trabalhar até 140 dias inteiros ou 280 meios dias por ano. Como alternativa, podem trabalhar até 20 horas por semana durante o período letivo, respeitadas as condições da autorização.
O Working Holiday é fruto de um acordo bilateral entre o Brasil e a Alemanha que permite que jovens de ambos os países tenham uma experiência de intercâmbio cultural, com liberdade para viajar e trabalhar ao longo de um período de até doze meses. Ele é voltado para jovens entre 18 e 30 anos e é uma alternativa mais acessível para quem não está matriculado em uma universidade alemã.
Para universitários brasileiros que querem ir como estudantes ou estagiários, a Alemanha também oferece o visto de estágio — que exige que o estágio seja vinculado à área do seu curso superior e que você tenha completado pelo menos quatro semestres.
O que diferencia a Alemanha:
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Forte mercado de trabalho em tecnologia, engenharia, indústria e pesquisa
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Possibilidade de buscar emprego por até 18 meses após a formatura
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Acesso ao espaço Schengen, facilitando viagens pela Europa durante a estadia
O idioma exigido varia conforme o curso e a vaga. Muitos programas e empregos pedem alemão, enquanto algumas oportunidades internacionais usam inglês; confirme o requisito da instituição e do empregador.
Portugal: a porta de entrada mais acessível
Portugal tem uma posição única para brasileiros: o idioma em comum elimina uma das maiores barreiras iniciais e o custo de vida ainda é mais baixo do que em destinos como Irlanda ou Alemanha.
Em Portugal, titulares de autorização de residência para estudos no ensino superior podem exercer atividade profissional, desde que façam a comunicação exigida à autoridade migratória competente e apresentem o contrato de trabalho. A permissão depende do título de residência e das condições do processo; estar matriculado apenas no Brasil não autoriza o trabalho em Portugal.
Antes de começar a trabalhar, confirme o procedimento vigente no portal do Governo português ou da AIMA e mantenha a comunicação e o contrato vinculados ao processo de residência.
Áreas com mais vagas em Portugal:
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Hospitalidade (hotéis, restaurantes, eventos)
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Varejo e atendimento ao cliente
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Tecnologia e startups (especialmente em Lisboa e Porto)
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Saúde e cuidados (para quem tem formação na área)
Espanha: até 30 horas semanais em estudos superiores
Na Espanha, a autorização de estada de longa duração para estudos superiores permite trabalhar por conta própria ou de terceiros, sem trâmite adicional, desde que a atividade seja compatível com os estudos e não ultrapasse 30 horas por semana.
O país oferece cidades vibrantes, clima favorável e um custo de vida que varia bastante: Barcelona e Madrid são mais caras, mas cidades como Valência, Sevilha e Granada têm um custo bem mais acessível.
O espanhol é o idioma de trabalho — o que para muitos brasileiros é uma vantagem, já que a proximidade com o português facilita a aprendizagem rápida.
Atenção: a autorização para estudos exige matrícula em instituição reconhecida e comprovação dos recursos financeiros aplicáveis. A regra automática de trabalho está ligada aos estudos superiores; a modalidade do curso e as demais condições da autorização precisam ser conferidas antes de aceitar uma vaga.
Países Baixos: uma opção para quem tem inglês sólido
A Holanda é menos citada, mas é um destino cada vez mais relevante para universitários brasileiros — principalmente para quem busca vagas na área de tecnologia, ciências e design.
Com autorização de residência para estudos, estudantes internacionais nos Países Baixos podem escolher entre trabalhar até 16 horas por semana ao longo do ano ou em período integral apenas em junho, julho e agosto. Em ambos os casos, o empregador precisa solicitar a autorização de trabalho TWV.
O grande diferencial holandês é que muitas empresas — de pequenas startups a multinacionais como ASML, Philips e Booking — têm processos seletivos conduzidos totalmente em inglês.
O desafio: o custo de vida em Amsterdã é alto. Planejar-se financeiramente antes de embarcar é fundamental.
O que todos esses destinos têm em comum
Independentemente do país escolhido, há um conjunto de pontos que se repetem e que você precisa ter em mente:
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A autorização correta precisa ser obtida conforme as regras do destino e da rota escolhida. Não presuma que entrar como turista permite trabalhar ou regularizar a atividade depois; confirme os procedimentos oficiais antes de embarcar.
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O trabalho precisa ser legal. Trabalhar sem autorização coloca em risco não só a estadia atual, mas toda a sua trajetória internacional futura. Qualquer irregularidade pode resultar em deportação e proibição de entrada.
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Inglês ou o idioma local faz diferença. Mesmo na Irlanda, onde o inglês é nativo, uma comunicação clara abre muito mais portas. Em Alemanha e Espanha, o idioma local é quase obrigatório para funções além de serviços básicos.
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O planejamento precisa começar com antecedência. Processos de visto, inscrição em cursos, comprovação financeira e busca de emprego levam tempo. Quem começa a se preparar com pelo menos seis meses de antecedência tem muito mais chances de acertar.
Quanto dá para ganhar trabalhando na Europa nas férias
Os valores variam bastante por país, mas para ter uma referência:
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Irlanda: salário mínimo de €14,15 por hora desde 1º de janeiro de 2026. Em uma jornada autorizada de 40 horas semanais nas férias, a remuneração bruta mensal pode superar €2.000.
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Alemanha: salário mínimo nacional de €13,90 por hora desde 1º de janeiro de 2026.
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Portugal: remuneração mínima mensal de €920 em Portugal continental desde 1º de janeiro de 2026.
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Espanha: salário mínimo de €1.221 mensais em 14 pagamentos, total anual de €17.094 em 2026.
Esses valores são referências brutas. O saldo depende das horas autorizadas, impostos, aluguel, cidade e período contratado; o trabalho pode ajudar a cobrir parte dos custos, mas não substitui a comprovação financeira exigida para estudar.
Como se preparar para o Work and Travel na Europa
O processo começa muito antes do embarque. Veja os passos essenciais:
Escolha o país com base no seu perfil e objetivos. Se você quer praticar inglês, a Irlanda é o melhor destino. Se tem afinidade com o mercado de tecnologia ou engenharia, a Alemanha faz mais sentido. Se o idioma é uma barreira, Portugal oferece o menor atrito inicial.
Pesquise os requisitos de visto específicos do país de destino. Cada país tem suas regras, e elas mudam com frequência. Consulte sempre o site oficial do consulado ou da embaixada.
Comprove a matrícula exigida pelo destino. Nos caminhos de estudante citados, o direito de trabalhar depende de curso elegível no próprio país de destino; a matrícula no Brasil, sozinha, não concede permissão de trabalho.
Cuide do idioma com antecedência. Mesmo que o inglês não seja exigido formalmente, ele abre portas para vagas melhores e bem mais bem pagas. Para Alemanha e Espanha, o idioma local é praticamente indispensável.
Tenha uma reserva financeira mínima. Todos os países exigem comprovação de que você tem condições de se manter nos primeiros meses, antes de começar a trabalhar.
Considerações finais sobre Work and Travel na Europa
Estudar e trabalhar legalmente na Europa é possível, mas não existe um único programa europeu de Work and Travel. Cada destino tem uma rota própria — como a permissão de estudante vinculada a um curso elegível no país ou o Working Holiday entre Brasil e Alemanha —, com limites e requisitos diferentes.
A diferença entre quem vai e quem fica sonhando não é sorte — é preparação. Saber qual país escolher, como solicitar o visto certo, o que o empregador vai exigir e como se posicionar no mercado local são habilidades que se aprendem antes de embarcar.
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