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Existe um jeito de fazer faculdade fora do Brasil e sair de lá não só com o diploma, mas com quase dois anos de experiência profissional remunerada no currículo. Não é bolsa, não é estágio paralelo escondido do visto: é parte do curso, prevista no contrato com a universidade. O nome disso é sistema co-op.

Se você já pesquisou sobre estudar no Canadá ou na Austrália, provavelmente esbarrou nesse termo sem entender direito o que ele significa na prática. Co-op não é só "trabalhar durante o intercâmbio" — é um modelo educacional específico, com regras próprias, remuneração garantida em muitos casos e um impacto direto na sua empregabilidade depois de formado.

Neste artigo você vai entender como o co-op funciona de verdade, por que ele não é a mesma coisa no Canadá e na Austrália, e o que mudou recentemente nas regras de visto dos dois países para quem participa desse tipo de programa.

O que você vai aprender:

  • O que é, de fato, o sistema co-op (e por que ele é diferente de um estágio comum)
  • Como o modelo funciona no Canadá, com a CEWIL Canada por trás das regras
  • Como a Austrália trata o mesmo conceito sob o nome de Work Integrated Learning (WIL)
  • O que mudou no visto de estudante canadense em abril de 2026
  • Como funciona a isenção de horas no visto australiano para quem faz estágio obrigatório
  • Canadá x Austrália: as principais diferenças lado a lado
  • Como saber se um curso tem co-op antes de se candidatar

O que é o sistema co-op, afinal

Co-op é a abreviação de cooperative education, um modelo em que o curso alterna períodos de aula com períodos de trabalho remunerado na área de formação.

Não é uma opção informal: para ser chamado de co-op, o programa precisa seguir critérios formais, que no Canadá são definidos pela CEWIL Canada (Co-operative Education and Work-Integrated Learning Canada), a entidade que regula e credencia esses programas no país.

Segundo a CEWIL, um programa só pode ser chamado de co-op se cumprir, ao mesmo tempo:

  • O trabalho é relevante para o curso do estudante

  • O estudante exerce a função de verdade, não apenas observa

  • O trabalho é remunerado

  • A universidade acompanha o progresso do estudante durante o período de trabalho

  • O estudante entrega um relatório do período de trabalho, avaliado pela instituição

  • O empregador supervisiona e avalia formalmente o desempenho do estudante

Isso é o que separa o co-op de um estágio qualquer: ele é parte curricular, monitorado por três partes (universidade, empregador e estudante) e, principalmente, remunerado por definição — não por sorte ou negociação individual.

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Como o co-op funciona no Canadá

O Canadá é o país onde o modelo co-op está mais consolidado e institucionalizado. De acordo com a CEWIL, existem hoje mais de 6.200 programas de Work Integrated Learning distribuídos em mais de 80 instituições de ensino superior canadenses.

Como funciona na prática:

  • O curso alterna semestres de aula com "work terms" (termos de trabalho), geralmente de 4 meses cada

  • Um work term equivale a aproximadamente 420 a 520 horas de trabalho

  • O estudante pode ter de 4 a 6 work terms ao longo da graduação, dependendo do programa

  • Um curso com co-op costuma levar cerca de 1 ano a mais para ser concluído, mas o estudante se forma com até dois anos de experiência profissional remunerada

  • O co-op pode ser obrigatório (comum em Engenharia) ou opcional, exigindo inscrição própria e, em alguns casos, GPA mínimo (normalmente entre 2,5 e 3,0)

Quanto se ganha: a remuneração varia por instituição e área, mas fica na faixa de CAD $9.000 a CAD $23.000 por work term de 4 meses, o suficiente para cobrir boa parte dos custos do intercâmbio.

Canadá além de Toronto e Vancouver: qual cidade é certa para você?

Onde encontrar: universidades como University of Waterloo (referência mundial em co-op na área de tecnologia, com mais de 120 programas credenciados pela CEWIL), University of Toronto (com o Professional Experience Year, de 12 a 16 meses), Université de Sherbrooke (pioneira do modelo no país) e Dalhousie University têm programas consolidados.

O que mudou no visto canadense em abril de 2026

Até março de 2026, estudantes internacionais em cursos com componente de trabalho obrigatório (co-op, estágio ou prática supervisionada) precisavam de uma autorização de trabalho separada, o co-op work permit, além do próprio visto de estudante (study permit).

A partir de 1º de abril de 2026, o Canadá eliminou essa exigência para estudantes de nível pós-secundário: o próprio study permit passou a cobrir a participação em placements obrigatórios, desde que:

  • O estágio seja exigido para concluir o curso e confirmado por carta da instituição (DLI)

  • O study permit tenha as condições de trabalho corretas já registradas

  • O componente de trabalho não ultrapasse 50% da duração total do curso

Não há limite de horas semanais para esses placements — a única restrição é o teto de 50% do curso. Estudantes de nível secundário (equivalente ao ensino médio) continuam precisando do co-op work permit separado.

LEIA TAMBÉM: O que é o PGWP e o que mudou para trabalhar no Canadá

Como funciona na Austrália: o modelo WIL

A Austrália não usa o termo "co-op" da mesma forma que o Canadá. O conceito equivalente ali se chama Work Integrated Learning (WIL), um guarda-chuva mais amplo que inclui placements, estágios, projetos com empresas parceiras e até simulações de ambiente de trabalho — nem todos remunerados.

Essa é a diferença mais importante entre os dois países: no Canadá, remuneração é requisito para o programa ser chamado de co-op. Na Austrália, o WIL pode ser pago ou não pago, dependendo da universidade, do curso e do tipo de atividade.

Como o WIL aparece nas universidades australianas:

  • University of Sydney, UNSW, Monash, UTS, Deakin, RMIT, ACU, UWA e ECU têm programas estruturados de WIL, cada um com formato próprio

  • RMIT tem o programa que mais se aproxima do modelo canadense: o Co-operative Education, um placement obrigatório de 10 a 12 meses dentro do Bachelor of Business Professional

  • Em Swinburne, o modelo equivalente se chama Professional Placements: 12 meses, geralmente no terceiro ano, remunerado, com empresas como Deloitte e CSIRO entre os parceiros

  • Áreas como Enfermagem e Educação costumam usar WIL na forma de estágio clínico ou prática supervisionada, nem sempre remunerada

Visto de estudante australiano e horas de trabalho no WIL

O visto de estudante australiano (subclass 500) limita o trabalho a 48 horas por quinzena durante o período letivo. Mas existe uma exceção direta para quem faz WIL: se o estágio for obrigatório e estiver formalmente registrado no CRICOS (o registro oficial de cursos para estudantes internacionais), as horas desse estágio não contam para o limite de 48 horas — mesmo que o estágio não seja remunerado.

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Isso significa que um estudante em placement clínico obrigatório de tempo integral, por exemplo, pode cumprir a carga horária exigida sem violar as condições do visto, algo que não seria possível em um trabalho comum.

Canadá x Austrália: comparação direta

Critério

Canadá (co-op)

Austrália (WIL)

Órgão de referência

CEWIL Canada

WIL Australia

Remuneração

Obrigatória por definição

Varia — paga ou não paga

Duração típica

Work terms de 4 meses (múltiplos)

10 a 12 meses (RMIT, Swinburne) ou variável por curso

Formato do visto

Study permit cobre o placement (desde abr/2026)

Subclass 500 com isenção de horas para placement obrigatório no CRICOS

Impacto no tempo de curso

Curso costuma levar +1 ano

Geralmente já embutido na duração padrão

Onde é mais forte

Engenharia, TI, Ciência da Computação

Negócios, Enfermagem, Educação

Vantagens de escolher um curso com co-op ou WIL

  • Experiência real antes de se formar: você sai da faculdade com histórico profissional, não só teoria

  • Renda durante o curso: no modelo canadense, isso ajuda diretamente a cobrir custos de vida

  • Rede de contatos: muitos estudantes recebem proposta de emprego da própria empresa onde fizeram o work term

  • Diferencial em processos seletivos: empregadores no Canadá e na Austrália reconhecem programas credenciados como sinal de preparo prático

  • Facilita a transição para vistos de trabalho pós-graduação, já que a experiência local conta a favor em processos como o PGWP canadense

Como saber se um curso tem co-op antes de se candidatar

Antes de aplicar, verifique diretamente na página oficial do curso (não em agregadores) se o co-op ou WIL é:

  • Obrigatório — já embutido no currículo, sem inscrição separada

  • Opcional — disponível, mas exige aplicação própria e, às vezes, requisitos de desempenho acadêmico

  • Competitivo — depende de seleção, GPA mínimo ou vagas limitadas

Essa informação normalmente aparece na página do departamento ou no guia acadêmico do curso, junto com detalhes sobre remuneração, duração dos work terms e taxa de co-op (no Canadá, universidades cobram uma taxa para manter a estrutura do programa).

Perguntas frequentes sobre o sistema co-op

O que é o sistema co-op? É um modelo educacional que alterna períodos de aula com períodos de trabalho remunerado na área do curso, formalmente integrado ao currículo e supervisionado pela universidade e pelo empregador.

Co-op é a mesma coisa que estágio? Não necessariamente. No Canadá, co-op segue critérios formais definidos pela CEWIL Canada, incluindo remuneração obrigatória e avaliação conjunta entre universidade e empregador — o que nem todo estágio tradicional cumpre.

Preciso de uma autorização de trabalho separada para fazer co-op no Canadá? Desde 1º de abril de 2026, estudantes de nível pós-secundário não precisam mais do co-op work permit separado: o próprio study permit cobre a participação em placements obrigatórios, desde que o componente de trabalho não ultrapasse 50% do curso. Estudantes de nível secundário ainda precisam da autorização separada.

Todo curso co-op no Canadá é remunerado? Sim. Pela definição da CEWIL Canada, remuneração é um requisito obrigatório para o programa ser reconhecido como co-op.

O WIL na Austrália é sempre pago? Não. Diferente do co-op canadense, o Work Integrated Learning australiano pode incluir placements pagos ou não pagos, dependendo da universidade e do tipo de atividade.

As horas de estágio obrigatório contam no limite de trabalho do visto australiano? Não. Se o estágio for obrigatório e estiver registrado no CRICOS do curso, as horas não contam para o limite de 48 horas por quinzena do visto subclass 500.

Como sei se o curso que eu quero tem co-op ou WIL? Verifique na página oficial do curso ou do departamento na universidade — geralmente há uma seção específica sobre co-op, WIL, work-integrated learning ou placements, com detalhes sobre obrigatoriedade, duração e remuneração.

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Foto de capa por Johnny Bhalla na Unsplash