🕐 Tempo de leitura estimado: 8 minutos

Existe um mito que afasta muita gente do processo de aplicação para bolsas internacionais antes mesmo de tentar: a ideia de que, sem inglês avançado, não há o que fazer. Que o TOEFL e o IELTS são obstáculos intransponíveis, e que as melhores oportunidades são exclusivas para quem já domina o idioma há anos.

Esse mito é falso. Mas há uma verdade dentro dele que vale entender.

O nível de idioma importa — e muito. Ele não é uma barreira absoluta para quem está começando, porque existem programas sólidos e com bolsa integral acessíveis para quem tem inglês básico ou nenhum inglês. Mas é uma alavanca real: quanto mais você avança na língua, mais portas se abrem, mais programas ficam disponíveis e mais competitivo você se torna em processos seletivos concorridos.

Este artigo existe para te mostrar os dois lados dessa equação de forma honesta. Você vai entender o que cada faixa de nível abre para você hoje e o que é possível conquistar ao longo do caminho.

O que você vai aprender:

O que os programas realmente pedem

Antes de qualquer coisa, é importante entender que não existe um padrão único. Cada programa, bolsa e universidade define seus próprios requisitos de idioma — e esses requisitos variam bastante conforme o país, o nível acadêmico e o tipo de oportunidade.

O que existe é uma lógica geral:

Entender essa lógica é o primeiro passo para saber onde você se encaixa agora e para onde quer chegar.

Para quem está começando: sim, há oportunidades reais

A primeira coisa que precisa ficar clara é esta: não ter inglês fluente não elimina você do mapa de oportunidades internacionais.

Existem programas sólidos, com bolsa integral ou auxílios significativos, que aceitam candidatos sem certificado de proficiência — e em alguns casos, sem qualquer exigência formal de idioma.

Países de língua portuguesa

Portugal é o exemplo mais óbvio. Universidades portuguesas aceitam brasileiros diretamente, muitas vezes com base no histórico escolar ou no ENEM, sem exigir TOEFL ou IELTS. O idioma de estudo já é o português, o que elimina essa barreira completamente. Existem bolsas parciais e integrais nesse contexto.

América Latina

Argentina, México, Colômbia, Chile e Uruguai têm programas de mobilidade e bolsas para brasileiros em que o idioma exigido é o espanhol — não o inglês. Em muitos casos, aceita-se nível básico ou intermediário, e há editais disponíveis em português. Universidades como UBA (Argentina) e UNAM (México) estão nessa lista.

Programas com curso de idioma incluso

Alguns dos programas mais generosos do mundo incluem um curso preparatório de idioma local antes do início das atividades acadêmicas. É o caso das bolsas MEXT (governo japonês) e GKS (governo sul-coreano): você pode se candidatar sem falar japonês ou coreano, porque o programa inclui até um ano de estudo do idioma como parte da bolsa. Alemanha e Rússia também têm programas nesse formato.

Isso significa que o ponto de partida pode ser zero no idioma local — desde que o candidato demonstre potencial, histórico sólido e comprometimento na candidatura.

O que dá para concluir disso:

Quem está começando no idioma tem portas abertas. São oportunidades reais, em países e instituições de qualidade, que não exigem que você prove fluência no inglês antes de se candidatar. O ângulo de entrada é diferente — mas existe.

LEIA TAMBÉM: Como aprender idioma viajando: imersão sem pagar curso

Como o nível de inglês expande o mapa

À medida que o inglês avança, algo acontece: o número de programas disponíveis cresce de forma não-linear. Não é que uma nova porta se abra a cada ponto ganho no TOEFL. É que faixas de nível desbloqueiam categorias inteiras de oportunidades.

Nível B1–B2 (intermediário a intermediário-alto)

Com inglês intermediário — o equivalente a TOEFL 60–80 ou IELTS 5.5–6.5 — o candidato já consegue acessar programas de mobilidade acadêmica, alguns programas culturais e intercâmbios de curta duração em países anglófonos. Certas modalidades do Erasmus+ também ficam disponíveis nesse patamar.

Ainda não é o nível exigido pelos programas mais concorridos, mas já é suficiente para começar a construir histórico internacional — o que, por si só, fortalece candidaturas futuras.

Nível B2–C1 (avançado)

Este é o patamar onde o leque de bolsas se abre de forma significativa.

O Erasmus Mundus, por exemplo, um dos programas de mestrado mais prestigiados do mundo com bolsa integral financiada pela União Europeia, exige tipicamente IELTS 6.5 Academic ou equivalente em TOEFL. Alguns programas do consórcio pedem IELTS 7.0 ou TOEFL iBT 95+, correspondendo ao nível C1.

É nessa faixa também que programas governamentais de alto nível — como bolsas de países nórdicos, bolsas do governo alemão via DAAD e programas de pesquisa em universidades europeias — se tornam acessíveis para candidatos brasileiros.

Nível C1–C2 (avançado a fluente)

No topo da escala, ficam os programas mais seletivos e de maior prestígio. O programa Fulbright, considerado uma das bolsas mais competitivas do mundo para brasileiros nos EUA, exige TOEFL iBT mínimo de 102 pontos para a maioria de suas modalidades, o que corresponde a um nível C1 sólido.

Universidades de elite nos Estados Unidos e no Reino Unido costumam pedir acima de 90–100 no TOEFL ou 7.0–7.5 no IELTS para admissão em programas de pós-graduação. Harvard, Columbia, MIT e Oxford estão nessa categoria.

A tabela abaixo resume as faixas de forma prática:

Nível

TOEFL iBT

IELTS

Exemplos de acesso

Básico / sem inglês

MEXT, GKS, Portugal, América Latina

B1–B2

60–79

5.5–6.0

Alguns programas Erasmus+, mobilidade acadêmica

B2–C1

80–99

6.5–7.0

Erasmus Mundus, DAAD, bolsas europeias

C1–C2

100+

7.0–8.0

Fulbright, universidades de elite EUA/UK

Ainda não sabe por onde começar sua candidatura para uma bolsa internacional? A Escola M60 é o maior preparatório do Brasil para intercâmbios gratuitos ou com bolsa e está com vagas abertas para a próxima turma com condições exclusivas. 👉 CLIQUE PARA FAZER O PRÉ-CADASTRO

O idioma como critério de seleção, não só de requisito

Existe uma distinção importante que a maioria das pessoas ignora: há uma diferença entre o idioma como requisito mínimo de candidatura e o idioma como critério de seleção.

O requisito mínimo é a nota de corte — você precisa de pelo menos X no TOEFL para nem ser desqualificado. O critério de seleção é o que diferencia candidatos dentro do grupo dos aprovados no requisito.

Em programas muito concorridos, simplesmente atingir a nota mínima não é suficiente. Um candidato com TOEFL 105 tem uma candidatura mais forte do que outro com 82, mesmo que os dois tenham passado do mínimo exigido.

E candidatos com proficiência comprovada em mais de um idioma ganham pontos adicionais em praticamente qualquer avaliação — porque demonstram capacidade de adaptação, abertura cultural e esforço deliberado.

Isso significa que trabalhar o idioma além do requisito mínimo é uma estratégia real de candidatura, não só de elegibilidade.

Outros idiomas além do inglês: o multiplicador ignorado

O inglês domina a conversa sobre idiomas e bolsas internacionais — mas ele não é o único fator.

Aprender um segundo idioma além do inglês pode multiplicar significativamente as oportunidades disponíveis para um candidato brasileiro, especialmente quando esse idioma abre acesso a programas específicos de países que têm interesse estratégico em receber estudantes estrangeiros.

Alemão: a Alemanha tem um dos sistemas de bolsas mais robustos do mundo para estrangeiros, via DAAD e via universidades públicas. Algumas modalidades aceitam candidatos sem alemão, com curso incluso. Mas candidatos com nível B2 em alemão têm acesso a uma gama muito mais ampla de programas, incluindo posições de pesquisa remuneradas.

Francês: a França oferece bolsas via Campus France e pelo governo francês que são conduzidas exclusivamente em francês. O DELF B2 ou DALF C1 abre esse universo de forma direta.

Japonês e coreano: mesmo que as bolsas MEXT e GKS não exijam proficiência prévia, candidatos que chegam com algum nível no idioma local têm vantagem na seleção e uma adaptação muito mais rápida — o que melhora o desempenho dentro do programa.

Espanhol: para quem tem interesse em fazer intercâmbio na América Latina ou na Espanha, o espanhol é a porta principal. E para brasileiros, é o idioma com menor curva de aprendizado — o que torna esse investimento particularmente eficiente.

Como usar o idioma como vantagem competitiva já na candidatura

Entender o mapa de bolsas por nível de idioma não serve só para saber onde você está hoje. Serve para construir uma estratégia.

Se você está no nível básico, o caminho mais inteligente não é esperar até atingir C1 para começar a se candidatar. É identificar os programas acessíveis no seu nível atual, aplicar para eles, ganhar experiência internacional — e usar isso como diferencial nas candidaturas seguintes, enquanto avança no idioma em paralelo.

Se você já está no nível intermediário-avançado, a pergunta é: qual a distância entre onde estou e o requisito dos programas que realmente quero? Muitas vezes, seis meses de preparação direcionada para o TOEFL ou o IELTS já colocam o candidato no patamar que abre um conjunto completamente diferente de oportunidades.

E se você já tem C1 ou C2, a estratégia muda: o idioma deixa de ser o gargalo e o foco passa para os outros elementos da candidatura — carta de motivação, cartas de recomendação, histórico acadêmico e profissional, clareza de objetivos.

Em qualquer dos três casos, a lógica é a mesma: o idioma é um ativo que se acumula, e cada avanço abre novas possibilidades.

Chegou a sua vez de conquistar uma bolsa no exterior

A relação entre idioma e bolsas internacionais não é binária. Não existe um ponto mágico em que você "fica pronto" — existe um espectro de oportunidades que se expande conforme você avança.

Quem está começando do zero pode acessar programas reais, em países como Japão, Coreia do Sul, Portugal e países da América Latina, sem precisar apresentar TOEFL ou IELTS. Quem está no intermediário já desbloqueou uma camada importante de programas europeus. Quem chegou ao avançado tem acesso às bolsas mais concorridas e prestigiadas do mundo.

O ponto não é "espere ter o idioma perfeito para tentar". O ponto é entender em que momento do caminho você está e quais portas esse momento já abre — enquanto continua avançando.

Se você leu até aqui, já está um passo à frente de quem nem parou para pensar nisso. O próximo passo é descobrir o que existe de concreto para o seu perfil.

A Escola M60 é a maior escola preparatória do Brasil para intercâmbios e está com vagas abertas para a nova turma. Nela, você tem acesso a ferramentas exclusivas, conteúdos sempre atualizados e o suporte de diversos mentores para te ajudar a criar a estratégia de aplicação perfeita para o seu perfil e objetivos!

Além de aulas gravadas, você também terá aulas ao vivo, buscador de bolsas abertas, acesso à nossa IA focada em intercâmbios, simuladores de provas internacionais, revisão de documentos, e ainda fará parte da Comunidade M60, um espaço reservado para trocas e interações entre alunos e ex-alunos que já foram para fora.

Quer se juntar a nós? Clique no botão abaixo e faça agora seu Teste de Perfil*.

Fazer Teste de Perfil

*Ele funciona como um filtro para selecionar aqueles que estão realmente dispostos a realizarem o sonho de ir para o exterior.


Foto de capa por Resume Genius na Unsplash