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Se você já pesquisou "melhores universidades do mundo", sabe como é: uma lista diz uma coisa, outra lista diz outra. Na comparação THE x QS, os dois rankings de universidades mais citados do planeta, a USP aparece na 133ª posição em um e na 141ª no outro. No ano passado, a diferença era ainda maior: 108ª no QS e na faixa 201-250 no THE.

Isso significa que um dos dois está errado? Não. Significa que cada ranking mede coisas diferentes, com pesos diferentes, e que uma mesma universidade pode ir bem em um critério e mal em outro. Quem entende isso para de se frustrar com as variações e começa a usar o ranking a seu favor.

Neste artigo, você vai ver o que cada ranking avalia, por que as posições mudam tanto de um para outro (e de um ano para o outro) e qual deles faz mais sentido para o seu objetivo, seja graduação, mestrado, carreira ou pesquisa.

O que você vai aprender:

  • Por que THE e QS são rankings diferentes, apesar de terem a mesma origem
  • O que cada um mede e quanto pesa cada critério
  • Por que Oxford, MIT, Imperial e USP aparecem em posições diferentes
  • Qual ranking usar para graduação, pós-graduação e carreira
  • Como cruzar ranking, área de estudo e bolsa na hora de escolher

THE e QS: mesma origem, rankings diferentes

Entre 2004 e 2009, THE (Times Higher Education) e QS (Quacquarelli Symonds) publicavam um ranking único, juntos. Em 2010, a parceria acabou e cada um passou a produzir a própria lista, com metodologia própria. Desde então, os dois são britânicos, são publicados todo ano e costumam colocar as mesmas universidades no topo, mas divergem bastante quando a gente olha para a posição exata.

Uma pegadinha que confunde muita gente: o nome da edição não é o ano em que ela sai. O QS World University Rankings 2027 foi divulgado em 18 de junho de 2026 e avaliou mais de 1.500 universidades de 106 sistemas de ensino superior. O THE World University Rankings 2027 saiu em 30 de setembro de 2026 e ranqueou 2.297 instituições de 118 países e territórios. Ou seja, são calendários diferentes, universo de instituições diferente e dados coletados em momentos diferentes.

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O que cada ranking mede (e quanto pesa cada critério)

O QS usa nove indicadores. O THE usa 18 indicadores, organizados em cinco pilares. A tabela abaixo resume os pesos principais. Os números do THE seguem a metodologia publicada para a edição 2026, e os do QS seguem a metodologia vigente publicada no site da QS.

O que é avaliado

QS

THE

Reputação acadêmica (pesquisa com professores)

30%

33% (18% reputação em pesquisa + 15% reputação em ensino)

Impacto das pesquisas (citações)

20% (citações por docente)

30% (pilar "qualidade da pesquisa")

Reputação entre empregadores

15%

não avalia

Resultados de empregabilidade dos ex-alunos

5%

não avalia

Estrutura de ensino (professores por aluno etc.)

10% (proporção docente-aluno)

29,5% (pilar "ensino", que inclui reputação)

Internacionalização

15% (docentes, estudantes e redes de pesquisa)

7,5% (estudantes, docentes e colaboração)

Ambiente de pesquisa (renda, produtividade)

não avalia diretamente

29% (inclui a reputação em pesquisa)

Indústria (renda e patentes)

não avalia

4%

Sustentabilidade

5%

não avalia no ranking geral

Repare em dois detalhes importantes.

O QS olha para o mercado de trabalho. Somando reputação entre empregadores (15%) e resultados de empregabilidade (5%), 20% da nota do QS vem de empregabilidade. O THE não tem nenhum critério equivalente.

O THE olha mais para dentro da universidade. O ranking dá peso grande à qualidade da pesquisa (30%), ao ambiente de pesquisa (29%) e ao ensino (29,5%), e cobre também renda, patentes e relação com a indústria.

Em comum, os dois dependem bastante de reputação: pesquisas de opinião com professores pesam muito nos dois. Por isso, universidades muito tradicionais tendem a ficar bem posicionadas em ambos mesmo quando outros indicadores caem.

Por que a mesma universidade muda tanto de posição

Veja como as principais universidades do mundo ficaram nas edições 2027 de cada ranking:

Universidade

QS 2027

THE 2027

MIT (EUA)

1º

2º

Imperial College London (Reino Unido)

2º (empate)

8º

Stanford University (EUA)

2º (empate)

3º (empate)

University of Oxford (Reino Unido)

4º

1º

Harvard University (EUA)

5º

6º

University of Cambridge (Reino Unido)

6º

5º

National University of Singapore (Singapura)

10º

15º

Universidade de São Paulo (Brasil)

133ª

141ª

O MIT lidera o QS pelo 15º ano seguido. Já no THE, Oxford é a primeira pelo 11º ano consecutivo, com uma vantagem de apenas 0,1 ponto sobre o MIT. A Imperial College é a mais interessante do grupo: vice-líder (empatada) no QS e apenas 8ª no THE.

Isso acontece porque ela tem notas muito altas em quase todos os indicadores do QS, enquanto o THE pesa mais fatores de pesquisa e ambiente acadêmico em que outras instituições se destacam.

As causas mais comuns da diferença

  • Pesos diferentes. O mesmo desempenho vale mais ou menos pontos dependendo do ranking. Um bom resultado de empregabilidade ajuda no QS e não conta no THE.

  • Pesquisas de opinião diferentes. Cada ranking faz sua própria consulta a professores. O THE combinou duas rodadas de pesquisa e chegou a mais de 108 mil respostas.

  • Universo de instituições diferente. O THE ranqueou 2.297 instituições em 2027. O QS, cerca de 1.500. Entrar ou sair do ranking muda a posição de todo mundo.

  • Faixas em vez de posições exatas. O THE mostra posição exata só até a 200ª colocação. Depois disso, divulga faixas (como 201-250), então a comparação fica menos precisa.

  • Fusões e mudanças institucionais. O THE aponta 35 instituições resultantes de fusões na edição 2027. Fusões bagunçam dados históricos e podem fazer uma universidade subir ou cair sem que nada mude na sala de aula.

  • Correções. Depois de publicar o THE 2026, a própria THE corrigiu a posição de algumas universidades por erro na atribuição de votos de reputação. A Universidade de Adelaide, por exemplo, passou da 176ª para a 133ª posição.

O caso da USP

O exemplo brasileiro mostra bem esse efeito. No QS 2027, a USP caiu de 108ª para 133ª. No THE 2027, ela subiu da faixa 201-250 para a 141ª posição, a primeira vez que o Brasil aparece entre as 150 melhores do ranking. A Unicamp também registrou sua melhor marca histórica no THE, na faixa 326-350, enquanto aparece na 277ª posição do QS.

A coordenadora do escritório de indicadores da USP resumiu a lógica ao Jornal da USP: mais do que perseguir posições, o trabalho é garantir que os dados enviados representem a universidade. Em outras palavras, o ranking mede o que as metodologias medem, e não toda a qualidade de uma instituição.

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Qual ranking usar para escolher onde estudar

Não existe um ranking "certo". Existe o ranking que combina melhor com o que você quer. Use esta referência:

Seu objetivo

Ranking mais útil

Por quê

Graduação com foco em mercado de trabalho

QS

Inclui reputação entre empregadores, resultados de empregabilidade e proporção de professores por aluno

Mestrado, doutorado ou carreira acadêmica

THE

Dá mais peso à qualidade e ao ambiente de pesquisa, além de ensino e relação com a indústria

Comparar muitas universidades de países menos conhecidos

THE

Cobre mais instituições (2.297 contra cerca de 1.500)

Escolher uma universidade para uma área específica

Ranking por área de qualquer um dos dois

A posição geral mistura todas as áreas e esconde forças e fraquezas de cada curso

Decidir entre duas universidades muito próximas

Os dois, juntos

Se a diferença é pequena nos dois, o ranking não vai decidir por você

Uma regra prática: se uma universidade aparece bem nos dois rankings, a posição é um sinal forte de reputação consolidada. Se aparece bem em um e mal no outro, vale entender por quê (pesos, área, tamanho) antes de descartá-la ou de se encantar por ela.

Como usar o ranking sem cair em armadilhas

O ranking é um bom ponto de partida e um péssimo ponto final. Ele não diz se existe bolsa para brasileiros, quanto custa viver na cidade, como é a política de visto, se o curso que você quer é forte ou se o método de ensino combina com você. Para fechar a decisão, siga este caminho:

  1. Defina primeiro o seu objetivo. Graduação, mestrado, pesquisa ou carreira? Isso decide se QS ou THE pesa mais.

  2. Filtre por área de estudo. Uma universidade 300ª no geral pode estar entre as melhores do mundo no seu curso.

  3. Compare as duas listas. Anote a posição de cada universidade em QS e THE e observe a diferença.

  4. Olhe além do top 10. Instituições entre as posições 100 e 500 costumam ter excelente estrutura de pesquisa e reconhecimento de mercado, e muitas vezes processos de bolsa menos disputados do que os das primeiras colocadas. Isso não é garantia de nada, mas amplia as possibilidades.

  5. Cruze com bolsa, custo de vida e visto. O melhor ranking do mundo não ajuda se a conta não fecha. Priorize programas com bolsa integral ou parcial e verifique elegibilidade para brasileiros.

  6. Comece cedo. Provas de proficiência, cartas de motivação e documentos levam meses para ficar prontos.

Perguntas frequentes sobre THE x QS

Qual é a diferença entre o ranking THE e o ranking QS? O QS dá peso a reputação acadêmica (30%), citações por docente (20%) e reputação entre empregadores (15%), e inclui empregabilidade e sustentabilidade. O THE avalia cinco pilares (ensino, ambiente de pesquisa, qualidade da pesquisa, internacionalização e indústria) e não inclui critérios de empregabilidade.

Qual ranking de universidades é melhor, THE ou QS? Nenhum é melhor em termos absolutos. O QS tende a ser mais útil para quem pensa em graduação e mercado de trabalho. O THE tende a ser mais útil para quem pensa em pesquisa e pós-graduação. Usar os dois juntos dá uma visão mais completa.

Por que a mesma universidade aparece em posições diferentes no THE e no QS? Porque cada ranking usa indicadores, pesos e pesquisas de opinião diferentes, e avalia um conjunto diferente de instituições. Uma universidade forte em empregabilidade pode ir melhor no QS, e uma forte em pesquisa e financiamento pode ir melhor no THE.

Qual é a melhor universidade do mundo no THE e no QS em 2027? No THE 2027, a University of Oxford está em primeiro lugar, seguida pelo MIT. No QS 2027, o MIT lidera, seguido por Imperial College London e Stanford, empatadas em segundo.

Em que posição está a USP no THE e no QS? No THE World University Rankings 2027, a USP está na 141ª posição. No QS World University Rankings 2027, está na 133ª. Em ambos, é a melhor universidade brasileira.

Quando saem os rankings THE e QS? O QS World University Rankings 2027 foi divulgado em 18 de junho de 2026, e o THE World University Rankings 2027, em 30 de setembro de 2026. Cada ranking costuma ser publicado no mesmo período todos os anos.

O ranking das universidades garante uma bolsa de estudos? Não. A posição de uma universidade em qualquer ranking não indica se ela oferece bolsa para estudantes brasileiros. Essa informação depende do programa, do país e do seu perfil.

Ranking ajuda a escolher, mas quem decide é você

Depois de comparar THE e QS, a lição é simples: os dois rankings são úteis, nenhum é a verdade absoluta, e a diferença entre eles diz muito sobre o que cada um valoriza. Quem sabe disso escolhe com mais segurança e não se deixa levar por manchetes.

Mas escolher a universidade é só o começo. Para chegar lá, é preciso mais do que vontade. É preciso estratégia, preparação e as ferramentas certas.

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