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A Austrália anunciou mudanças nas regras de visto, e a notícia assustou muita gente. O governo disse que estudantes internacionais não poderão mais incluir familiares no visto de estudante e que o Working Holiday terá menos vagas para o segundo e o terceiro ano. Se você planeja estudar na Austrália, é natural pensar: será que acabou?

Calma. Quem vai sozinho continua podendo pedir o visto de estudante, e o país segue entre os destinos mais procurados por brasileiros. O que mudou foi o jeito de usar o sistema: menos atalhos, mais planejamento.

Neste artigo, explicamos o que foi anunciado em 17 de setembro de 2026, o que já vale desde 2 de outubro, quem é de fato afetado e como ajustar sua estratégia, seja para a Austrália ou para outros destinos.

O que você vai aprender:

  • O que o governo australiano anunciou e o que já está em vigor
  • Como fica o visto de estudante sem a inclusão de familiares
  • Quem não é afetado pelas mudanças
  • O que muda no Working Holiday (2º e 3º ano)
  • Como se planejar agora e quais alternativas existem

O que a Austrália anunciou e o que já está valendo

Em 17 de setembro de 2026, o ministro de Assuntos Internos, Tony Burke, apresentou em Canberra um pacote de medidas para a migração temporária. Os pontos principais são quatro:

  • Estudantes internacionais não poderão mais incluir parceiro ou filhos em novos pedidos de visto de estudante.

  • O governo vai apertar o controle sobre o chamado "visa hopping", a troca repetida de cursos e vistos só para prolongar a permanência.

  • O Working Holiday terá teto de vagas no segundo e no terceiro ano.

  • Os vistos de visitante concedidos daqui para frente terão a condição "No Further Stay", que impede pedir outro visto de dentro do país.

A parte do visto de estudante já virou regra: vale para pedidos feitos a partir de 2 de outubro de 2026. As datas de início das medidas do Working Holiday ainda não foram detalhadas.

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A partir de agora, a maioria dos estudantes internacionais não poderá incluir parceiro ou filhos como dependentes ao pedir o visto de estudante. A regra vale também para o visto de graduado (Temporary Graduate, subclasse 485).

Três pontos ajudam a dimensionar o impacto:

  • Famílias que já estão na Austrália não serão separadas. O próprio ministro afirmou isso. A restrição vale para novos pedidos.

  • Existem exceções. Entre elas estão estudantes de doutorado e de países do Pacífico e da ASEAN, além de alguns casos específicos. Cursos longos, como enfermagem e medicina, não têm exceção própria.

  • Não dá para incluir familiares depois. Quem tem a possibilidade de levar a família precisa pedir tudo junto, no momento da aplicação do estudante principal.

Para ter uma noção de escala: no último ano fiscal, a Austrália concedeu cerca de 337 mil vistos de estudante, e aproximadamente 46 mil foram para dependentes. Ou seja, cerca de 14% do total.

Quem não é afetado

O visto de estudante para quem vai sozinho continua existindo. O governo mirou o uso do visto como ponte migratória, e disse querer manter a Austrália atraente para quem busca uma educação de qualidade.

Se o seu plano é estudar um curso reconhecido, o essencial segue igual: matrícula, comprovação financeira e seguro-saúde. Quem já tem visto não perde o que tem. Com o visto de estudante, a regra geral permite trabalhar até 48 horas por quinzena durante o curso, respeitando as condições de cada visto.

Quem deve rever o plano são os casais e famílias que pretendiam viajar juntos e quem contava com mudanças frequentes de curso.

Working Holiday: menos vagas, mais planejamento

O programa de Working Holiday também vai mudar. Segundo o anúncio, o segundo ano terá teto de 45 mil vagas, contra cerca de 57 mil pessoas que se qualificaram neste ano. O terceiro ano ficará limitado a 5 mil vagas, com sistema de sorteio, contra 31 mil antes. Os requisitos de trabalho regional continuam: 88 dias para o segundo ano e seis meses para o terceiro.

Ficam alguns recados práticos:

  • Planeje o trabalho regional desde o início. Com menos vagas, chegar com tudo organizado faz diferença.

  • Confira sua elegibilidade. Working Holiday e Work and Holiday têm regras por nacionalidade, idade e escolaridade. Veja no site oficial do governo australiano se o seu passaporte participa.

  • Não conte mais com o Working Holiday como ponte para estudar. Desde 2 de outubro, quem está com Working Holiday, visto de visitante ou outros vistos temporários não pode mais pedir o visto de estudante de dentro da Austrália. O pedido passa a ser feito de fora, e a pessoa precisa estar fora do país quando o visto for concedido.

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Como se planejar agora para estudar na Austrália

Mudança de regra não é o fim do caminho, é um aviso para planejar melhor. Alguns passos ajudam:

  1. Defina se você vai sozinho ou com família. Se pensava em levar parceiro ou filhos, verifique antes se você se encaixa em alguma exceção.

  2. Escolha o curso com estratégia. O governo quer ver progressão, por exemplo de graduação para mestrado. Evite cursos repetidos no mesmo nível ou em nível inferior.

  3. Peça o visto de fora do país. Se você já está na Austrália com outro visto temporário, planeje o retorno ao Brasil e a aplicação a partir daqui.

  4. Confira as fontes oficiais. Antes de pagar qualquer taxa, veja as regras atualizadas no site do Departamento de Assuntos Internos da Austrália.

  5. Busque financiamento. Universidades australianas oferecem bolsas e descontos para estudantes internacionais, o que reduz o peso do investimento.

A Austrália não é a única porta

Se depois de ler tudo isso você sentiu que a Austrália ficou mais complicada para o seu momento, existem outros caminhos com regras claras para estudar e trabalhar legalmente:

  • Canadá: permite trabalho durante os estudos e oferece permissão de trabalho pós-graduação para quem se enquadra nos requisitos.

  • Alemanha: universidades públicas com mensalidade gratuita ou muito reduzida e 18 meses de busca de emprego após a formatura.

  • Irlanda: estudantes elegíveis podem trabalhar até 20 horas por semana no período letivo e até 40 nas férias oficiais.

O destino ideal é aquele que combina com o seu objetivo, o seu orçamento e o seu perfil.

Seu intercâmbio não acabou, ele só precisa de estratégia

Mudanças como essa mostram que o intercâmbio premia quem se prepara. Quem entende as regras antes de aplicar escolhe melhor o curso, evita erros caros e chega ao exterior com mais segurança. A Austrália continua sendo uma possibilidade real, e existem outras igualmente boas.

Mas para chegar lá, é preciso mais do que vontade. É preciso estratégia, preparação e as ferramentas certas.

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Foto de capa por Michael Marais na Unsplash