Se você já assistiu algum filme norte-americano que se passa dentro de uma universidade, com certeza viu alguma cena de estudantes dividindo um quarto ou utilizando os espaços comuns de um mesmo edifício, certo? Isso de fato é real e no texto de hoje vamos mostrar como funcionam esses famosos dormitórios das universidades americanas.

Como surgiu a figura do dormitório?

Quando os ingleses colonizaram a América do Norte, eles trouxeram consigo as tradições e conceitos educacionais da Inglaterra. Em 1636, por exemplo, a Universidade de Harvard foi fundada tendo como modelo as Universidade de Oxford e Cambridge. Aliás, sete das nove “Colonial Colleges” foram fundadas por graduados dessas duas instituições.

Os Colonial Colleges são nove instituições de ensino superior licenciadas nas Treze Colônias antes de os Estados Unidos se tornarem uma nação soberana. São elas: New College (atual Harvard); College of William & Mary; Collegiate School (atual Yale); College of New Jersey (atual Princeton); King’s College (atual Columbia); College of Philadelphia (atual Universidade da Pensilvânia); College of Rhode Island (atual Universidade Brown); Queen’s College (atual Universidade Rutgers) e Dartmouth College.

Portanto, a tradição dos Residence Halls (popularmente conhecidos como dormitórios) também veio da Inglaterra e, desde o início, eles tinham o propósito de ajudar a construir o caráter e o intelecto dos alunos; e a função prática de fornecer moradia básica para os mesmos, já que morar e estudar na faculdade era uma necessidade para muitos deles quem vinham de diversas cidades para estudar.

No entanto, foi só após a Segunda Guerra Mundial que essas instalações residenciais nos campi universitários americanos se expandiram nacionalmente. Hoje, mais de 60% de todos os estudantes em faculdades ou universidades de quatro anos vivem em um dormitório durante pelo menos o primeiro ano de faculdade.

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Stockwell Residence Hall na Universidade de Michigan (Foto: Dwight Burdette)

Objetivos e Vantagens

Mas vale ressaltar que o principal objetivo desses dormitórios não é oferecer moradia para os estudantes (já que isso poderia ser providenciado até mesmo fora do campus) e sim desenvolver um espaço propício para o crescimento cognitivo e psicossocial dos alunos.

Nos Estados Unidos, algumas das principais vantagens desses dormitórios, segundo vários pesquisadores, são a possibilidade de concentrar o tempo e a energia dos alunos na faculdade; o aumento da interação informal com outros alunos e o estímulo de várias oportunidades para que eles explorarem valores, estilos de vida e interesses diferentes em um ambiente de apoio sob à administração de pessoas treinadas para isso do ponto de vista educacional.

Já foi comprovado, inclusive, que estudantes que vivem nos dormitórios das universidades americanas pelo menos no primeiro ano da faculdade são mais propensos a:

  • Permanecer na faculdade até a formatura;
  • Ter maiores interações com os professores;
  • Participar de mais atividades no campus;
  • Ter maior aspiração à pós-graduação;
  • Avaliarem positivamente a experiência na faculdade.
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Penland Residence Hall na Universidade Baylor (Foto: Michael Barera)

Organização e Administração

A administração dos Residence Halls é geralmente organizada em três frentes principais: Organização de Programas, Operações de Habitação e Distribuição de Quartos.

Os profissionais do primeiro grupo são responsáveis por organizar toda a programação educacional, de aconselhamento e de apoio ao aprendizado do aluno visando a melhoria da qualidade de vida, o aumento do aprendizado e a construção do senso de comunidade entre todos os estudantes.

Já no setor de Operações de Habitação, os responsáveis ficam principalmente encarregados da administração diária, manutenção, construção e limpeza das residências.

Por fim, os profissionais que atuam no setor de Distribuição de Quartos são responsáveis ​​por alocar os alunos nos quartos, combinar os roommates, fazer possíveis trocas e monitorar a ocupação das diversas instalações.

Normalmenteessas três funções são administradas por um diretor de habitação e residência, sob a supervisão da divisão de assuntos estudantis. É comum também que os próprios alunos atuem como Resident Assistant ou Resident Adviser (RA). Os estudantes escolhidos para essas funções passam por um treinamento para que sejam capazes de contribuir para o bem-estar do dormitório como um todo.

Nesse contexto, a organização mais comum nos dormitórios americanos consiste em um RA por andar, sendo que cada andar é geralmente composto por cerca de 40 a 50 alunos.

Normalmente, o diretor do dormitório também vive dentro da edificação. Essa pessoa pode ser tanto um estudante de pós-graduação quanto um profissional de assuntos estudantis com formação capacitada para a função. E, ao contrário dos RA’s, essa figura é responsável por todo o dormitório, e não apenas por um andar.

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West Residence Hall na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign (Foto: Killivalavan Solai)

Tipos de Residências Univeristárias

As residências universitárias são organizadas pelo sexo dos residentes que vivem nas instalações e pela sua função programática.

O mais comum é o Residence Hall tradicional, que abriga homens e mulheres em instalações separadas. E mesmo nos dormitórios mistos, normalmente existe uma separação de gênero por andar. No entanto, cada vez mais é comum encontrar dormitórios com homens e mulheres dividindo o mesma andar, mas em quartos separados.

Esses Residence Halls geralmente são organizadas em torno de um tema acadêmico específico, com dormitórios dedicados inteiramente a estudantes de Engenharia ou de Enfermagem, por exemplo.

Também é comum encontrar dormitórios para “calouros”; dormitórios para estudantes de alto desempenho acadêmico; dormitórios livres de substâncias e dormitórios exclusivos para pessoas que compartilham das mesmas semelhanças culturais ou raciais. Exemplos: dormitórios para estudantes estrangeiros, unidades residenciais afro-americanas e unidades residenciais indígenas americanas.

Essa atribuição homogênea de alunos com interesses ou características comuns constitui a base da programação das atividades e serviços de apoio aos alunos do dormitório e tem o propósito de estabelecer uma relação mais próxima entre o ambiente de vida dos estudantes e o seu aprendizado e estudo em sala de aula.

Essa mesma ideia também está presente na distribuição dos alunos por quarto (geralmente cada quarto recebe duas pessoas). Por isso, na hora de fazer essa divisão, são considerados hábitos pessoais semelhantes, como os hábitos de sono, limpeza e fumo; além da correspondência de alunos em respostas a testes especialmente planejados de hábitos pessoais e atividades de uso do quarto.

Universidade do Intercâmbio

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Rafael Cerqueira

Rafael Cerqueira

Jornalista de 26 anos que adora viajar. Baiano que já viveu em Minas, em São Paulo, em Portugal e na Argentina. Conhece 26 países e tem o sonho de conhecer muito mais. Acredita que o mundo é grande demais e o tempo muito curto pra ficarmos parados sempre no mesmo lugar.