A Black Ivy League é um termo não oficial que era utilizado para se referir às faculdades historicamente negras (HBCUs) dos Estados Unidos que atraíam a maioria dos estudantes afro-americanos de alto desempenho acadêmico ou membros de famílias ricas antes do Movimento dos Direitos Civis na década de 1960. Hoje em dia esse “apelido” caiu em desuso mas serve como ponte de partida para analisar as instituições que faziam parte desse grupo e que ainda seguem na ativa no país.

Quais são as universidades da Black Ivy League?

Não há um consenso sobre quais escolas faziam parte da “Black Ivy League”, já que diferentes fontes listam diferentes membros possíveis. No livro Blacks in Colleges de 1984, por exemplo, as instituições que faziam parte da lista eram as seguintes:

  • Dillard University
  • Fisk University
  • Hampton University
  • Howard University
  • Morehouse College
  • Spelman College
  • Tuskegee University
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Spelman College (Foto: @SpelmanCollege/Twitter)

Ao longo do tempo (antes e depois de 1984) outras instituições também figuraram nessas listas em outras publicações e artigos escritos por diferentes autores. Alguns exemplos são a Cheyney University of Pennsylvania, a Morgan State University, a Lincoln University, a Morris Brown College, a Xavier University of Louisiana, a Gannon University, a Atlanta University e a Clark University. Essas duas últimas mais tarde se fundiram e deram origem a Clark Atlanta University.

História

Embora exista esse debate acerca de quais instituições faziam ou não parte da Black Ivy League, o que se sabe de fato é que todas compartilhavam algumas características históricas. Ao longo de sua história, alunos que frequentaram essas escolas aprenderam ofícios e adquiriram habilidades e status que os colocaram em uma classe social distinta da maioria dos negros americanos de suas épocas.

Vale lembrar também que, a partir dos anos 70, essas instituições da Black Ivy League deixaram de ser as favoritas dos negros americanas de classe alta que passaram a frequentar faculdades e universidades predominantemente brancas, incluindo aquelas da Ivy League original.

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Morgan State University (Foto: Baltimore Heritage)

Onde estão localizadas?

A maior parte das instituições que aparecem nesse texto como componentes da Black Ivy League estão na região Sul do país, que é justamente a mais marcada pelas tensões raciais e segregação extrema no século XX. Os estados da Geórgia lidera com quatro universidades: Morehouse, Spellman, Morris Brown e Clark Atlanta University.

Ainda na região Sul, outros estados contam com uma universidade cada: Tennessee (Fisk), Virgínia (Hampton), Alabama (Tuskegee) e Maryland (Morgan State). Já o estado da Louisiana tem duas universidades na Black Ivy League: Xavier University e Dillard.

A Pensilvânia, um estado no Nordeste dos EUA, tem três universidades da Black Ivy League: Cheyney University, Lincoln e Gannon.  Fechando a lista temos ainda Washington, D.C., que é a casa da Howard University.

Qual é a situação atual dessas universidades?

Atualmente todas essas antigas Black Ivy Leagues são credenciadas por organizações como a Middle States Association of Colleges and Schools e a Southern Association of Colleges and Schools. Com exceção de duas, todas são também instituições mistas, aceitando homens e mulheres em seus quadros de alunos. Quem foge à essa regra são a Morehouse College (exclusivamente masculina) e a Spelman College (exclusivamente feminina).  

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Morehouse College (Foto: Thomson200/Wikimedia)

Quando foram fundadas?

A grande maioria das universidades da Black Ivy League foram fundadas no final do século XIX. As exceções são a Lincoln University e a Cheyney University of Pennsylvania, que começaram suas atividades antes da Guerra Civil Americana (que aconteceu entre 1861 e 1865); e a Xavier University of Louisiana, fundada pela Igreja Católica em 1915.

Um panorama racial do ensino superior americano

Antes da década de 1960, os alunos e funcionários afro-americanos eram sistematicamente discriminados no ensino superior do país e essas universidades exclusivas para negros foram o caminho encontrado para garantir um educação de alto nível para essa parte da população, e de fato atraiam os melhores alunos e professores afro-americanos.

No entanto, desde 1960, essas instituições têm tido grande dificuldade em competir com a Ivy League e outras faculdades historicamente brancas para atraírem os melhores alunos e professores.

Devido principalmente à falta de investimento, elas saem em desvantagem em relação à outras “instituições brancas” em quesitos como serviços estudantis, oferta de cursos e qualidade de instalações. Ainda assim, as escolas da Black Ivy League matriculam mais bolsistas negros do que escolas tradicionais de elite, como Yale, Harvard e Stanford.

Mas como toda regra tem a sua exceção, algumas universidades da Black Ivy League conseguem sim competir com outras instituições de alto nível dos EUA (como Princeton e a própria Harvard) pelos melhores alunos e professores negros. Mais precisamente estou falando de quatro delas: Hampton University, Howard University, Morehouse College e Spelman College.

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Fisk University (Foto: Paul Mcdonald/Wikimedia)

Ao contrário da Ivy League, o foco principal da Black Ivy League tem sido o ensino de graduação. No entanto, a Howard University tem vários programas profissionais de pós-graduação, incluindo uma faculdade de Medicina; e a Morehouse já teve uma faculdade de Medicina, que acabou se tornando independente. Já a Tuskegee University conta com uma Escola de Medicina Veterinária desde 1930 e começou a conceder PhDs nos anos 80.

Por fim, vale lembrar que hoje nem todos os alunos dessas universidades da Black Ivy League são de fato negros. Eles seguem sendo maioria, mas cerca de 1/5 da população estudantil dessas instituições é formada por pessoas de outras raças.

Universidade do Intercâmbio

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Rafael Cerqueira

Rafael Cerqueira

Jornalista de 26 anos que adora viajar. Baiano que já viveu em Minas, em São Paulo, em Portugal e na Argentina. Conhece 26 países e tem o sonho de conhecer muito mais. Acredita que o mundo é grande demais e o tempo muito curto pra ficarmos parados sempre no mesmo lugar.