Fazer Medicina na Argentina é uma possibilidade real que já atraiu milhares de brasileiros para as universidades públicas e privadas do país, tanto na capital como em cidades do interior, como Rosário, Córdoba e La Plata. Mas será que realmente vale a pena largar tudo aqui no Brasil para viver essa experiência na terra dos hermanos?

Para tentar responder essa pergunta, fomos ouvir a opinião de uma brasileira que é aluna do curso de Medicina da Universidade de Buenos Aires (UBA), a maior do país. Maria Luiza Ferreira Soares tem 20 anos, é natural de Belo Horizonte, e estava cursando o primeiro ano do programa, conhecido como Ciclo Básico Comum (CBC), antes do início da pandemia. Confira abaixo a entrevista que fizemos com ela!

Vale a pena fazer Medicina na Argentina?

É importante ressaltar que o ponto de vista da nossa entrevistada diz respeito somente à experiência dela, então obviamente é impossível afirmar que vale a pena fazer Medicina na Argentina para todas as pessoas que passam por essa experiência.

Algumas pessoas vão encontrar no país um ambiente perfeito para estudar Medicina, a começar pela qualidade do ensino e pelo estilo de vida da cidade em que escolher morar por lá. Outras poderão não encontrar o que realmente buscam dentro de um curso de Medicina, já que a forma como as aulas são ministradas por lá não é a exatamente a mesmo do Brasil.

Por exemplo, é comum muitas pessoas dizerem que, na Argentina, o volume de aulas teóricas é bem menor que no Brasil. E isso, de fato, é verdade, uma vez que, por lá, é normal que os alunos de Medicina estudem boa parte do conteúdo em casa e utilizem dos horários em sala de sala principalmente para o esclarecimento de dúvidas. 

Esse estilo de aprendizado, com toda certeza, requer uma capacidade de organização e compromisso ainda maior dos alunos, e nem todo mundo está preparado para lidar com isso, principalmente em um país distante, e longe da família e dos amigos.

E, além de todas essas questões, um fator que muita gente não se preocupa tanto, até chegar na Argentina e ver que as coisas não são tão simples assim, é a questão da língua. O espanhol, por mais que seja parecido com o português, não é igual ao nosso idioma. E o curso de Medicina por lá, independentemente da universidade de destino, será ministrado na língua local. Agora se o curso de Medicina já não é dos mais fáceis, imagina ter que fazê-lo, do início ao fim, em um idioma que não é o seu?

Portanto, um dos primeiros pré-requisitos para fazer Medicina na Argentina é ser capaz de se comunicar em espanhol, e isso vale para fala, escrita, audição e compreensão. Você acha que está preparado(a) para isso? Se não, o ideal é começar a estudar a língua antes mesmo de iniciar os planejamentos da mudança. 

Outro ponto importante é o REVALIDA, a temida prova que todo estudante brasileiro de Medicina no exterior deve fazer para poder exercer sua profissão em território nacional. O REVALIDA é uma prova de duas fases bastante difícil e cara. Muitas pessoas inclusive, fazem a prova por mais de uma vez e demoram anos até obter a sonhada aprovação. Que fique claro que passar no REVALIDA não é uma tafera impossível, mas é uma tarefa, no mínimo, complicada. Para saber mais sobre como o teste funciona clique aqui. 

Agora que esclarecemos essa parte, vamos para nossa entrevista!


1. Por que você resolveu fazer Medicina na Argentina?

Eu não teria condições financeiras de arcar com os custos elevados de um curso de Medicina em uma universidade particular no Brasil. Além disso, optei por tentar o ENEM somente no meu último ano do Ensino Médio, lá em 2018, mas a concorrência por uma vaga dentro de uma universidade pública era e continua sendo muito grande.

Juntando tudo isso, eu também sempre tive o interesse de estudar fora do Brasil, e quando comecei a buscar alternativas acabei descobrindo a UBA, que é uma universidade com ótimas referências.

FAZER-MEDICINA-na-argentina-ubaFaculdade de Medicina da UBA (Foto: Roberto Fiadone/Wikipedia)

2. Como foi o processo para se inscrever na universidade?

Eu vou explicar um pouco do processo da UBA, mas é importante ressaltar que, para fazer Medicina na Argentina, cada universidade possui um processo diferente.

O primeiro passo é juntar toda a documentação necessária. Na internet é possível encontrar todas as informações referentes a isso e pesquisar para dar entrada no processo de DNI (o equivalente ao nosso RG na Argentina). Além disso, também é preciso ter um certificado de fluência (B2) em espanhol que seja aceito pela universidade. Por conta disso, antes de começar o curso na UBA, eu fiz um curso de língua espanhola de 2 meses, também em Buenos Aires.

O curso de espanhol aconteceu entre os meses de abril e maio de 2019, e no segundo quadrimestre do mesmo ano eu já estava ingressando na universidade.

O CBC pode ser considerado o processo de seleção da UBA, uma vez que antes de começar qualquer curso na faculdade, é necessário obter aprovação nas matérias do ciclo básico. Mas ao mesmo tempo, essa etapa também é considerada o primeiro ano da faculdade e, como consequência, conta como horas de estudos no histórico e não como um processo seletivo, uma vez que não é realmente eliminatória. Isso porque o estudante tem um prazo de 3 anos para conseguir aprovação em todas as matérias do CBC e não há uma competição pelas vagas, como acontece no vestibular brasileiro, por exemplo.

9 melhores universidades para estudar Medicina na Argentina

Cada carreira possui o seu Ciclo Básico Comum, com matérias distintas. No caso de Medicina, as matérias cursadas são Matemática, Biofísica, Biologia, Química, IPC (Introdução ao Pensamento Científico) e ICSE (História da Argentina),. Essas duas últimas são comuns para todos os cursos.

Também é importante falar que existe a modalidade a distância e a modalidade presencial do CBC. Eu faço a modalidade a distância, que é conhecida como UBC XXI.

Roberto Fiadone/WikipediaFoto: Arquivo pessoal

3. Quais são as maiores dificuldades de fazer faculdade em outro país?

No meu caso acredito que foi aprender a lidar com uma nova cultura, um idioma que eu não falava e as responsabilidades de morar sozinha tudo de uma vez só. Eu fui para a Argentina logo depois de me formar no Ensino Médio, então ainda não entendia muito bem o que seria a experiência de sair da casa dos meus pais e ir morar em outro país. E isso foi uma coisa que fui assimilando aos poucos depois de chegar em Buenos Aires.

4. Acha que está valendo a pena a experiência de fazer Medicina na Argentina?

Acho que vale muito a pena! A Argentina possui um estilo de vida que me agrada muito e a faculdade tem um nível acadêmico realmente muito bom.

5. Após formar, você pretende voltar para o Brasil ou continuar na Argentina?

Eu ainda não pensei muito a respeito, mas acredito que antes de tentar voltar ao Brasil e fazer o Revalida, irei morar alguns anos na Espanha, já que o certificado Argentina tem validade por lá. 

Existem muitos outros brasileiros estudando com você? Como é a relação dos estudantes brasileiros com os estudantes argentinos?

Existe muitos estudantes brasileiros na Argentina, principalmente em Buenos Aires. Inclusive, nos primeiros anos, é comum que o nosso círculo de amigos seja composto, em sua grande maioria, por brasileiros. Ainda não tive muito contato com estudantes argentinos, mas todos que fiz amizade até o momento foram muito atenciosos comigo. 

6. Quais são os maiores desafios de viver na Argentina?

O maior desafio é estar sozinha a princípio. As vezes faz falta ter alguém em quem confiar nas primeiras semanas, mas a adaptação é rápida e logo você já tem amigos para suprir essa carência.

7. Você sente algum tipo de preconceito em relação aos estudantes de Medicina brasileiros por parte dos outros estudantes e professores?

Penso que existe um preconceito maior dos brasileiros com os brasileiros que cursam Medicina na Argentina do que dos nossos companheiros de turma e professores. Porém, há também um preconceito por parte deles e até mesmo um pensamento de que estamos ali para “tomar” algo que pertence a eles 

8. Como é a questão do idioma? Precisa ter um nível já avançado no espanhol para conseguir acompanhar as aulas?

Como disse antes, é necessário ter o certificado de espanhol para fazer a inscrição na universidade. Mas é possível acompanhar as aulas sem um nível tão avançado de fluência. Acredito que essa questão começa a pesar mais a partir do primeiro ano após o CBC, quando se começa a ter prova oral (e de fato a usar o espanhol). No entanto, esse tempo necessário para o ciclo básico também é o tempo suficiente para desenvolver nossas habilidades no idioma. 

fazer-medicina-na-argentina-buenos-airesBuenos Aires (Foto: Deensel/Flickr)

9. Do seu ponto de vista, você acha que vale a pena sair do Brasil para estudar Medicina na Argentina?

Para mim, foi uma experiência muito positiva e às vezes até chego a dizer que foi a melhor decisão que já tomei, mas acredito que isso é uma questão muito particular.

10. Quais conselhos você daria para quem ainda está no Brasil e tem vontade de fazer Medicina na Argentina?

Não ter medo! Você vai passar por dificuldades, mas no final irá valer a pena. Fazer Medicina na Argentina é uma experiência incrível, que com certeza vai te ajudar a se descobrir e a mudar sua perspectiva. 

11. Quanto, em média, você acha que é necessário gastar por mês para viver em Buenos Aires? 

Os custos variam muito de acordo com a região da cidade e também com os hábitos do dia a dia e estilo de vida de cada pessoa. Mas uma boa média fica entre 1500 e 3500 reais, já incluindo despesas com aluguel, transporte, alimentação e lazer.


Como você viu pelo depoimento da Ana, fazer faculdade na Argentina pode sim ser um bom investimento. O país tem algumas das melhores universidades da América Latina, a começar pela própria Universidade de Buenos Aires, que é a única da região a aparecer entre as 100 melhores do mundo na edição mais recente do ranking da QS World Universities, um dos principais de sua categoria. 

E, quando se trata especificamente do curso de Medicina, as universidades argentinas tem comprovadamente uma melhor qualidade de ensino que o de outros países que também costumam receber estudantes brasileiros, como a Bolívia e o Paraguai. 

Universidade do Intercâmbio

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