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Dá para trabalhar durante o intercâmbio? Essa é uma das primeiras dúvidas de quem planeja estudar fora, principalmente quando o orçamento é apertado ou quando a bolsa não cobre todos os custos de vida.

A resposta curta é: depende. Cada país define quem pode trabalhar, quantas horas por semana, em que tipo de vaga e em quais períodos. E quem passa do limite pode perder o visto, e não só o emprego.

Neste artigo, você vai ver as regras de seis dos destinos mais procurados por brasileiros, entender a diferença entre trabalho no campus, fora do campus e estágio curricular, e descobrir como usar o trabalho como complemento de renda sem colocar o seu intercâmbio em risco.

O que você vai aprender:

  • Quando o visto de estudante permite trabalhar
  • A diferença entre trabalho on-campus, off-campus e estágio curricular
  • Quantas horas você pode trabalhar nos EUA, Canadá, Reino Unido, França, Austrália e Alemanha
  • Um comparativo rápido das regras por país
  • Os erros que mais colocam o visto em risco
  • Como conciliar trabalho e estudos sem se sobrecarregar

Posso trabalhar durante o intercâmbio?

Na maioria dos países, sim, mas com limites. O direito de trabalhar costuma vir do próprio visto de estudante, e não de uma autorização separada. Por isso, o primeiro passo é sempre conferir o que está escrito no seu visto ou permissão de estudo e no documento de aceite da instituição.

Três fatores definem o que você pode fazer:

  • Tipo de visto e de curso: cursos de graduação e pós costumam dar mais direitos do que cursos curtos ou de idiomas.

  • Período do ano: durante as aulas, o limite de horas é menor. Nas férias oficiais, muitos países liberam o trabalho em tempo integral.

  • Tipo de trabalho: vagas dentro da universidade, fora dela e estágios ligados ao currículo seguem regras diferentes.

Vale entender esses três tipos de trabalho antes de olhar país por país:

  • On-campus: trabalho para a própria instituição, como biblioteca, laboratório, café do campus ou escritório administrativo. Costuma ser a opção com menos burocracia.

  • Off-campus: trabalho fora da universidade, como lojas, restaurantes e empresas locais. Em geral exige condições específicas no visto e tem limite de horas.

  • Estágio curricular: estágio que faz parte do programa de estudos. Costuma ter autorização própria e, em alguns países, não entra na conta das horas permitidas.

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As regras abaixo valem para estudantes internacionais de fora da União Europeia, como os brasileiros. Elas mudam com frequência, então confirme sempre no site oficial de imigração do país e com o setor internacional da sua universidade antes de aceitar uma vaga.

Estados Unidos

Com o visto de estudante F-1, você pode trabalhar no campus por até 20 horas por semana enquanto as aulas estão em andamento. Nos períodos oficiais de férias, o trabalho no campus pode ser em tempo integral.

Trabalhar fora do campus é proibido, a não ser que você tenha uma autorização específica. As duas principais são:

  • CPT (Curricular Practical Training): estágio ou trabalho que faz parte do currículo do curso. Em geral, só é liberado depois de um ano acadêmico de estudo em tempo integral. Durante as aulas, o CPT é de meio período (até 20 horas por semana).

  • OPT (Optional Practical Training): trabalho ligado à sua área de estudo, por até 12 meses por nível de curso, que pode ser feito durante ou depois da formação. Você pede a autorização ao serviço de imigração (USCIS), e há extensão para áreas STEM.

Atenção: acumular 12 meses de CPT em tempo integral elimina a sua elegibilidade para o OPT. Trabalhar fora do campus sem CPT ou OPT pode levar ao encerramento do seu registro de estudante.

Canadá

No Canadá, a permissão de estudo precisa trazer a condição que autoriza o trabalho fora do campus. Se você atende aos requisitos, pode trabalhar até 24 horas por semana enquanto as aulas estão em andamento, e em tempo integral durante os recessos programados. O limite subiu de 20 para 24 horas em novembro de 2024.

Os principais requisitos para trabalhar fora do campus são:

  • Estar matriculado em tempo integral em uma instituição de ensino designada (DLI)

  • Fazer um programa de seis meses ou mais que leve a diploma, diploma técnico ou certificado

  • Já ter começado as aulas

  • Ter o número de seguro social canadense (SIN)

Por causa da exigência de programa com diploma ou certificado, cursos de idioma isolados normalmente ficam de fora. Passar das 24 horas semanais é uma violação das condições da sua permissão de estudo.

Reino Unido

No Reino Unido, o visto é o Student (antes chamado de Tier 4). Quem faz curso de nível de graduação ou superior pode trabalhar até 20 horas por semana durante o período letivo e em tempo integral nas férias oficiais. Em cursos abaixo do nível de graduação, como programas de fundação, o limite costuma ser de 10 horas por semana.

Alguns pontos que pegam muita gente de surpresa:

  • O limite é semanal. Você não pode trabalhar 25 horas em uma semana e 15 na seguinte para "compensar".

  • Trabalho voluntário e trabalho remoto para empresa de fora do país também contam nas horas.

  • Em mestrados, o verão geralmente é considerado período letivo por causa da dissertação, então o limite de 20 horas continua valendo.

  • Quem tem visto de estudo de curta duração não pode trabalhar.

Confira também a condição de trabalho que consta no seu visto. Se estiver escrito que o trabalho não é permitido, você não pode trabalhar.

França

Na França, estudantes de fora da União Europeia que têm o visto de longa duração validado como título de residência (VLS-TS) ou o cartão de residência de estudante podem trabalhar até 964 horas por ano. Isso equivale a 60% da jornada legal anual e não exige uma autorização de trabalho separada, mas o empregador precisa fazer a declaração de contratação.

A contagem das 964 horas é anual e não depende do período de aulas: você pode concentrar mais horas nas férias, desde que não passe do total. Para ultrapassar esse limite, é preciso ter autorização antes de começar, como acontece em alguns contratos de alternância.

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Austrália

Com o visto de estudante (subclasse 500), você só pode começar a trabalhar depois que o curso começar. Durante as aulas, o limite é de 48 horas por quinzena, o equivalente a três turnos de 8 horas por semana. Quando o curso não está em sessão, não há limite de horas.

Duas exceções importantes:

  • O trabalho que faz parte formal do curso, como um estágio registrado, não entra no limite de 48 horas.

  • Quem faz mestrado ou doutorado por pesquisa na Austrália não tem limite de horas depois que o curso começa.

Antes de aceitar uma vaga, peça um contrato por escrito com salário e condições de trabalho. Estudantes internacionais têm os mesmos direitos trabalhistas que os trabalhadores locais.

Alemanha

Na Alemanha, estudantes de fora da União Europeia com visto de estudo podem trabalhar até 140 dias inteiros ou 280 meios dias por ano civil, de 1º de janeiro a 31 de dezembro. Esse limite aumentou em março de 2024 (antes eram 120 e 240 dias). Um dia com mais de 4 horas de trabalho conta como inteiro; até 4 horas conta como meio dia.

O que muda a conta:

  • Fica de fora do limite: vagas de assistente de pesquisa ou monitor na própria universidade e estágios obrigatórios do currículo.

  • Entra no limite: estágios voluntários, pagos ou não.

  • Não permitido sem autorização: trabalho autônomo ou freelancer.

Para trabalhar além dos 140 dias, você precisa de aprovação por escrito da autoridade de imigração.

Comparativo: quantas horas você pode trabalhar por país

País

Visto ou permissão

Limite durante as aulas

Nas férias

Atenção

Estados Unidos

F-1

20 h por semana, só no campus

Tempo integral no campus

Fora do campus só com CPT ou OPT

Canadá

Permissão de estudo com condição de trabalho

24 h por semana fora do campus

Tempo integral nos recessos programados

Exige programa com diploma e SIN

Reino Unido

Student

20 h por semana (10 h abaixo da graduação)

Tempo integral nas férias oficiais

Limite semanal, sem média

França

VLS-TS ou cartão de estudante

964 h por ano no total

Dentro do mesmo total anual

Empregador faz declaração

Austrália

Subclasse 500

48 h por quinzena

Sem limite

Pesquisa não tem limite

Alemanha

Visto de estudo (§ 16b)

140 dias inteiros ou 280 meios dias por ano

Dentro do mesmo total anual

Trabalho autônomo não é permitido

Erros que podem custar o seu visto

Trabalhar durante o intercâmbio é permitido, mas as regras são rígidas. Estes são os deslizes mais comuns:

  • Passar do limite de horas, mesmo que por pouco ou em uma única semana. Em vários países, isso pode levar ao cancelamento do visto e dificultar pedidos futuros.

  • Começar a trabalhar antes da hora. No Canadá e na Austrália, por exemplo, só é possível depois que o curso começa.

  • Esquecer que trabalho remoto também conta. No Reino Unido, trabalhar online para uma empresa de fora do país entra no limite semanal.

  • Aceitar trabalho sem contrato ou "por fora". Além de arriscar o visto, você perde seus direitos trabalhistas.

  • Contar com o salário para pagar tudo. O ganho de um trabalho de meio período ajuda, mas não substitui um planejamento financeiro antes do embarque.

  • Não guardar o registro das horas. Se você tem mais de um emprego, o controle é seu.

Como conciliar trabalho e estudos

Estudar fora já é uma rotina intensa. Para trabalhar sem prejudicar as notas, comece pelo mais simples: priorize vagas no campus, que costumam ter horários mais flexíveis e gestores acostumados com a rotina de quem estuda. No começo, teste uma carga leve de 8 a 12 horas por semana antes de ir até o teto permitido.

Use as férias oficiais para concentrar mais horas e converse com o setor internacional da universidade antes de assinar qualquer contrato. Se quiser mais dicas de organização, veja também nosso guia sobre como equilibrar trabalho e estudo no exterior.

Se o seu objetivo principal é trabalhar e ganhar experiência, existem programas pensados para isso, como Work & Travel, au pair e vistos de trabalho e férias. Confira as opções no nosso guia de intercâmbios para trabalhar no exterior.

Perguntas frequentes sobre trabalhar durante o intercâmbio

É permitido trabalhar durante o intercâmbio com visto de estudante? Na maioria dos países, sim, com limite de horas. Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Austrália e Alemanha permitem algum tipo de trabalho para estudantes internacionais, mas cada um define as horas e o tipo de vaga permitidos. A regra vale para quem tem visto de estudante com direito de trabalho, não para quem está com visto de turista ou de curso de curta duração.

Quantas horas posso trabalhar durante o intercâmbio? Depende do país. Nos EUA, até 20 horas por semana no campus. No Canadá, até 24 horas por semana fora do campus. No Reino Unido, até 20 horas por semana em cursos de graduação ou superiores. Na Austrália, até 48 horas por quinzena. Na França, até 964 horas por ano. Na Alemanha, até 140 dias inteiros ou 280 meios dias por ano.

Posso trabalhar durante um curso de idiomas no exterior? Em geral, é mais difícil. Em vários países, o direito de trabalhar vem de programas de graduação ou pós e de visto de estudante, e cursos curtos ou de idiomas isolados costumam ficar de fora. No Canadá, o programa precisa levar a diploma ou certificado, e no Reino Unido o visto de estudo de curta duração não permite trabalho. Confirme sempre no visto e com a escola.

O que acontece se eu trabalhar mais horas do que o permitido? Você pode ter o visto cancelado e enfrentar dificuldades em pedidos futuros de visto ou autorização de trabalho. Por isso, controle as horas por semana (ou por quinzena, ou por ano, dependendo do país) e nunca aceite trabalho sem contrato ou fora das regras do seu visto.

Qual é a diferença entre trabalho on-campus e off-campus? Trabalho on-campus é feito dentro da universidade, para a própria instituição, e costuma ter menos burocracia. Trabalho off-campus é feito fora dela, em empresas locais, e geralmente exige condições específicas no visto. Estágios que fazem parte do currículo têm autorização própria em muitos países.

Chegou a hora de planejar o intercâmbio com estratégia

Trabalhar durante o intercâmbio pode ser um bom complemento: ajuda com despesas do dia a dia, melhora o idioma e dá experiência internacional. Mas você viu que as regras mudam bastante de país para país e que o salário de meio período raramente cobre todos os custos.

E é por isso que o planejamento vem antes do embarque. Quanto mais cedo você conquistar uma bolsa ou um programa que cubra a maior parte das despesas, menos o trabalho vai pesar na sua rotina e na sua nota.

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