Resposta rápida: a Islândia é o país mais LGBT-friendly do mundo em 2026, com 14 pontos no Gay Travel Index da Spartacus (avaliação de 26 de fevereiro de 2026), seguida por Malta e Espanha (13) e por Bélgica, Canadá, Alemanha e Portugal (12). Na Europa, o Rainbow Map 2026 da ILGA-Europe coloca a Espanha em primeiro (89%), Malta em segundo (88%) e a Islândia em terceiro (86%). O Brasil aparece na 32.ª posição do Gay Travel Index, com 6 pontos.
Para quem vai fazer intercâmbio, esses rankings ajudam a escolher um destino onde leis, serviços de saúde e a rua respeitam pessoas LGBT+. Abaixo estão os 10 países mais bem avaliados, o que cada um garante na lei, a situação da América Latina e a resposta para "qual país tem mais pessoas trans". Veja também as universidades mais LGBTQ-friendly e as bolsas para estudantes LGBTQ+.
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Ranking 2026: os 10 países mais LGBT-friendly do mundo
O Gay Travel Index é publicado desde 2012 e pontua 18 critérios, de casamento igualitário e leis antidiscriminação (pontos positivos) a pena de morte, prisão e violência contra pessoas LGBT+ (pontos negativos). A edição 2026 avaliou mais de 200 países e territórios, além dos estados norte-americanos.
| Posição | País | Pontos (GTI 2026) |
| 1 | Islândia | 14 |
| 2 | Malta | 13 |
| 2 | Espanha | 13 |
| 4 | Bélgica | 12 |
| 4 | Canadá | 12 |
| 4 | Alemanha | 12 |
| 4 | Portugal | 12 |
| 8 | Nova Zelândia | 11 |
| 8 | Noruega | 11 |
| 11 | Austrália, Chile, França e Uruguai | 10 |
Outros dois índices confirmam o topo: no Equality Index da Equaldex, que combina leis e opinião pública, lideram Islândia (93), Noruega (89) e Uruguai (87); no Rainbow Map 2026, que só cobre a Europa, a Espanha ficou em primeiro pela primeira vez.
1. Islândia (14 pontos)
Líder do Gay Travel Index 2026 e do Equality Index da Equaldex, a Islândia soma nota máxima em casamento igualitário, adoção, proteção antidiscriminação e direitos trans. O casamento entre pessoas do mesmo sexo é legal desde 2010 e a lei de autonomia de gênero, de 2019, permite a mudança de nome e gênero nos documentos por autodeclaração.
2. Malta (13 pontos)
Pouca gente sabe, mas Malta tem sido há anos um dos países mais LGBT-friendly do mundo. Só na Europa, por exemplo, a ilha supera outras 48 nações em termos de políticas voltadas para a população LGBT+ e aceitação do estilo de vida, com mais de 65% dos malteses sendo a favor do casamento entre pessoas do mesmo gênero. Malta é um dos poucos países cuja constituição proíbe a discriminação em razão da orientação sexual e identidade de gênero, inclusive no local de trabalho.
Por lá, o casamento LGBT+ é legal desde 2017. Indivíduos e casais, independentemente da orientação sexual, têm os mesmos direitos de adoção, e lésbicas ainda contam com o direito a tratamento de fertilização in vitro. Homossexuais também servem abertamente nas forças armadas, mas ainda são proibidos de doar sangue. Em Malta, os direitos de transexuais e intersexuais estão entre os mais fortes do mundo. Lá, as pessoas podem retificar seus documentos legalmente, sem necessidade cirurgia.
2. Espanha (13 pontos)
Empatada com Malta no Gay Travel Index e primeira colocada do Rainbow Map 2026 da ILGA-Europe, com 89%. O casamento igualitário existe desde 2005, e a lei trans de 2023 garante a autodeterminação da identidade de gênero a partir dos 16 anos e retirou a transexualidade do rol de doenças no sistema de saúde.
4. Canadá (12 pontos)
Desde 1982, a Carta Canadense de Direitos e Liberdades garante direitos humanos fundamentais à comunidade LGBT+. O casamento entre pessoas do mesmo gênero é legal por lá desde 2005 (embora o primeiro casamento gay do mundo tenha acontecido em Toronto, em 2001). Casais do mesmo sexo podem adotar filhos e ter acesso à maternidade de substituição (também chamada de barriga de aluguel). Pessoas LGBT+ no Canadá também contam com benefícios sociais e fiscais iguais, incluindo os relacionados a pensões, previdência e proteção contra falências.
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Pessoas trans podem retificar seus documentos sem necessidade de cirurgia. Além disso, quem optar por fazer a cirurgia de redesignação pode utilizar o sistema público de saúde do país para isso. Desde 2017, pessoas não-binárias podem incluir suas identidades de gênero em seus passaportes.
As atitudes da população também mostram o porquê de o Canadá ser um dos países mais LGBT-friendly do mundo. Pesquisas apontam que 80% dos canadenses aceitam a homossexualidade. Outros estudos mostram que a maioria da população no país concorda que casais do mesmo sexo devem ter os mesmos direitos parentais. Em abril de 2019, o governo canadense lançou uma moeda comemorativa (de um dólar) para comemorar 50 anos de descriminalização parcial da homossexualidade.
4. Portugal (12 pontos)
Empatado com Canadá, Bélgica e Alemanha. O casamento entre pessoas do mesmo sexo é legal desde 2010, a adoção por casais homoafetivos desde 2016 e a lei de autodeterminação da identidade de gênero vigora desde 2018. Para brasileiros, soma a facilidade do idioma.
Outros destinos bem avaliados
Suécia (15.º lugar, 9 pontos)
A Suécia é conhecida como um dos países mais LGBT-friendly do mundo, principalmente quando se trata de direitos LGBT+. O país legalizou a atividade sexual entre pessoas do mesmo sexo em 1944 e a união estável homossexual se tornou legal em 1995. Desde 2003, a Suécia permite que casais de gays e lésbicas adotem crianças e, em 2009, se tornou o sétimo país do mundo a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo gênero.
A Suécia também foi o primeiro país a permitir que pessoas trans retificassem a documentação após cirurgia de redesignação e fornece terapia hormonal gratuita desde 1972! Em 2013, o governo sueco aprovou a legislação que permite alterações legais de gênero sem necessidade de cirurgia ou terapia de reposição hormonal.
Além disso, pesquisas de opinião pública mostram que a grande maioria dos suecos apoia os direitos LGBT+. Um relatório do Eurobarometer de 2019 mostrou que 92% da população da Suécia considera que o casamento entre pessoas do mesmo sexo deveria ser permitido em toda a Europa.
Áustria (15.º lugar, 9 pontos)
Os direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros na Áustria avançaram significativamente no século XXI. As uniões estáveis foram introduzidas em 2010, dando aos casais homossexuais direitos semelhantes aos do casamento. A adoção individual foi legalizada em 2013, enquanto a adoção conjunta foi permitida pelo Tribunal Constitucional da Áustria em 2015. Já em 2017, o Tribunal decidiu legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, e a decisão entrou em vigor em janeiro de 2019.
O país, embora influenciado pelo catolicismo, tornou-se lentamente mais aberto em relação a leis e opinião pública sobre orientação sexual e identidade de gênero. Em junho de 2019, por exemplo, a ministra da Educação, Ciência e Pesquisa, Iris Eliisa Rauskala, se tornou a primeira chefe de ministério assumidamente homossexual.
Argentina (32.º lugar, 6 pontos)
A Argentina tem uma das legislações LGBT+ mais avançadas da América Latina. E esse histórico de aceitação vem desde antes da colonização espanhola, uma vez que os indígenas mapuche e guarani reconheciam um “terceiro gênero” e tratavam cisgêneros, transexuais e intersexuais como iguais.
Na história moderna, a cena LGBT+ se tornou mais próspera no país após o processo de redemocratização, em 1983. Em 2010, a Argentina se tornou o primeiro país da América Latina (e o décimo do mundo!) a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, um marco para uma nação tão católica.
Lá, a lei permite que casais do mesmo sexo adotem e casais de lésbicas tenham acesso ao tratamento de fertilização in vitro. As prisões também permitem visitas conjugais para prisioneiros LGBT. Além disso, os direitos dos transgêneros na Argentina estão entre os mais avançados do mundo. Graças à Lei de Identidade de Gênero, de 2012, as pessoas podem retificar seus documentos sem enfrentar intervenções médicas.
No geral, a população é favorável à comunidade LGBT+ no país. A Argentina teve as atitudes mais positivas de todos os países latino-americanos na Pesquisa de Atitudes Globais de 2013 do Pew Research Center, com 74% dos pesquisados dizendo que a homossexualidade deve ser aceita.
E na América Latina?
Pelo Gay Travel Index 2026, os países latino-americanos mais bem avaliados são Uruguai e Chile (10 pontos, 11.º lugar), seguidos pela Colômbia (9 pontos, 15.º lugar). Argentina, Brasil e México aparecem empatados na 32.ª posição, com 6 pontos: os três têm casamento igualitário e leis de identidade de gênero, mas Argentina e Brasil perdem pontos nos critérios de hostilidade e assassinatos de pessoas LGBT+. No Equality Index, o Uruguai é o terceiro do mundo. Veja também os países mais seguros para brasileiros.
Qual país tem mais pessoas trans?
Não existe censo mundial de pessoas trans; a melhor referência comparativa é a pesquisa LGBT+ Pride 2025 da Ipsos, feita com 19 mil adultos em 26 países. Nela, o Brasil é o país com a maior parcela de adultos que se identificam como LGBT+ (14%, contra média de 9%), seguido por Canadá e Suécia (12%). Na pergunta "você tem parente, amigo ou colega de trabalho trans?", a Tailândia lidera com folga (43%), seguida por Canadá (19%), Suécia (17%), Estados Unidos, Austrália e Chile (16%); o Brasil tem 13%.
Ou seja: o país onde as pessoas trans são mais visíveis no dia a dia é a Tailândia, e o país com mais adultos LGBT+ declarados é o Brasil, que, ao mesmo tempo, fica só em 32.º no ranking de segurança e direitos.
Perguntas frequentes
Qual é o país mais LGBT-friendly do mundo?
A Islândia, primeira no Gay Travel Index 2026 (14 pontos) e no Equality Index da Equaldex. Na Europa, o Rainbow Map 2026 aponta a Espanha.
Qual é o país mais LGBT-friendly da América Latina?
Uruguai e Chile, empatados com 10 pontos no Gay Travel Index 2026; o Uruguai é o terceiro do mundo no Equality Index.
Em que posição o Brasil está?
32.ª posição no Gay Travel Index 2026, com 6 pontos, empatado com Argentina, México e Reino Unido.
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